Hotel Chapadão da Canastra – onde o turista entra hóspede e vai embora amigo

“Nós estamos aqui apenas cuidando desse monumento que é a Serra da Canastra, mas temos muito prazer em dividir isso com todos” (Renilda Dupin)

Por Glaucia Machado (repórter freelancer do DT)

Essa entrevista com a Renilda Dupin, proprietária do Hotel Chapadão da Canastra em São Roque de Minas, foi feita em um fim de tarde depois que eu e minha família visitamos a cachoeira Casca D’Anta na parte baixa do Parque Nacional. Ela havia me confidenciado na noite anterior que este passeio seria emocionante.

Você vai chorar de emoção! – afirmou.

E de fato chorei. Renilda sabia o que dizia. Conhece bem a região porque nasceu e cresceu por ali. Seu pai foi um dos donos de terras no Chapadão, um dos fazendeiro desapropriados e o detalhe: A nascente do Rio São Francisco pertencia a ele.

O Chapadão da Canastra tem o jeito da proprietária. Ela diz não querer receber turistas, quer receber amigos. Quer que seus hóspedes se sintam tão à vontade como se estivessem visitando a casa de um amigo. E é assim que nos sentimos: acolhidos.

Nos fins de tardes os hóspedes se encontram na sala de estar onde há muitos livros sobre a região, pinga para degustação, café fresco e pão de queijo, claro! Enquanto bate papo, a Renilda alimenta com frutas uma família de saguis que atende por seu assovio. Esse é o Chapadão da Canastra. E é nesse ambiente familiar e aconchegante que só o mineiro é capaz de provocar que converso novamente com a Renilda.

Agora vou conversar com você oficialmente – brinco com ela.

Conte para nós como surgiu o Hotel Chapadão da Canastra?

O hotel surgiu de uma necessidade pessoal. Passei por uma síndrome, a Síndrome do Ninho Vazio. Minhas três filhas saíram para estudar porque não tínhamos uma escola preparatória suficiente. Eu era dona de casa e me vi sozinha. Como gosto de conversar e estar com as pessoas comecei a sentir uma solidão muito grande. O turismo estava surgindo por aqui e eu tinha este terreno, resolvemos construir o hotel e foi a coisa mais acertada que fiz. Além de dar o retorno financeiro, o que nos ajudou a formarmos as três filhas, houve o retorno pessoal em qualidade de vida através das pessoas e amizades que construí aqui.

Terminamos o hotel em 2001. Fomos convidados a inaugurá-lo por causa das comemorações dos 500 anos do Rio São Francisco. A cidade não tinha infraestrutura e iriamos receber visitas ilustres como a do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Nosso hotel foi o segundo da cidade.

Pratos típicos da região
O café da manhã é farto, com esses pratos típicos da região

Hoje já fizemos investimento em melhorias nos apartamentos e estamos investindo numa área de lazer com quase 500 metros com piscinas e barzinhos, para retribuir o cliente sempre fiel a nós. Nosso alvo com estas melhorias é principalmente o público da melhor idade que chega das Serras cansado e quer uma piscina aquecida ou uma hidro. Tudo isso até o carnaval estará funcionando pelo menos 80 por cento.

Expandir para você significa perder em qualidade no atendimento?

Estamos crescendo e fazendo isso muito conscientemente e em perfeita harmonia. Também estamos fazendo uma transição familiar, não que eu pretenda abandonar o hotel, mas neste tempo em que estamos juntas, eu e minha filha, estou passando para ela a importância de fidelizar o cliente, manter um atendimento personalizado e com qualidade. Toda a equipe está sintonizada nisso: em receber bem as pessoas com carinho não vendo na pessoa do turista o retorno financeiro, mas este retorno virá com a qualidade do trabalho que oferecemos ao turista. Portanto, estamos investindo e crescendo mas com o pé no chão sem fazer disso uma empresa que fuja do nosso controle. Sempre será uma empresa familiar. Quando deixar de ser empresa da Renilda, passará a ser a empresa da Simone, mas sempre com intuito familiar, recebendo os turistas como convidados e não hóspedes. Entram como convidados e saem como amigos.

Renilda alimentando saguis
Renilda alimentando os saguis

Você acha que aumentou o turismo nos últimos anos?

Aumentou muito o turismo por aqui. Não entendemos bem o que ocorre porque por todos os lados só se fala em crise e de repente começamos ter uma taxa de ocupação durante a semana, final de semana e não só em feriados como era antigamente. Conversando com esse novo público que estamos recebendo, percebemos algumas coisas: Uma delas é que parte viajava muito para o exterior e resolveu trocar por algo mais calmo e acessível que é o ecoturismo e turismo interno. Outra coisa foi a divulgação do queijo canastra. O queijo virou moda e tem nos dado um retorno muito grande, principalmente o público carioca que vem atrás do queijo e fica para conhecer a Serra. E a terceira é a divulgação da região. Hoje a Serra da Canastra está muito ligada ao Mar de Minas que é Furnas. Os turistas têm descoberto que a Serra da Canastra é tão acessível quanto Capitólio e Furnas e temos trabalhado numa sintonia perfeita. As pessoas vêm até Capitólio e Furnas e resolvem chegar até a Canastra e vice versa. Estamos numa parceria muito produtiva: Canastra e Mar de Minas.

O que a Serra significa para você?

A Serra faz parte da infância. É como se a Serra fosse nossa e agora temos o prazer de dividi-la com o mundo. Muito fácil falar da Serra. É muito fácil porque tenho uma ligação muito forte com ela. É algo de família e a paixão foi só aumentando pela serra e pelo rio. Quando fomos desapropriados, eu resolvi fazer do meu limão uma limonada ao invés de ficar chateada por perder nosso pedaço da Serra eu arrumei uma maneira de ficar mais próxima, falar dela e do Rio São Francisco todos os dias. Então eu hoje posso falar a respeito das nossas belezas com milhares de pessoas.

Vista do hotel, entre bananeiras, mamoeiros e a vegetação típica da Serra da Canastra
Vista do hotel, entre bananeiras, mamoeiros e a vegetação típica da Serra da Canastra

O que mais faz a diferença na Serra da Canastra?

Existe as sete maravilhas do mundo porque ainda não haviam descoberto a Canastra. A Canastra é a oitava maravilha do mundo. Não só por ser uma região preservada, mas pela qualidade de vida, e pela maneira das pessoas receberem com simplicidade e com muito carinho. São elementos que fazem o diferencial para quem está vindo das grandes capitais como Rio e São Paulo, o turista não se sente explorado porque o intuito não é pegar o dinheiro dos turistas, mas dividir com ele as nossas belezas. Temos esse cuidado de explorar o turismo e não o turista.

Qual é o perfil do turista que visita a Serra da Canastra?

Aqui não é realizado um turismo em massa, por isso não é predatório. É um turismo para poucos, porque quem vem é aquele turista que realmente gosta do ecoturismo.  Atribuo a isso o fato de que o que é visto é mais fácil de ser preservado, porque é tão lindo que as pessoas são inibidas a destruir ou joga lixo, portanto, o turista que vem à Serra da Canastra é aquele que ajuda a preservar.

Qual é o recado que você dá para os leitores?

Vocês são bem vindos. É sempre um grande prazer receber paulistas, paulistanos, cariocas, estrangeiros, e de todas as partes. Nós estamos aqui apenas cuidando desse monumento que é a Serra da Canastra, mas temos muito prazer em dividir isso com todos. Estaremos sempre de braços e portas abertas para recebê-los.

Serviço:

Hotel Chapadão da Canastra – São Roque de Minas

Reservas: (37) 3433-1267 – 3433-1440

Acesse: www.chapadaodacanastra.com.br

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