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O otimismo reina no Vale dos Vinhedos – por Werner Schumacher*

Embora tenhamos atravessado (e ainda atravessamos) uma crise sanitária sem precedentes, o consumo de vinho durante a pandemia no Brasil bateu todos os recordes, fenômeno jamais visto na história recente deste país. Conseguimos romper, e bem, a barreira dos dois litros per-capita ano.

Esse crescimento se deve muito as vendas on-line.

Não há números para quantificar o tamanho da crise aqui, se é que ela existiu, mas em alguns momentos o enoturismo teve que respeitar as restrições e num mês ou outro teve suas perdas.

Em que pese algumas dificuldades, o Vale dos Vinhedos está otimista e muito, ainda na crise, dois novos empreendimentos importantes na área da hotelaria foram anunciados e investimentos menores surgem a toda hora.

O enoturismo é a bola da vez!

O site winetourim.com obteve 1.203 respostas de vinícolas de 34 países, 63,7% dessas foram da Itália, França e Espanha e a conclusão dessa pesquisa foi a de que a pandemia teve grande impacto no enoturismo dessas vinícolas.

Mais da metade das respostas apontaram perdas de 50% ou mais.

As exceções vieram em ordem alfabética: A Alemanha cresceu 11% e a Austrália mais de 20% de suas receitas com o enoturismo. Na Alemanha o otimismo é muito grande, pois o país está se beneficiando com o aquecimento global e produzindo melhores vinhos.

Para 2022 o otimismo reina: 89% acredita que o enoturimo voltará ao normal e, inclusive, deverá superar anos anteriores, como é o caso da França, onde grande parte do “turismo do vinho” envolve bater à porta, perguntar se é possível provar e ouvir que é hora do almoço, volte outro dia.

Quanto à fonte de receita, 53% das vinícolas disseram que é na venda de vinhos, 37% ganham mais com taxas de degustação ou de turismo e outras experiências como cursos de enogastronomia e cerca de 8% ganham mais na locação das instalações para cerimônias de casamento ou festas privadas.

Uma questão importante apontada pela pesquisa é que 57% dos visitantes são consumidores casuais de vinho e apenas 15% parecem ser provadores com maior conhecimento, uma proporção de 4 por 1.

Muitos seguiram o conselho do magnata grego Onassis, ou seja, investir na crise.

Em que pese o otimismo, é preciso estar atento ao fato de que o visitante voltará com tudo, ávido por novas experiências e a hora não é mais a de oferecer mais do mesmo.

Principalmente, invista na capacitação de seus atendentes, isso gera diferenciação e agrega valor. Em outras palavras, oferecer ao visitante mais do que ele espera.

Vejam o que a winetourism.com fala sobre o Brazil https://www.winetourism.com/wine-country/brazil/


*Werner Schumacher, é o alemão brasileiro que na década de 80 e 90 do século passado trouxe os insumos da Europa para o início da vinicultura no Rio Grande do Sul, e portanto, no Brasil.

Sem meias palavras, Werner durante o último ano escreveu sobre inúmeros assuntos do universo do vinho. Defendeu a viticultura heroica de montanha, ficou do lado dos pequenos produtores de uva e vinho do Rio Grande do Sul, enalteceu a importância do enólogo em uma propriedade que produz vinho. Além de tudo isso, e com muita classe, critica os marqueteiros que tentam desmistificar o mundo do vinho com seus produtos padronizados e sem caráter.

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