Leilão de imóveis nos Estados Unidos traz oportunidades para brasileiros

A taxa básica de juros no Brasil atingiu seu menor patamar histórico e tem desafiado os investidores a garimpar alternativas mais rentáveis, no atual cenário de estagnação econômica, sem necessariamente aumentar o nível de risco das aplicações. Se, por um lado, o dólar acima de R$ 4 demanda um capital inicial maior, é possível driblar o câmbio e, com deságio significativo, adquirir um ativo que garante rendimentos vitalícios na mais forte e segura moeda do mundo. Esse é o caso do chamado “distressed properties”, imóveis que foram a leilão por falta de pagamento.
EDIÇÃO DO DIÁRIO
É possível adquirir imóveis em leilão com 30% a 35% abaixo do preço de mercado, segundo destaca Ricardo Molina, autor do livro Como Ganhar Dinheiro com Vacation Homes e CEO da Talent Realty (www.talentrealty.com.br). Um apartamento duplex na Florida, de 120 m², com dois quartos e dois banheiros (suítes), pertinho da Disney, pode ser adquirido pelo preço de US$ 160 mil, 70% do valor de mercado, US$ 230 mil.
Segundo explica Molina, o imóvel na condição de distressed property pode pertencer tanto a pessoas físicas quanto instituições, públicas ou privadas. O mais comum, contudo, é encontrar imóveis em posse de bancos, que foram devolvidos por impossibilidade de pagamento, um fenômeno que cresceu significativamente após a crise das hipotecas subprime (alto risco), em 2008, motivo que desencadeou uma das maiores recessões financeiras mundiais da história.
Nos Estados Unidos, hoje existem 43 instituições financeiras, nacionais e regionais, que colocam à venda imóveis na condição de distressed property. Não é um mercado listado, então é preciso ficar atento às oportunidades. Um corretor de imóveis pode ajudar a encontrar esses imóveis e filtrá-los, assim como auxiliar nas negociações para obter preços melhores. “Com a ajuda do especialista, o investidor consegue adquirir um ativo real a preços bem atraentes, compensando (e até superando) a alta do dólar dos últimos doze meses”, diz Molina. “É possível adquirir uma casa que se pague totalmente por meio do aluguel e que ainda ofereça uma oportunidade de fonte de renda”, complementa.
De acordo com Molina, o rendimento proporcionado pelo aluguel de casas nos Estados Unidos pode chegar a 12% ao ano, ganho que permite quitar totalmente o imóvel em pouco tempo e garante uma renda extra em dólar todos os meses ao investidor.
Já em São Paulo, um dos estados mais caros do país, o rendimento dos aluguéis mal supera o IGP-M desde janeiro de 2018, segundo o Secovi-SP, consequência da atual estagnação econômica do país.  Investir em imóveis para aluguel no exterior, em regiões de alta demanda, pode ser a estratégia mais assertiva.
Rendimento em dólar traz segurança no longo-prazo
Segundo dados da National Association of Realtors (Nars), associação de corretores dos Estados Unidos, estrangeiros investiram US$ 22,9 bilhões em imóveis na Flórida em 2018, 71% desse valor foi destinado ao segmento de vacation homes. Os brasileiros foram responsáveis por 9% do total de aquisições no período, cerca de US$ 2 bilhões desse montante.
A Flórida é um dos destinos preferidos dos investidores estrangeiros que buscam imóveis como fonte de renda, somando 30% das aquisições do segmento nos Estados Unidos – no ano passado, estrangeiros gastaram US$ 77,9 bilhões no mercado imobiliário norte-americano.
Em Celebration, bairro construído pela própria Walt Disney Company, é possível alugar um imóvel para uma família de 3 pessoas pelo preço médio de US$ 125 dólares (R$ 510) por noite em um fim de semana (câmbio a R$ 4,08), segundo dados do Airbnb. “É um bairro muito procurado por turistas do mundo todo, pois garante fácil acesso ao Magic Kingdom e uma imersão bem completa no mundo mágico da Disney”, destaca Molina. O bairro é conectado diretamente aos parques do mundo Disney e um dos destinos mais buscados pelos estrangeiros que buscam realizar a viagem dos sonhos com a família.
Para Molina, a segurança da economia americana, mais estável e com uma moeda forte, é o que tem levado cada vez mais brasileiros a investir no segmento. “Com a crise brasileira, têm aumentado a procura por diversificação de risco e a compra de casas em Orlando cresce a cada mês”, observa. Uma casa em Orlando de quatro dormitórios, por exemplo, a no máximo 10 minutos da Disney, é alugada, em média, 28 semanas por ano e pode gera uma receita líquida de cerca de US$ 24 mil ao ano, ou seja, cerca de US$ 2 mil por mês.

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