John Rodgerson, presidente da Azul Linhas Aéreas: “somos um país das oportunidades, mas caro para a operação aérea”

Eleita como como a Melhor Empresa Aérea do país na Pesquisa de Satisfação dos Passageiros em 2021 e com a melhor pontualidade entre as aéreas nacionais, segundo iniciativa do Ministério da Infraestrutura (MInfra) e da Comissão Nacional de Autoridades Aeroportuárias (Conaero)*, a Azul Linhas Aéreas Brasileiras completa no ano que vem 15 anos de operação em solo e ares brasileiros.

REDAÇÃO DO DIÁRIO 


Nesse período, a empresa, fundada pelo brasileiro-americano David Neeleman, desbancou as principais companhias aéreas nacionais e hoje é a maior companhia aérea do Brasil em número de voos e cidades atendidas, tendo aproximadamente 900 voos diários, para mais de 140 destinos. Com 160 aeronaves e mais de 12 mil funcionários, a empresa é comandada por John Rodgerson que concedeu ao DIÁRIO esta entrevista exclusiva. Confira:

DIÁRIO – Em 2023, a Azul Linhas Aéreas Brasileiras completa 15 anos de fundação. Da decolagem, em 2008, até o presente, quais as principais marcas para essa solidificação no Brasil? 

JOHN – A Azul se solidificou e cresceu muito nesses 15 anos. Consolidamos a nossa marca e criamos unidades de negócios, como a Azul Conecta, Azul Cargo, Azul Viagens e TudoAzul e todas elas seguem em constante crescimento e expansão.

Somos a companhia aérea do Brasil com maior número de decolagens e cidades atendidas, com mais de 900 voos diários. Servimos mais de 150 cidades brasileiras e transportamos mais de 22 milhões de Clientes em 2021.

Outro importante marco de nossa história é a construção do hangar de Campinas, que, no mês passado, completou dois anos de operação. Trouxemos para perto de nós todo o controle de manutenção, logística, e implementação de novas tecnologias nas aeronaves aqui no Brasil e não mais no Exterior – gerando uma relevante economia.

DIÁRIO – O que levou a Azul a optar pelo investimento em rotas regionais? 

JOHN  – Apostar e investir no mercado de aviação regional faz parte do modelo de negócios da Azul. Já estamos em 150 destinos, enquanto antes da pandemia, estávamos em 116 cidades. Nossa expectativa é de chegar a 200 destinos no Brasil nos próximos anos, porque sabemos que nosso país depende muito mais do modal aéreo para estar conectado, o que contribui diretamente para o desenvolvimento econômico e social de todas as regiões que contam com uma linha aérea regular. Além disso, o brasileiro tem um forte desejo de viajar e vale destacar que aqui se viaja bem menos que no Chile e Colômbia, por exemplo. HÁ oportunidades e a aviação regional é peça-chave para esse crescimento.

DIÁRIO – O mercado de transporte aéreo, dentro do Estado de São Paulo, ainda tem espaço para crescer? 

JOHN  – Sempre há espaço para a aviação crescer. Construímos, em Campinas, o maior aeroporto em número de voos diários deste país. Antes da Azul, Viracopos tinha pouquíssimos voos comerciais e era um aeroporto só focado em carga. Mas temos mais oportunidades para ampliar as rotas que já temos dentro do estado e eventualmente abrir novas cidades com a Azul e seu braço sub regional, a Azul Conecta. Mas não adianta ter só o desejo da companhia aérea. É preciso investimentos do setor público e privado e de incentivos que façam com que novas rotas e destinos sejam viáveis para todos.

DIÁRIO – Quais as regiões e estados brasileiros mais promissores, para os planos de expansão da Azul Linhas Aéreas? 

JOHN  – A Azul, como empresa competitiva que é, está sempre atenta a novas oportunidades que agreguem o seu plano de negócios. Estamos olhando para novas localidades em todas as regiões, mas nosso planejamento deste ano mira a região Norte e Sul.

DIÁRIO – A qualidade e o porte dos aeroportos regionais inibem o potencial de expansão da companhia? 

JOHN – Infraestrutura ainda é uma grande deficiência de muitos aeródromos no país. São muitas cidades com potencial para receber um voo regular, mas esbarramos na falta de itens técnicos básicos para uma operação segura, que é valor inegociável na Azul. Também temos muitos casos de aeroportos que operamos com restrição. Tem cidades que gostaríamos de oferecer mais voos ou em horários melhores, mas, pela falta de instrumentos de auxílio à navegação aérea, limitamos nossa operação. Isso, sem dúvida, ainda é um entrave, principalmente na aviação regional.

DIÁRIO – Qual a importância da abertura de capital, na trajetória da Azul? 

JOHN – A Azul estreou na Bolsa de Valores em abril de 2017 e foi uma forma importante de capitalizarmos a companhia para continuarmos a investir no Brasil e acelerar nosso crescimento.

DIÁRIO – Quais as perspectivas para as rotas internacionais da Azul? 

JOHN – Neste momento, estamos focados em nossa malha doméstica. Acreditamos sim na retomada do internacional, mas de forma mais lenta e gradual.

John Rodgerson: seguimos com um diálogo próximo e amistoso com a ABEAR em diversas pautas que dizem respeito a um interesse comum do setor

DIÁRIO – Como analisa o cenário concorrencial, entre as aéreas brasileiras? 

JOHN – Estamos felizes com o plano de negócios que a Azul vem construindo para si e para o Brasil. O que posso dizer é que somos uma empresa forte, que conecta cidades pequenas com o restante do mundo.

Apesar de ser um país propício para as oportunidades, ainda somos um país caro para a operação aérea. São desafios que já existiam quando chegamos, há 14 anos. Muitas empresas ou fecham as portas com pouco tempo de operação ou entram em recuperação judicial. É um setor extremamente taxado e regulado e que exige disciplina na condução dos negócios.

DIÁRIO – Qual sua opinião a respeito da ABEAR, da qual a Azul Linhas Aéreas se desligou? 

JOHN – Estamos animados com nosso futuro. Vamos seguir com nossos planos de desenvolver cada vez mais cidades, mercados e frota, estimulando o acesso ao transporte aéreo para que ainda mais brasileiros possam voar pelo Brasil e pelo mundo. Já somos um grupo com mais de 11 mil Tripulantes e temos um caminho de muito crescimento pela frente. Por isso, entendemos que nosso diálogo com a sociedade civil, autoridades, órgãos competentes e demais stakeholders deve ser feito diretamente pela companhia. No entanto, seguimos com um diálogo próximo e amistoso com a ABEAR em diversas pautas que dizem respeito a um interesse comum do setor.

DIÁRIO – Como você resume o relacionamento institucional entre a Azul e o governo federal? Tem críticas ou queixas? 

JOHN – O nosso relacionamento não apenas com o governo federal mas com os governos de cada Estado é bastante amistoso. Como empresa brasileira que aposta no país e quer estar mais próxima dos brasileiros, mantemos uma proximidade com todos para trabalharmos juntos em prol do crescimento da economia, do setor aéreo e do maior número de pessoas viajando de avião.

DIÁRIO – Quanto representa a movimentação da Azul Cargo, nas receitas da companhia? Quais são as tendências, nesse segmento? 

JOHN – A Receita do quarto trimestre de 2021, divulgada em fevereiro de 2022 e disponível em nosso site de RI, mostrou que o negócio de logística manteve seu excelente desempenho com um ano recorde, superando a meta ambiciosa de dobrar a receita em 2021, em comparação com 2019. A receita do ano atingiu R$1,1 bilhão, 128,0% superior à receita de 2019 de R$480,7 milhões.

E esse crescimento da Azul Cargo tem sido resultado do business da empresa, que oferece uma incomparável solução logística para nossos Clientes. A Cargo já atende hoje mais de 4.500 cidades e comunidades em todo o país, sendo que em mais de mil cidades entregamos as encomendas em até dois dias. Isso é um marco na história do país e nosso objetivo é seguir avançando com qualidade e eficiência.

DIÁRIO – Além de Viracopos, em Campinas, quais os aeroportos do país mais importantes para ancorar a estratégia de regionalização da Azul?

JOHN – O principal hub da companhia é o aeroporto de Viracopos, em Campinas, mas também temos bases importantes, como Belo Horizonte, Recife, Belém, Manaus, Porto Alegre, Rio, Curitiba eCuiabá. Nestes mercados temos, diariamente, uma operação bastante robusta, oferecendo uma rápida conectividade com qualquer outra cidade do Brasil ou com alguma de nossas bases internacionais.

DIÁRIO – David Neeleman, brasileiro de nascimento, fundador da JetBlue e da Azul Linhas Aéreas faz o tipo ‘todo poderoso’ ou é bom de delegar e compartilhar? 

JOHN  – Conheço o David há muitos anos e, apesar de não ser o CEO, ele tem uma cadeira no conselho. Nossa relação sempre foi de companheirismo e em prol de uma aviação democrática e de qualidade, além dos milhares de empregos que estão sob nossa responsabilidade.

DIÁRIO – Acrescente, John, eventuais conteúdos relevantes não alcançados pelas perguntas. 

JOHN  – Nós passamos pela fase mais aguda da pandemia graças à vacinação e quando imaginávamos que teríamos um momento de calma vieram a guerra, a alta do dólar e do combustível. Mesmo com todos esses desafios, seguidos animados e confiantes para o segundo semestre e para os próximos anos.  Estamos otimistas com os nossos planos de crescimento e retomada e temos a certeza que tanto a Azul como o Brasil seguirão crescendo cada vez mais.


*O Prêmio Aviação + Brasil é uma iniciativa do Ministério da Infraestrutura (MInfra) e da Comissão Nacional de Autoridades Aeroportuárias (Conaero). Os vencedores foram escolhidos a partir de uma amostra de 61 aeroportos – 20 nacionais e 41 regionais – e cinco empresas aéreas, disputaram 17 categorias após serem avaliados pelos organizadores da premiação em diversas práticas de acessibilidade e em mais de 926 mil pousos e decolagens. Além da equipe técnica, mais de 50 mil Clientes do transporte aéreo nacional foram ouvidos nos terminais aéreos de todo o Brasil, como parte da Pesquisa de Satisfação do Passageiro realizada pela Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC).

 

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