Quando o fundador do Festival das Cataratas, Paulo Angeli falou na coletiva de imprensa que Foz do Iguaçu não é uma cidade turística, mas que possui atrativos turísticos pensei imediatamente nas próprias Cataratas, uma das Sete Maravilhas da Natureza, que como uma dádiva dos deuses ofereceu aos seus moradores, empresas e a própria cidade uma forma de pagar as contas, gerar receita, obter lucros e planejar o futuro.
Por Paulo Atzingen (de Foz do Iguacu)*
É evidente que este acidente geográfico e sua série de cachoeiras por si só não garantiria tudo isso por muito tempo. Era preciso que o homem melhorasse seus acessos e utilizasse-a a seu favor e gerasse, a partir dela, outros atrativos complementares. Foi isso que aconteceu. Hoje temos o Macuco Safari, o Parque das Aves, o próprio Parque Nacional de Foz do Iguaçu que abraça as cataratas. Todos esses, somados à excepcionais hotéis de 2 a 6 estrelas recebem milhares de turistas todos os anos.
Arrisco dizer que Foz do Iguaçu está no topo da cadeia alimentar que nutre a economia do turismo. Oferece um banquete a céu aberto com seus atrativos e equipamentos turísticos, como se diz no jargão do trade.
O poder de engenharia dos Iguaçuenses e dos forasteiros que aqui chegaram transformaram a antiga Vila Iguassu, com seus 3 mil habitantes no início do século XX a um conglomerado de atrativos e fontes de interesse na segunda década do século XXI e
que já fizeram vir para cá, este ano, antes mesmo que ele termine, mais de 1 milhão de visitantes.
Embora o turista de compras que vem buscar bugigangas no Paraguai para revender no país tenha diminuído com o enfraquecimento do dólar, é inegável o peso que esse tipo de turista tem para os cofres da cidade. Segundo Felipe González, presidente do Visit Iguassu, hoje o visitante pode levar em suas compras do lado paraguaio e do argentino até 1 mil dólares/por pessoa em eletrônicos e outros penduricalhos.

Números oficiais
Ainda em outubro, só as Cataratas do Iguaçu já haviam recebido mais de um milhão de visitantes, atingindo quase o mesmo nível de 2019, ano em que houve recorde de visitação. Já o Complexo Turístico Itaipu está prestes a alcançar 25 milhões de visitantes em sua história, informam os dados oficiais.
Quando Angeli fala que a cidade não é turística ele se refere à falta de interação desse visitante com a população economicamente produtiva. “Não temos um artesanato próprio, uma cultura própria que nos identifique. Os turistas saem de seus hotéis, vão até seus pontos de interesse e retornam para os hotéis”, analisa.

Atrativos
Polêmicas à parte, o turista ama Foz do Iguaçu independente se ela tenha um museu ou uma Casa da Cultura com quadros de artistas da terra ou estátuas de poetas nascidos às margens de suas cachoeiras. Não tem. Ou se tem, a força midiática das Cataratas os engoliu (perdoem o trocadilho). Angeli acerta quando fala que na cesta do turista que visita Foz falte a cultura autóctone – como os guaranis do outro lado do rio, ou o tango do outro lado das quedas d’água.
Angeli acerta quando fala que na cesta do turista que visita Foz falte a cultura autóctone – como os guaranis do outro lado do rio, ou o tango do outro lado das quedas d’água.
No entanto, o turismo de experiência imersiva que a cidade propõe, tanto a oferecida pela natureza quanto aquela produzida pela mão do homem é tão variada e tão rica, que falta tempo para o visitante conhecer tudo.
Nesses curtos três dias de realização do Festival das Cataratas a organização do evento, em acordo com os atrativos (equipamentos turísticos no jargão do trade), ofereceu acesso a esses pontos de imersão contemplativa criados pelo homem. Aqui, destaco o Marco das Três Fronteiras, a Itaipu Binacional, o Movie Cars, o Blue Park e o Dreams Park Show.
Um cardápio variado de história, cultura, empreendedorismo e gerador de mão de obra, renda, sonhos e vocações. Um produto interno líquido, impalpável, chamado felicidade que acontece aqui nesse encontro de três fronteiras.
*Paulo Atzingen é jornalista e viajou a Foz do Iguaçu convidado pelo Festival das Cataratas