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Turismo Espacial: ficção cientí­fica é coisa do passado

O DIÁRIO DO TURISMO, há 16 anos no ar, busca oferecer à audiência uma visão plural do universo das viagens. No editorial anterior, chamamos a atenção para a importância do turismo religioso. Da relação do homem com o divino e encantatório. Como pano de fundo, a saga dos mártires de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte.

CONSELHO EDITORIAL DO DIÁRIO


Neste agora, fazemos uma leitura positiva dos avanços na direção de um turismo espacial viável e sustentável. Fundamentado nos valores do bem, em todos os aspectos. Tanto a fé como a ciência, num caso e no outro, atuam para fortalecer o turismo enquanto indústria da paz.

Na semana passada, o Inspiration4 executou o primeiro voo orbital totalmente civil, da história, sem nenhum astronauta profissional a bordo. Nunca o ser humano chegou tão longe, desde o programa Apollo, da Nasa, que levou o homem à Lua no final dos anos 60.

A nave Dragon levou quatro tripulantes em viagem de três dias. Iniciada em 15 de setembro último, voltou à terra no último sábado, dia 18. Todos sãos e salvos. E detentores privilegiados de relatos únicos, dado o ineditismo desconcertante da experiência. A missão da SpaceX, do bilionário Elon Musk, virou marco do turismo espacial.

A missão da SpaceX, do bilionário Elon Musk, virou marco do turismo espacial.

Ruptura de limites

Richard Branson, da Virgin Galactic; e a Blue Origin, do bilionário Jeff Bezos, realizaram voos recentes, de inspiração baseada no turismo espacial. Porém, não extrapolaram a órbita terrestre. Tecnicamente, realizaram voos suborbitais – chegaram próximo do limite que a nave Dragon, da Inspiration4, ousou romper.

A Virgin Galatic, parceira da Nasa, quer atuar apenas como uma agência de viagens. O valor de uma passagem, a uma velocidade 20 vezes superior à do som, vai custar US$ 250 mil por pessoa.

Empresa diz ter reservas para 600 acentos e mais de 8 mil interessados. Por outro lado, há agências com lista de espera de interessados em pagar até US$ 55 milhões, para cruzar os limites da atmosfera terrestre.

Preço alto e risco

Por enquanto, passear para além da órbita terrestre custa uma verdadeira fortuna. Porém, os idealizadores das agências de viagens espaciais apostam no barateamento, por força de novas aquisições tecnológicas e da economia de escala. Todos concordam que a equação dos lucros precisa ser resolvida, nessa empreitada.

Porém, eventual acidente poderá desacelerar qualquer planejamento. Nos EUA, uma lei determina que a indústria da aviação espacial civil é autorregulatória. No Brasil, apenas o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, saiu da órbita terrestre, em 2006. E não há legislação a respeito.

Do ponto de vista tecnológico, a geração de veículos de lançamentos reutilizáveis, cada vez mais poderosos, serão capazes de transportar humanos para Marte e outros destinos no sistema solar.

O fato é que a ciência avança sempre. O que antes era apenas possibilidade, agora se torna realidade. Basta viver para ver. E, quem sabe, embarcar…

Turismo verde

Acredita-se que, no longo prazo, o mercado de turismo espacial de massa terá de lidar com a questão da sustentabilidade. Há estudos indicativos de que viagens de lazer para fora da terra poderiam, em tese, aumentar o aquecimento global. Calcula-se que mil lançamentos suborbitais liberariam 600t de carbono negro — poluente resultante da queima de combustível fóssil — na estratosfera.

Vista por outro ângulo, a aviação civil espacial pode trazer uma série de benefícios. A tecnologia empregada na projeção e construção das naves extraterrestres poderá contribuir para o surgimento de aviões mais seguros e eficientes.

As viagens espaciais dependem de número expressivo de profissionais, para serem concretizadas. Pesquisas em astronáutica, engenharia de materiais são fundamentais, além da difícil formação dos próprios astronautas.

O turismo do futuro tornou-se presente e veste de realidade a ousadia dos pioneiros da ficção científica.

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