São Cristóvão (SE): Patrimônio Histórico da Humanidade Nordestina

Repleta de espaços históricos, São Cristóvão, no Sergipe, é parada obrigatória para o turismo do segmento

Texto de Hugo Okada (com reportagem de Paulo Atzingen*)

Edivalvo Peixe dos Santos é um dos cidadãos de São Cristóvão, no Sergipe, município localizado a 26 quilômetros de Aracaju. Como ele mesmo gosta de dizer, “São Cristóvão é a quarta cidade mais antiga do Brasil”. Santos também ocupa o cargo de guia turístico da região e é expert na história dos pontos de interesse locais. Foi na praça São Francisco de Assis, tombada como patrimônio histórico da humanidade pela UNESCO*, que ele falou à reportagem do DIÁRIO DO TURISMO e revelou dados interessantes sobre o turismo regional, além de outras curiosidades.

“Este título que a praça hoje ostenta foi concedido graças aos esforços do nosso ex-governador Marcelo Déda, já falecido, e graças ao conjunto arquitetônico da praça. Este conjunto integra o Convento São Francisco, antes chamado de Igreja e Convento da Santa Cruz, e do seu lado, o Museu de Arte Sacra, que é o terceiro museu em acervo e peças religiosas, perdendo apenas para o Museu de Arte Sacra dos Estados de São Paulo e Salvador. São quase 500 peças. Na praça também está o Museu Histórico de Sergipe, na mesma construção que fora o Palácio da Província, com o seu brasão imperial e onde Dom Pedro II ficou, em visita a esta cidade. Há também a prefeitura e um instituto responsável por todo o patrimônio histórico da cidade”, explica Santos sobre a importância do local.

Sr. Peixe Sao cristovao diariodoturismo
Edivaldo Peixe é guia regional credenciado pelo Sebrae (Crédito: Paulo Atzingen/DT)

Sete igrejas e estilo que mescla Espanha e Portugal

“O estilo do Convento São Francisco mescla o barroco com elementos espanhóis”, explica o guia. A construção, uma das mais notáveis do destino, foi autorizada em 1657 e iniciada em 1693. O complexo possui uma estrutura de seis arcadas de cada lado e ficou abandonado por muitos anos, até a sua reformulação no ano de 1902. A igreja dá para a frente da praça e a Igreja da Ordem Terceira, anexa ao complexo, fica em plano recuado.

“Temos sete igrejas intactas em São Cristóvão. A matriz, do século XVII é em estilo português. O Convento do Carmo, onde moram os frades, tem estilo barroco e está localizado em outra praça. A cidade é ladeada por construções históricas impressionantes e em ótimo estado de conservação. Na alta temporada, após o ano novo, é quando recebemos o maior fluxo de turistas. A falta de praia, no entanto, coloca a cidade em uma prateleira de destinos mais seletivos, próprios para quem realmente admira pontos históricos e religiosos”, finaliza Edivaldo.

Conjunto arquitetônico é possui sete construções históricas (Crédito: DT)

Biju ou tapioca? Nenhum dos dois

Vera Maria Gomes é mais uma cidadã sergipana que hoje reside em São Cristóvão. Natural de Aracaju, chegou ainda jovem a São Cristóvão, trazida pelos pais. Logo conseguiu trabalho com as Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. No fim da missão e com a partida das irmãs, seis pessoas, incluindo Vera, resolveram abrir uma sociedade, hoje reduzida à própria Vera e seu marido, Manoel Soares dos Santos.

“Quando as irmãs partiram, deixaram de doação duas máquinas (uma espécie de prensa-tostex), e hoje já são quatro máquinas para atender a demanda, e estas duas máquinas novas são importadas da Suíça, já que no Brasil é praticamente impossível encontrar uma assistência”, explica a empreendedora.

Mas qual o produto oferecido por essa produção? Trata-se do bricelet, um biscoito artesanal típico na Suíça e que harmoniza muito bem com vinho. Na visita à São Cristóvão (não confundir com o município de mesmo nome do Rio de Janeiro), conheça também o espaço de dona Vera, afinal a história também é feita de sabores.

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**Em 1 de agosto de 2010, em Brasília, o Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) anunciou a praça São Francisco, em São Cristóvão (SE), como o mais novo patrimônio cultural da humanidade. Com essa decisão, anunciada pelo ministro da Cultura, à épocaJuca Ferreira, subiu para 18 o número de locais declarados patrimônio da humanidade no Brasil.

*O repórter viajou a Sergipe pela Avianca

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