Ronaldo Albertino, da rede Bourbon: ‘temos critérios de como, quando e com quem investir!’

Idoneidade, credibilidade e responsabilidade com o investimento. Essas três característicassão os pilares que a Rede Bourbon utiliza para a a escolha de seus parceiros e investidores. Segundo o diretor de Desenvolvimento para a América Latina, Ronaldo Albertino, muitas vezes a rede Bourbon é taxada de conservadora. “O que quero dizer, em outras palavras, é que o mercado nos últimos cinco anos foi muito favorável ao desenvolvimento de novos hotéis.  Não adianta nós querermos prometer coisas para o nosso investidor ou passar isso para o mercado, e não corresponder isso na prática; nós preferimos que o estudo de mercado e viabilidade diga qual é a rentabilidade possível do investimento. Temos critério nas escolhas”, afirma ao DIÁRIO. Acompanhe abaixo, entrevista completa e exclusiva concedida ao jornalista Paulo Atzingen:

DIÁRIO – Ronaldo, o mercado hoteleiro mudou muito nos últimos anos? E a rede Bourbon, acompanhou essa mudança?

RONALDO ALBERTINO – Sim, ele se transformou fortemente. Para você ter uma ideia, nós temos, hoje, uma ocupação de 66% dos nossos hotéis no Brasil. Há dez anos nós tínhamos 55%, portanto você vê uma pujança no nosso setor, na nossa indústria, sobretudo em hotelaria com a chegada de novos hotéis. Veja que (o Brasil) tínha 5,5 mil hotéis, em 2004, e hoje estamos com quase 10 mil, cerca de 80% de crescimento, efetivamente. Isso é importante quando falamos, sobretudo, em  número de quartos, com um crescimento de quase 70%, ou seja, o Brasil já está na casa de quase 500 mil quartos existentes, o que nos coloca em um patamar de desafio e de riscos, e é por isso que a Bourbon tem investido bastante na infraestrutura, porque se não tivermos a infraestrutura para o crescimento, a qualidade dos nossos serviços fica comprometida.

Tudo isso tem um custo, obviamente. Todos vocês sabem, principalmente da nossa indústria, nós sempre nos baseamos no dólar no nosso negócio. Se você comparar a diária média que nós tínhamos há dez anos, que era US$ 41, e hoje com US$ 100, nós podemos ver que melhoramos muito em termos de receita e automaticamente conseguimos melhorar a qualidade dos serviços de uma maneira geral.

Bourbon Exclusive Jardim Escondido
O hotel Be Jardin Escondido By Coppola, em Buenos Aires, traduz bem o sucesso da rede lá fora

DIÁRIO – Hoje a rede Bourbon tem dois hotéis internacionais (o de Buenos Aires e o de Assunção). Você pode dizer como tem sido esta experiência? 

RONALDO ALBERTINO –  O Paraguai para nós foi uma grata surpresa, de fato. Nós chegamos com uma previsão orçametária bastante arrojada quando abrimos o hotel e nós superamos todas as nossas expectativas. Para nós, posso te dizer, trata-se de um dos nossos hotéis mais rentáveis. Temos uma rentabilidade por apartamento muito alta, se comparada com os outros hotéis do Brasil, e é um hotel que é o maior centro de convenções do Paraguai, então, todos os principais eventos, as principais atividades do Paraguai são feitas conosco. Para nós, do ponto de vista econômico, o cenário do Paraguai tem sido muito mais favorável que o cenário brasileiro por motivos óbvios: tem muito mais estabilidade, os impostos, custos, sobretudo da mão de obra, da formação da mão de obra, os encargos sociais do Paraguai são muito mais acessíveis do que os custos que nós temos no Brasil. Isso faz com que a gente possa ter salários mais atraentes e reter talentos permanentemente.

No caso da Argentina, entramos no mercado em um momento muito difícil. A Argentina sofreu nos últimos oito ou dez anos um declínio econômico muito forte. Para nós especificamente foi um sucesso a operação do BE por dois motivos: primeiro porque nós lançamos uma marca dentro do segmento de experiência, que é Bourbon Exclusive (BE). Então, como nós temos essa característica de serviço orientado, ter um hotel de experiência, um hotel boutique, em Palermo Soho, em Buenos Aires, foi muito importante. São só sete suítes, é um hotel que requer uma atenção excepcional acima do que a gente está acostumado na nossa indústria. Porém, Buenos Aires é para nós, um dos cinco maiores geradores de demanda para os nossos hotéis do Brasil, veja que interessante. Independentemente da situação econômica da Argentina, ele contribui muito e fortemente para os nossos hotéis no Brasil. Chegar na Argentina não foi só o Bourbon Exclusive, nós temos um escritório na Argentina, temos uma central de reservas em Buenos Aires que nos possibilita gerar negócios para os nossos outros hotéis. Então foi muito positivo. A nossa experiência internacional tem sido bastante interessante.

DIÁRIO –  Você, como diretor de desenvolvimento, tem que ter um olho clínico e fazer análise macroeconômica e microeconômica antes de investir no destino. Como vocês decidem onde vão implantar uma unidade Bourbon?

RONALDO ALBERTINO – São vários critérios. O primeiro critério é onde possamos agregar valor com o produto adequado para aquele mercado. Como você sabe, nós somos líderes na área de  incentivo, convenções, grandes congressos, exibições, etc. Nós somos muito fortes nessa área de grandes eventos. Quando vamos para fora, procuramos, pelo menos dentro da possibilidade, encontrar produtos que atendam esta máquina geradora de pernoites que nós temos na nossa equipe comercial. Isso no setor de eventos.

Bourbon Conmebol
Bourbon Conmebol, primeiro empreendimento internacional e o mais rentável

Nós temos a preocupação de, ao analisar a praça, tomar cuidado para que a gente possa levar para aquela praça não só o produto, mas a geração de negócios que tenha força naquele mercado. Um exemplo: Belo Horizonte é uma praça que tem super oferta hoteleira. Nós tivemos vários convites para irmos para Belo Horizonte e não fomos. Ou seja, abrimos mão, em função de saber que não daria a rentabilidade necessária aos investidores.

Como nós temos muitos ativos, somos investidores patrimonialistas, a nossa preocupação perante o investidor cooperante, o incorporador ou o desenvolvedor do negócio, é igual ao que nós temos na análise de investimento da nossa própria empresa. Esse é um critério importante. Se ele não tiver rentabilidade, nós não vamos para aquela praça, independentemente do modelo de negócio, quer seja por investimento próprio, quer seja através de terceiros, como administração. Como nós não temos franquia, nós focamos em administração ou investimento da Bourbon, quer minoritário ou quer mais expressivo naquele projeto, mas o nosso critério é estudo de mercado e viabilidade. Sem estudo de mercado e viabilidade nós não vamos para nenhuma praça. O próprio investidor deve compreender a necessidade da estrutura, do fluxo operacional, que é muito importante e é plasmado no projeto arquitetônico. Portanto, tem que haver a coincidência do mercado receptivo para isso, o produto adequado e o parceiro adequado para esse produto e para essa localização.

DIÁRIO – Qual a principal exigência que a rede Bourbon tem para escolher um parceiro?

RONALDO – Idoneidade, credibilidade e responsabilidade com o investimento, ou seja, não adianta nós querermos prometer coisas para o nosso investidor ou passar isso para o mercado, e não corresponder com isso na prática, então muitas vezes nós somos taxados de muito conservadores. As pessoas falam: “mas a outra rede ofereceu tanto, a outra rede fala que vai dar tanto”, então nós preferimos que o estudo de mercado e viabilidade diga qual é a rentabilidade possível do investimento. Nós temos a responsabilidade, uma vez o hotel pronto, construído, nós temos a responsabilidade de mensalmente prestar contas aos investidores. Portanto, se nós não temos um desenvolvedor, um incorporador, um parceiro, um construtor e um investidor que não entenda essa característica do mercado, dificilmente a gente vai fazer uma parceria, porque nós temos que pensar no investidor lá na ponta, pulverizado, aquele investidor que compra um apartamento depois de dois ou três anos de operação, e que ele tem que ter o retorno do capital condizente com isso. Para que isso ocorra, nós temos que ir ao custo do negócio, ou seja, quanto custa um apartamento para que ele tenha rentabilidade compatível. Então nós temos esse critério de nos preocuparmos muito com o investidor lá na ponta, e quem vai fazer esse desenvolvimento tem que compreender que o menor custo possível é o desejável para que a rentabilidade seja boa.

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