‘Sabrer’ ou ‘Sabrage’ do Champagne e Piriri, Pororó…

‘Sabler’ ou ‘Sabrer’ todos os vinhos significava fazer os fundos secarem, conforme o Dicionário da Lingua Francesa Antiga e Moderna de 1728, de Pierre Richelet, que foi revisado em 1964 por Pierre Aubert.

por Werner Schumacher*


Fazer o fundo secar, ou Lixar (quebrar) um copo de vinho era dito por algumas pessoas com o significado de engoli-lo de uma só vez. Aqui conhecido como fundo liso.

Erroneamente, a expressão é utilizada para designar uma prática utilizada pela aristocracia russa no Século XIX que consistia em umedecer o interior da taça com uma baforada e em seguida colocar alguns grânulos de açúcar, evocando a areia branca do Mar Negro, para se dissolverem no vinho que era derramado nele, pois o achavam excessivamente seco.

Todos os dicionários do século XVIII, incluindo a Enciclopédia, confirmaram a definição do dicionário de Richelet. É neste sentido que Diderot e Voltaire o usaram:

– o primeiro quando escreveu, em Jacques le Fataliste, que seu herói, “de camisa e pés descalços, tinha lixado duas ou três rasades sem pontuação, como ele mesmo se expressava, ou seja, da garrafa ao copo, do copo à boca”,

– o segundo em sua Epístola à Madame Denis, La vie de Paris et de Versailles, onde podemos ler: “Este velho Croesus, enquanto soprava champanhe… Geme sobre os males do campo, e costurado com ouro, em luxo… Reclama o país da cintura superlotada”.

E assim seguiu como beber champagne em abundância durante uma celebração, entornando todas. Até os tempos Napoleônicos.

A cavalaria ligeira de Napoleão, dos famosos Hussardos, ao retornar da batalha, os oficiais destes gloriosos centauros costumavam abrir com um gesto espetacular e magistral o champagne, com o gira da lâmina do sabre, fazendo soprar a rolha e para render homenagem à vitória, ao vigor, à virilidade e às senhoras.

Champanhe! Na Vitória!

Afinal, foi Napoleão quem (supostamente) disse: “Champanhe! Na vitória, um merece; na derrota, é necessário”.

Uma reviravolta mais romântica envolve esses mesmos oficiais e Madame Clicquot, a jovem viúva que herdou a casa de champanhe do marido quando tinha 27 anos.

Quando os soldados de Napoleão passaram por Reims, em Champagne, eles encontraram uma jovem viúva rica que dirigia seu próprio negócio de Champagne.

A história conta que ela divertia os oficiais de Napoleão em seu vinhedo, distribuindo garrafas de champanhe para os homens enquanto montavam em seus cavalos e partiam para a batalha.

Os oficiais, na esperança de chamar a atenção da jovem viúva rica, desembainharam seus sabres e, ainda montados em seus cavalos, cortaram as tampas das garrafas.

Não resta dúvida de que a história da técnica da sabrage é curiosa e interessante

Não resta dúvida de que a história da técnica da sabrage é curiosa e interessante, mas não é recomendada para amadores, pois a pressão contida dentro de uma garrafa de espumante é equivalente à pressão existente no pneu de um caminhão pequeno, que muitos já viram estourar e sabem o estrondo que provoca.

A parte isto, a questão segurança, é um crime abrir um espumante desta forma, imaginem um produto armazenado por 1 a 3 anos, ou mais, em condições especiais para desenvolver todas as suas qualidades e ser aberto desta estúpida forma e por a perder boa parte desta qualidade conquistada.

Convenhamos, não vale a pena!


*Werner Schumacher estudou Economia na PUC/RS e é um dos responsáveis pela profissionalização da vitivinicultura no Brasil.


 

 

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