São Luís do Maranhão: tambores do São João

Começou em São Luís o “São João de São Luís: a festa do coração”. O evento, que ocorrerá durante todo o mês de junho em diversos pontos da cidade, foi aberto na noite da última quinta-feira (26), em frente à sede da Prefeitura, com a presença do prefeito Eduardo Braide, acompanhado da primeira-dama Graziela Braide e de autoridades do Município. A festa reuniu milhares de pessoas que puderam sentir como serão os festejos este ano.

Por Caroline Figueiredo – Repórter do DT – com Redação


Na sequência de entrevistas sobre a Festa do Coração de São Luís, o DT conversou com Cláudia Regina Avelar dos Santos, do Tambor de Crioula de Leonardo, de São Luís.  A dança, de origem afro-brasileira, começou a ser praticada pelos descendentes de escravos no Brasil e se popularizou. Atualmente, é realizada ao ar livre, como em praças, ou em outros ambientes, e principalmente em louvor a São Benedito, conhecido como padroeiro da população negra.

Regina durante orientação aos integrantes de seu grupo folclórico (Crédito: arquivo pessoal Tambor de Crioula)

Regina é filha de “mestre Leonardo” que fundou o grupo de tambor de crioula em 1956. 

“O perfil dos “brincantes”, ou seja, os participantes do grupo é bastante variado e vai desde senhorinhas idosas, que estão desde a formação do Tambor de Crioula de Leonardo, até homens e mulheres jovens, de 20 a 30 anos, e crianças, que são os netos dos fundadores do grupo”, afirma ao DIÁRIO.

Ajuda

“Durante a pandemia, a Secretaria Municipal de Turismo de São Luís deu uma ajuda muito grande e teve a iniciativa de ir ás comunidades conversar com os organizadores de grupos e manifestações culturais para entender as necessidades de cada um, orientar e capacitar”, adiantou à reportagem.

A dança, de origem afro-brasileira, começou a ser praticada pelos descendentes de escravos no Brasil e se popularizou. (Crédito: arquivo pessoal Tambor de Crioula)

Ela conta que vieram várias pessoas (da Secretaria de Turismo) à sede do tambor de crioula, e viram os instrumentos, as fantasias, os integrantes do grupo folclórico. “O pessoal de turismo nos orientou sobre o receptivo e como receber com excelência os turistas. Isso foi muito bom”, celebrou Regina ao relatar.

Fé, harmonia, alegria

Regina também falou sobre os motivos que levam os turistas a virem pra São Luís e assistir à uma apresentação do tambor de crioula, que é considerado patrimônio imaterial, especialmente neste São João de São Luís: “Se os turistas assistirem uma roda de tambor de crioula do tambor de Leonardo, eles verão fé, harmonia, alegria, que é um grupo que mantém sua tradição religiosa”, revela. “Além disso, completa ela, dizem que o nosso tambor de crioula de Leonardo foi o primeiro grupo de tambor de crioula que padronizou o figurino e isso inspirou outros grupos a fazerem o mesmo”, comenta.

Após dois anos com todas as atividades suspensas devido à pandemia, Regina comemora o novo momento: “Estávamos todos ansiosos para retomar as apresentações presenciais, pois somos uma família, que tem união, alegria, fé e muita harmonia”, finalizou.

O Tambor de Crioula de Leonardo é integrado por homens e mulheres jovens, de 20 a 30 anos, crianças e também gente “de idade” (Crédito: arquivo pessoal Tambor de Crioula)
Após dois anos com todas as atividades suspensas devido à pandemia, Regina comemora o novo momento (Crédito: arquivo pessoal – Tambor de Crioula)

Confira o Vídeo com Mestre Leonardo


O Tambor de Crioula

 

Tambor de crioula ou punga é uma dança de origem africana praticada por descendentes de escravos africanos no estado brasileiro do Maranhão, em louvor a São Benedito, um dos santos mais populares entre os negros. É uma dança alegre, marcada por muito movimento dos brincantes e muita descontração.

 

Os motivos que levam os grupos a dançarem o tambor de crioula são variados: pagamento de promessa para São Benedito, festa de aniversário, chegada ou despedida de parente ou amigo, comemoração pela vitória de um time de futebol, nascimento de criança, matança de bumba-meu-boi, festa de preto velho ou simples reunião de amigos.

 

É praticado em qualquer época do ano, mas com maior frequência no carnaval e durante as festas juninas. A Lei nº 13.248 de 12 de janeiro de 2016 estabeleceu a data de 18 de junho como o dia do Tambor de Crioula.

Em 2007, foi registrado como forma de expressão e patrimônio Cultural do Brasil – aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) – ao lado de manifestações como o marabaixo (Amapá), o carimbó (Pará), o maracatu (Parnanbuco) e a arte kusiwa do povo indígena waiãpi (Amapá).

Para saber mais, acesse o site da Secretaria Municipal de Turismo – Prefeitura de São Luís.

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