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O associativismo para o desenvolvimento do turismo no Municí­pio: Acesso ao mercado & governança

por Eduardo Mielke*

Quase que a totalidade das iniciativas coletivas privadas resultam em uma associação. Contudo, este processo colaborativo ocorre de forma eficiente? Em outras palavras, o esforço da entidade tem dado retorno? Esta valendo a pena manter-se associado? Hoje a pauta são as associações de turismo nos municípios.

De ante mão, partiremos do princípio que as associações das quais me refiro aqui, além de desempenharem a função representativa da atividade turística, são aquelas cujo objetivo principal é a captação de negócios via eventos (MICE) e ou fluxo turístico (visitantes). Todo processo coletivo deve observar a dois critérios que são essenciais para que se possa responder às perguntas feitas no parágrafo anterior. A sustentabilidade em todos os níveis de uma associação de turismo, depende exclusivamente da observância da dinâmica que envolve os mesmos. Tenha isso sempre em mente.

A primeira é ACESSO AO MERCADO. É vital observar se o foco nos mercados mais interessantes está claro para os associados, e se os intermediários dos mesmos fazem parte do network da associação. E como é feita a estratégia de publicidade e propaganda desta oferta? Ela é direcionada ou generalista? No que tange ao MICE, as ações da entidade está trazendo oportunidades aos principais segmentos da economia local? Quanto de esforço é gasto na articulação com o corporativo/incentivos em setores específicos? E do lado da gestão, a associação promove ações de compra coletiva de insumos, ou de uso equipamentos de gestão como uso de softwears, por exemplo.

É errado em dizer que nós não temos a cultura deste processo. O Brasil tem vários exemplos de associações de sucesso

A segunda é a GOVERNANÇA, ou seja, diz respeito à forma com que se dá o processo de gestão, liderança, tomada de decisão, prestação de contas e relações institucionais com o governo local e demais entidades em todos os níveis. Ela deve dar o suporte técnico (conhecimento do mercado) e institucional (articulação/network), a fim de dar amparo ao pleno desenvolvimento do item ACESSO AO MERCADO. O equilíbrio entre os dois critérios é vital, ainda que o motor seja o primeiro. Neste âmbito, observa-se: se as decisões são feitas de forma organizada e democrática, tomadas de forma colaborativa em assembleia? Se estas estão fazendo sentido para seus associados, pois se não fazem há uma tendência natural ao afastamento (pouco quórum) e a concentração da decisão em poucas pessoas. O sentimento de pertencimento não ocorre, o que impacta na confiança percebida.  E sem confiança, não faz sentido.

É errado em dizer que nós não temos a cultura deste processo. O Brasil tem vários exemplos de associações de sucesso. O associativismo é o caminho mais robusto para que municípios possam evoluir. O que nos falta é uma Política de Turismo direcionada ao atendimento (capacitação) aos gargalos e necessidades destas entidades, muitos deles apresentados aqui. Isto porque, no contexto de hoje, são as associações nos municípios que podem transformar o turismo nacional.

*Eduardo Mielke, é doutor em Desenvolvimento Turístico Responsável (Uerj)/Dtur – Sistema Municipal Turístico -SIMTURGestão Pública – www.politicadeturismo.wordpress.com

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