‘Cui Bono? Já perguntava Cícero, antes de Cristo: ‘Quem se beneficia?’ – Parte II

por Werner Schumacher


No texto anterior vimos que o vidro é um material 100% reciclável e pode ser reutilizado por diversas vezes, como o fazem as companhias cervejeiras, no entanto, as vinícolas trabalham quase que exclusivamente com garrafas novas, pois é preciso separar por cores, modelos, tamanhos, etc., ou seja, não há uma garrafa padrão como a da cerveja.
Na Espanha há uma empresa vendendo uma garrafa 100% oriunda da reciclagem do vidro, cuja coloração relembra um pouco aquelas antigas. Enquanto essa alternativa não chega por aqui, continuaremos a despejar em aterros sanitário o vidro não reciclado.

A lata de alumínio é quase 100% reciclável no Brasil, nosso país é campeão mundial. O vinho embalado em latas de alumínio vem crescendo muito no mercado global e no Brasil não é diferente.

Há um exército de catadores no nosso Brasil colhendo latas em tudo quanto é canto. O meio ambiente agradece, mas reflete a nossa pobreza, pessoas dependerem disso para sobreviver.
As latas são LEVES, fáceis de transportar, apresentam boa resistência a oxidação e o vinho pode ser consumido diretamente da embalagem, sem copos saca-rolhas, etc. além de corresponder a 2 taças de vinhos no caso dos volumes de 250 ou 375 ml.
Elimina-se aqui o problema do que fazer com o vinho que restou na garrafa.
A venda de vinhos em latas de alumínio é muito baixa, nos Estados Unidos, onde cresce muito e já representa 10% do mercado. Por ser 100% reciclável, estão ganhando terreno por causa da pegada de carbono, menor que o vidro e o plástico.
A pandemia de Covid-19 fez aumentar o consumo de vinhos pelos canais on-line e a facilidade de armazenar, empilhar e a de transportar, caiu nas graças dos distribuidores e a tendência é a de que continuará nos próximos anos.
Devemos considerar que o alumínio empregado na fabricação das latas melhorou muito, sem modificar o sabor do vinho ou oxidá-lo. Há quem diga que o prazo de validade é de 18 meses, também em função da exposição solar, mas eu não arriscaria tanto tempo assim, na verdade são os vinhos enlatados pronto pra consumo, não produzidos para envelhecer.
Não pense, portanto, em querer envelhecer vinhos em lata e a mantenha em pé.

Jovens

As bebidas prontas para beber agradam cada vez mais os jovens, que não estão preocupados com o formato ou material empregado para embalar um produto, preferem a portabilidade e as latas representam os produtos de baixo teor alcoólico, um nicho de mercado entre as mulheres e os consumidores jovens.

Afirmar qual embalagem é a melhor passa por muitos fatores se constituindo numa questão muito complexa. Portanto, pense nos seus hábitos e escolha aquela que melhor se adequa aos vinhos preferidos.

Exemplos: se gostas de vinhos leves e frutados, jovens na verdade, a lata é a melhor embalagem e o vidro é melhor quando pensas em armazenar na sua adega para uma ocasião especial ou apreciá-lo com um prato que pede um vinho encorpado, que precisa de tempo pra melhorar na garrafa.
A melhor alternativa para o meio ambiente é beber a água diretamente da torneira (bica), sempre e quando o tratamento da água o permitir e fazer um suco em casa.


*Werner Schumacher, é o alemão brasileiro que na década de 80 e 90 do século passado trouxe os insumos da Europa para o início da vinicultura no Rio Grande do Sul, e portanto, no Brasil.
Sem meias palavras, Werner durante o último ano escreveu sobre inúmeros assuntos do universo do vinho. Defendeu a viticultura heroica de montanha, ficou do lado dos pequenos produtores de uva e vinho do Rio Grande do Sul, enalteceu a importância do enólogo em uma propriedade que produz vinho. Além de tudo isso, e com muita classe, critica os marqueteiros que tentam desmistificar o mundo do vinho com seus produtos padro

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