Isenção de visto de turismo é um bom negócio para o Brasil

Por João Marques da Fonseca*

Quando em 18 de março de 2019, o governo brasileiro decidiu que turistas, oriundos de países como Estados Unidos, Japão, Austrália e Canadá, não precisariam mais apresentar os seus vistos de turismo para adentrar no Brasil, uma polêmica se instaurou: por que abrir tal precendente, se a proposta é unilateral, ou seja, se a mesma abertura não se estenderá aos brasileiros que, por ventura, quiserem viajar para estes países?

Acredito, que esse sentimento de indignação foi gerado puramente por não avaliarmos os ganhos econômicos que o Brasil alcançará com tal acordo. Afinal, quais são os períodos em que o Brasil mais arrecada recursos relacionados ao turismo? Férias, Carnaval, festas de Final de Ano, entre outras datas comemorativas, em que diversas cidades do nosso País são “invadidas” por estrangeiros eufóricos por uma imersão em nossa cultura.

Nesse sentido, o Carnaval é um excelente exemplo para destacarmos. Segundo dados da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), em 2019, a festa popular gerou um impacto total de R$ 3,78 bilhões, em apenas quatro dias de comemoração, considerando algumas das principais atividades econômicas da capital carioca, como comércio, hotelaria e serviços. Números excelentes para a nossa economia.

Agora, vamos avaliar a questão novamente, utilizando outra perspectiva. Se você pudesse viajar aos Estados Unidos, sem precisar gastar recursos para emissão de visto e todas as outras burocracias, o passeio ficaria mais atraente, não é mesmo? Além do mais, o valor que seria gasto com esses documentos, certamente, se reverteria para gastos junto ao comércio local do país de destino, já que grande parte dos viajantes buscam experimentar comidas típicas da região, investir em produtos da localidade, presentear amigos e familiares com lembrancinhas temáticas, entre outros gastos turísticos.

 

Se você pudesse viajar aos EUA, sem precisar gastar recursos para emissão de visto e todas as outras burocracias, o passeio ficaria mais atraente, não é mesmo?

Com estas ressalvas, quero destacar que, embora a decisão não vá ao encontro do padrão de reciprocidade, atrair turistas de países altamente desenvolvidos, como os presentes na proposta, auxiliará, e muito, na economia do Brasil, já que tal isenção colocará o País nos holofotes do turismo.

Entre os argumentos que temos escutado contra a proposta, é que o Brasil irá perder R$ 60 milhões por ano com este acordo. Entretanto, diversos estudos e levantamentos mostram que esta fatia é insignificante perto do que iremos arrecadar com a entrada de turistas estrangeiros em nosso País, que gastam cerca de 10 vezes mais do que os valores recebidos pelas taxas imigratórias.

O ano de 2016 foi prova disso. Para atrair público para o maior evento esportivo realizado no Rio de Janeiro naquele ano, americanos, japoneses, canadenses e australianos tiveram a obrigatoriedade do visto dispensada. Com esse estímulo, a chegada de visitantes desses países cresceu e os gastos realizados localmente também foram superiores. Nesse cenário, nossos empreendedores lucraram, geraram mais empregos e enriqueceram um pouco mais o nosso País, que precisa muito desse tipo de turismo “qualificado” para alavancar os cofres.

E este é o reflexo esperado para este ano. Um levantamento do Grupo Amadeus, uma das maiores empresas de tecnologia e viagens do mundo,  mostrou que o número de reservas feitas por americanos, que pretendem visitar o Brasil no próximo mês de julho de 2019, aumentou em 97%, se comparado ao mesmo período do ano anterior. O estudo ainda revelou que a pesquisa pelo Brasil como destino turístico, após o anúncio da isenção do visto em março de 2019, cresceu 58% nos Estados Unidos, em comparação a mesmo mês em 2018. Já no Canadá e na Austrália, as pesquisas registraram crescimento de 44% e 53%, respectivamente, nesse mesmo período.

Infelizmente, ainda somos um País mentalmente fechado, que precisa pensar na soberania da população.

Infelizmente, ainda somos um País mentalmente fechado, que precisa pensar na soberania da população. Quando digo “soberania”, me refiro ao pleno emprego. Todos precisam de trabalho e o turismo é um dos setores que mais geram vagas no País. Somente na capital paulista, em 2018, foram criados 2.776 empregos com carteira assinada no segmento, de acordo com dados da Pesquisa de Emprego do Setor de Turismo do Estado de São Paulo (Pesp Turismo, elaborada mensalmente pela FecomercioSP. Um crescimento de 1% em relação ao ano anterior.

Todos estes dados me deixam otimistas. Acredito que este é o caminho certo para o turismo brasileiro, que irá trazer mais riquezas, novos postos de trabalho e desenvolvimento econômico. Agora, basta pensarmos estrategicamente em todos estes benefícios e torcer para que o nosso Brasil cresça e apareça!

*João Marques da Fonseca é presidente da EMDOC, consultoria especializada em mobilidade global, bacharel em Administração de Empresas, Ciências Jurídicas e RelGov. O tema migração e refúgio são algumas de suas especialidades. Apaixonado por essas temáticas, Marques é coautor de oito livros sobre migração e é idealizador do PARR (Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados), projeto que visa recolocar refugiados no mercado de trabalho brasileiro, sendo a EMDOC 100% mantenedora desta ação. 

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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