InícioPolíticas de turismoEditorial: Nobel da Paz 2021 valoriza profissão do jornalista

Editorial: Nobel da Paz 2021 valoriza profissão do jornalista

Coragem de questionar: o que é isso? O que significa? Por quê? Para quem vive de escrever, a matéria prima da notícia resulta de perguntas, de questionamentos, de indagações acerca de fatos. Questionar é indispensável para se produzir jornalismo sem reticências, com clareza, correção, objetividade e isenção.

CONSELHO EDITORIAL DO DIÁRIO

E por falar em fato, toda a nossa satisfação pela escolha de dois jornalistas devotados à profissão para receber o Prêmio Nobel da Paz 2021: a filipina Mari Ressa e o russo Dmitry Muratov. A partir de trincheiras diferentes, localizadas em cenários adversos à transparência e à democracia, ambos se notabilizam pela defesa sem tréguas da liberdade de expressão e direito à informação.

Quando falamos “trincheiras”, não atrelamos ao sentido de guerra, mas sim à construção de uma indústria da comunicação livre, espontânea e pacífica. São fortes dedicados a investigar, apurar, analisar, editar e disparar sementes livres das ervas daninhas que corroem e asfixiam a verdade. Que ocultam desvios de conduta e facilitam a maquiagem engendrada pelo status quo.

Maria Ressa e Dmitry Muratov, agora eles mesmos pauta de repercussão internacional, reafirmam a função social dessa atividade multidisciplinar que, não raro, enfrenta a ira dos malfeitores de todos os escalões. E o ceticismo reativo de seguidores incondicionais.
Jornalismo de qualidade desmitifica impostores e desmancha a blindagem de narrativas de encomenda. Escarafuncha, checa, recheca e entrega, a leitores e a audiências, a essência daquilo que dignifica a liberdade de expressão. E não rasura o direito à informação isenta de análises sorrateiras, impregnadas de artifícios capciosos que alimentam a pandemia das fake news.

Aqui da nossa trincheira, construída dia a dia, há 16 anos, sob a inspiração da alegria gratificante de produzir jornalismo independente, o DT bendiz e aplaude o reconhecimento ao papel exemplar dos colegas agraciados com a distinção. E levanta a questão: até que ponto podemos fazer um jornalismo de verdade no âmbito da economia do turismo?

É uma oportunidade para o mundo (para o Brasil e para o nosso setor) dispensar um olhar mais atento aos profissionais que ousam desafiar interesses e interessados. É um sinal para que as associações e instituições vejam e considerem os jornais e jornalistas não apenas como parceiros e aliados – o que muitas vezes os torna escravos e submissos à verdade. Mas que os considerem um profissional e uma profissão fundamental para o desenvolvimento do setor, acima de interesses corporativos. Sem liberdade de expressão e direito à informação, não há democracia nem jornalismo.

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