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Ariaú Towers em ruí­nas: a cara atual do turismo no Brasil

 

O motivo de tal degradação foi uma dívida de R$ 1,5 milhão contraída com a BR Distribuidora, referentes a ICMS (Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços).

por Andrea Nakane*

A notícia começou a circular na semana passada e para quem é do trade foi um desalento só: o Hotel Ariaú Towers transformou-se em ruínas em pleno coração da floresta amazônica.

O motivo de tal degradação foi uma dívida de R$ 1,5 milhão contraída com a BR Distribuidora, referentes a ICMS (Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços). Um montante elevado, que mal administrado acabou por interromper a operação desse ícone da hotelaria nacional.

Sua estrutura- instalada nas margens do rio Ariaú, um afluente do Rio Negro – por si só já deixava todos os seus visitantes impactados pois era composta por cinco torres, de quatro a sete andares, 186 suítes – mais um alojamento com 40 apartamentos para colaboradores -, restaurantes com capacidade para até 200 pessoas, auditório com 400 lugares, um anfiteatro, um mini-auditório para 70 convidados, uma piscina média, um bar e um mini shopping.

Considerado durante muito tempo o mais famoso hotel de selva do país, localizado a 60 km de Manaus, o Hotel Ariaú Towers chegou a receber hóspedes de grande notoriedade, como o oceanógrafo Jacques Cousteau, o bilionário Bill Gates, o ex-presidente americano Jimmy Carter e o ator Leonardo Di Caprio, entre outros.

Em 2010 em uma ação inédita uma instituição de ensino superior em parceria com o governo do estado viabilizou por meio de tarifas acessíveis, um estudo do meio, conseguindo levar 50 jovens profissionais de Turismo para vivenciar os atrativos do hotel e seus arredores. Na época, como coordenadora de tal instituição, ficamos animados com a visão compartilhada, de que é preciso conhecer para preservar.

Tive o prazer de acompanhar o grupo e inclusive viajei em companhia de minha filha na época com quatro anos, que como todos ficou maravilhada com o contato tão próximo e magnânimo com a natureza. Foram quatro dias de muitos aprendizados, tendo a oportunidade diretamente de trocar ideais com as comunidades indígenas e nativas que há muito tinham compreendido a importância de aplicar o desenvolvimento sustentável para assim, usufruir de toda a riqueza da floresta, sem esquecer de preservá-la para as futuras gerações.

Pena que essas futuras gerações não poderão conhecer esse meio de hospedagem, que infelizmente, representa, hoje, a cara do Turismo no Brasil: No meio de tantas potencialidades encontra-se à deriva, por falta de políticas públicas, realmente compromissadas com o setor… torçamos para que o quadro não piore ainda mais…

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