O atendimento turístico no Rio de Janeiro: realidade e desafios

As formas de atenção ao consumidor merecem uma análise aprimorada, antes de implantadas

por Bayard Boiteux*
Hoje quero falar sobre a importância do atendimento na segmentação do produto e na busca do diferencial competitivo.

O entendimento de “atendimento turístico” foi evoluindo e buscando outras características para que pudesse ser um verdadeiro diferencial. Hoje não existem mais as máximas de que” o cliente tem sempre razão”, que ele paga o seu salário ou ainda que busca ser destacado na hora da prestação de serviço. Atualmente nosso grande desafio é fazer com que ela tenha uma experiência única, deixando-o à vontade e não mais confundindo trabalho de acompanhante ou baba, com atendimento. Precisamos superar as expectativas baseado nas experiências anteriores que ele teve mas conscientes de que somos gratos por sua escolha e que nossa empresa criou diferenciais que se juntam ao rol das funcionalidades básicas com foco cultural.

Quando analisamos hoje o comportamento do turista brasileiro, identificamos que ele gosta de ser bem tratado com afeto, interação de alguma forma pessoal e tende a criar uma relação próxima com os que lhe prestam serviço. O formalismo, por exemplo, de alguns restaurantes que se estabeleceram no Rio, com seu pessoal muito profissional e frio afastou o consumidor e se viram obrigados a mudar desde o dress code até as opções de alimentação e bebidas.

As formas de atenção ao consumidor merecem uma análise aprimorada, antes de implantadas. É o caso por exemplo do metro, no carnaval, que resolveu colocar um locutor, falando apenas em português, com voz embargada e que anuncia estações com uma pseudo tematização. Algo lamentável e que destruiu um padrão que havia sido desenvolvido no metro carioca. Recentemente, uma linha de BRT, denominada Centro Olímpico foi fundida com a Sulacap causando problemas de superlotação. Na semana em curso, voltaram a se desmembrar sem nenhum aviso e nenhuma informação visual, no terminal Jardim Oceânico. O tempo médio de espera da linha Centro Olímpico é de 30 minutos e turistas que se hospedam nos inúmeros hotéis da Abelardo Bueno, sobretudo os estrangeiros, ficam perdidos.

Acredito que a constante motivação e reciclagem dos mandos operacionais precisa fazer parte das politicas dos RHS de todos os empreendimentos turísticos

Outro item importante são os postos de informações turísticas, que sem dúvida alguma tiveram um bom aprimoramento no governo passado mas que necessitam de continua avaliação, sobretudo quando situados dentro de shoppings ou equipamentos turísticos. A região do Parque Olímpico e do Flamengo precisam de uma estrutura de informações turísticas, mesmo se forem volantes. A Espanha criou com o sucesso o posto volante, que é montado durante grandes eventos em diversos locais, inclusive estações de metro, onde já funcionaram no Rio, com muito sucesso.

Acredito que a constante motivação e reciclagem dos mandos operacionais precisa fazer parte das politicas dos RHS de todos os empreendimentos turísticos, que infelizmente investem muito pouco em capacitação e perdem muitos colaboradores, pela falta de planos de cargos e salários e os salários baixos pagos por uma parte significativa da indústria do turismo.

Nossa hospitalidade é comprovada em  diversas pesquisas como um ponto positivo. No entanto, não é eterna e campanhas de conscientização turística e atividades de conhecimento das cidades como passeios a pé ou hotéis/centros de convenções se abrindo para visitação pública  são vitais para manutenção de uma atitude positiva em relação aos que nos visitam.

Atender bem é mostrar que somos capazes de reconhecer algumas características dos centros emissores que nos enviam turistas e partir para um desdobramento de pequenos atos e detalhes que encantem os nossos visitantes e façam deles nossos maiores embaixadores.

*Bayard Do Coutto Boiteux é professor universitário,escritor,gerente de turismo do Preservale,vice-presidente da Associação dos Embaixadores de Turismo do RJ e presidente do Portal Consultoria em Turismo.(www.bayardboiteux.com.br)

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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3 COMENTÁRIOS

  1. Tadinho dos turistas ! Não podem ficar 30 minutos aguardando o ônibus, nos moradores da periferia ficamos na espera 30 minutos ou mais no sol quente , que a maioria das paradas não tem abrigos , quando chega à condução vêm com ar condicionados com defeitos , ônibus velhos caindo aos pedaços e trânsitos horrível, pobre turistas que não podem esperar 30 minutos dentro de uma estação do BRT protegida do Sol da Chuva com bancos pra aguardarem sentadas , olha senhores turistas o BRT foram feitospra vcs aguardarem no conforto protegidosdo Sol e da chuva , o percurso que é utilizados foram melhorados para vcs passarem tranquilos, emquanto nos nos moradores da periferia não temos esse privilégio de aguarda 30 minutos dentro de um ponto protegido do Sol e da Chuva .

    • Morador da periferia, vá lá e lute por seus direitos de transporte com abrigos e não zombe dos turistas. Aproveite e trate de melhorar o seu português que está bem fraquinho.

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