Rubens Regis, do Costão do Santinho, sobre mercado: “não é dumping, é desespero” (RETRO 2017)

Ficaremos uns 30% abaixo em 2016. Acho que voltamos a números iguais a 2015, que é um número grande

Redação do DIÁRIO (RETROSPECTIVA 2017 – publicado em 24 de janeiro)

Rubens Régis é hoteleiro e atua há 17 anos no Costão do Santinho Resort, em Florianópolis, cidade onde também é membro do conselho do Florianópolis Convention & Visitors Bureau. Acumula experiência na gerência comercial de empresas do setor aéreo e de hospitalidade e também na Associação Brasileira de Resorts -, da qual já foi presidente. Nesta entrevista, o executivo fala sobre a ainda significativa invasão de argentinos em seu resort, sobre estratégias que utiliza para atrair hóspedes sulamericanos, e, ao ser questionado a respeito da saída de alguns hotéis no Rio de Jqaneiro em jogarem seus preços para baixo para manterem seus eventos e seus apartamentos ocupados ele foi taxativo: “não é dumping é desespero!”. Acompanhe:

DIÁRIO – Como você analisa a vinda de argentinos para Santa Catarina, em especial em Florianópolis? O acordo do Mercosul tem ainda alguma influência no fluxo dos hermanos?

RUBENS REGIS – O acordo é zero. O fluxo de argentinos esse ano, eu não tenho o fechamento da indústria local ainda, mas não há dúvidas que caiu. Esse ano tem menos que no ano passado. 2016 foi um boom, um estouro, provocado por uma vantagem cambial localizada e tivemos um grande número de argentinos vindo para cá. Este ano voltou ao regular histórico, um pouco menor que ano passado, mas dentro do previsto. Comecei as minhas previsões com o mercado 20% abaixo do ano passado. Vai chegar perto de 30 [%], dependendo do mês de fevereiro, que está um pouco incerto. Ficaremos uns 30% abaixo em 2016. Acho que voltamos a números iguais a 2015, que é um número grande. No ano passado, em Florianópolis, você não encontrava, em janeiro, apartamento para alugar, nem em pousada nem nada. Este ano ainda tem. Voltou ao normal. Argentina ainda é o primeiro mercado.

DIÁRIO – O Costão tem alguma estratégia para atrair o mercado sul-americano?

RUBENS REGIS – Com certeza. Primeiro mantemos um escritório aberto em Buenos Aires e um em Santiago com o objetivo de trabalhar o mercado local. Firmamos, ao longo dos anos, parcerias muito fortes com as operadoras, tanto do Chile quanto da Argentina, principalmente da Argentina. Fomentamos e apoiamos a colocação de voos fretados, porque o passageiro do Costão vem de avião, não de carro. Precisamos de voos. Trabalhamos muito nestes mercados fomentando as operadoras que fretam, as linhas aéreas. Temos uma estratégia de aproximação com esse pessoal. Temos também alguma coisa de campanhas de marketing desses mercados.

DIÁRIO – Muitos hotéis, em várias capitais do Brasil estão batendo lata e, segundo alguns hoteleiros, existe uma versão doméstica de dumping e que o Rio de Janeiro tem jogado os preços lá embaixo para captar eventos. O senhor concorda?

RUBENS REGIS – Constrói-se milhares de apartamentos para uma Olimpíada que dura 15 dias, agora fica lá a bucha. Não há dúvida nenhuma, cresceu a oferta. É um desespero total. A palavra não é dumping, é desespero. Não tenho esse número, mas se não me engano construíram 40 mil novos quartos na Barra. Quem vai ocupar agora? Eles arrebentam a tarifa de eventos para captá-los. Isso não se sustenta a longo prazo, mas é a tacada inicial. Tem gente apostando que lá é o melhor destino do Brasil para fazer cassinos. Tem que procurar outras alternativas, se não isso pode ser muito danoso para a indústria.

DIÁRIO – Tem alguma praça que o preocupa em termos de captação de eventos?

RUBENS REGIS – Não. Quem está forte no mercado agora, com bons e novos produtos é o Rio, mais especificamente a Barra. Um destino bonito, moderno, elegante, entrando no mercado de forma muito agressiva e causando problemas, não há dúvida nenhuma.

Quando capta-se uma convenção, ela roda, gira. Nunca será duas vezes no mesmo lugar, é muito raro acontecer. Normalmente ela gira. Quando se vai para um lugar como o Rio e paga-se R$ 500 um [apartamento] duplo com pensão completa, é um preço absurdo, eu não consigo competir com isso. Fez no Rio e comprou barato. No ano que vem, procurando outro lugar, questiona-se o preço maior. O problema criado no Rio hoje perdura por alguns anos. Esse desespero gera, a médio prazo, um problema de mercado muito grande e força a indústria a puxar seus preços para baixo, mesmo não competindo mais com o Rio. Eu não vejo solução a curto prazo também. Eu espero que a Embratur e o Ministério gastem muito dinheiro para divulgar o Brasil para encher o Rio de Janeiro de turista estrangeiro.

DIÁRIO – Rubens, você já foi presidente da Associação Brasileira de Resorts. Agora, do lado de cá, o que ela tem auxiliado seus associados?

RUBENS REGIS – A entidade amadureceu. Hoje é uma entidade madura, complexa, que atua em diversos segmentos diferentes, no segmento político, em Brasília, acompanhando legislação, projetos absurdos na Câmara. e dou um exemplo: um deputado se hospeda em um hotel, entrou meia noite e saiu às seis e pagou uma diária, sentindo-se lesado. Dá em sua cabeça apresentar um projeto de lei e quer mudar, para que se cobre 24 horas a partir do momento que você entra. Mas o cara, esse deputado como muitos, não têm a mínima ideia de como se opera um hotel, para tomar uma decisão dessa.

A Resorts Brasil tem um papel muito forte em Brasília, de esclarecimento da comissão da Câmara, que hoje é o mais forte que fazem. Continua tendo um papel muito importante também em promoção, em feiras, de posicionamento do produto resorts junto ao mercado. Hoje ela está completa. Atua praticamente em todas as sessões. Dei minha contribuição duas vezes. Hoje o Luigi [Rotunno] está lá. A presidência já vem rodando. Hoje temos uma entidade muito bem estruturada.

DIÁRIO – O Costão completou 25 anos. Você está há quanto tempo aí? Tem algum programa de turismo de incentivo, ofertando pacotes personalizados?

RUBENS REGIS – 17 anos. O incentivo é um segmento de mercado que identificamos, um produto da crise. As empresas sempre fizeram, mas procuravam destinos internacionais. Com a crise, passaram a procurar destinos no Brasil. Nós tomamos a decisão de preparar o nosso destino para viagens de incentivo, um produto diferenciado e exige uma hotelaria diferenciada. Nos preparamos para isso, assim como outros fornecedores da cidade, e hoje nos tornamos um destino importante para viagens de incentivo no Brasil. Estamos trabalhando para captar incentivo, sim. Não há dúvidas.

Confira Álbum de imagens do Resort (Fotos: Alexandre Schwartz – DT)

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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