George Costa, da Luck Receptivo Natal: “Chegamos a patamares melhores que 2019”

O diretor da Luck Receptivo em Natal, George Costa, atendeu a reportagem do DIÁRIO em sua passagem pela cidade. Costa é sócio da maior operadora receptiva do Nordeste em atividade.

Por Paulo Atzingen, de Natal*


George descreve, sem arrodeios, a montanha russa que se transformou os índices de receita, vendas e faturamento do turismo receptivo na capital do Rio Grande do Norte desde o início da pandemia, em março de 2020, mas no final da entrevista comemora a franca recuperação. “Desde março do ano passado não conseguíamos trabalhar de forma linear, agora, finalmente, nos meses de setembro e outubro, começamos a subir a ladeira”, diz em seu sotaque potiguar-pernambucano. Costa recorda que nos 30 anos de sua atividade com o turismo – ele começou como mensageiro na empresa de seu pai, a NatalTur, na década de 90 – os meses de março a julho de 2020 foram os piores meses da história: “Vendas Zero!”, crava o executivo.

A partir de setembro e outubro de 2020 George recorda a lenta recuperação  nos índices de venda e reservas refletidas no aparente controle da pandemia. “Tivemos um respiro até fevereiro deste ano, mas em março descemos a ladeira novamente, embora a descida tenha sido menos brusca quanto a do ano passado”, compara.

Boom!

Costa descreve de forma didática que sua equipe composta de 75 profissionais contratados, 35 guias de turismo autônomos e seus 27 veículos trabalharam com patamares mínimos até julho de 2021.

“Em julho deste ano tivermos um boom. Saltamos de um ritmo de atividade que alcançava apenas 20% do nosso potencial para os incríveis 80%, tanto em reservas, quanto em vendas. Agora em setembro e outubro chegamos a patamares melhores que 2019”, comemora George Costa.

O que tem mexido – para cima – nos gráficos da Luck Receptivo Natal são turistas paulistanos e paulistas, mineiros de beagá e das Minas Gerais, seguidos de gente vinda do Centro-Oeste e do Sul do país. “O Nordeste está limitado ao componente aéreo. Cidades como Natal, Maceió e João Pessoa, por exemplo são destinos importantes, mas estão com malha aérea ainda deficitária. Atualmente vivemos – e dependemos – do turista de lazer e esse perfil de turista é muito sensível a preços”, afirma.

Saúde Mental

Para o empresário, viajar deixou de ser um luxo e passou a ser um pré-requisito para a saúde. “Com a pandemia, isso ficou latente, pois com o confinamento perdemos aquilo que tínhamos em fartura, que era o ir e vir e viajar”, pontua.

Com larga experiência na operação de receptivos de grupos, eventos executivos, sociais e internacionais, Costa tem  autoridade quando fala de seu negócio: “Os receptivos desempenham um papel fundamental  na engrenagem do turismo porque são eles que oferecem o “encantamento”, a experiência, ao turista. A criação dessas experiências é de responsabilidade do receptivo, somos o “coração da viagem”, diz.

Costa desmistifica aquela ideia de que a empresa receptiva é responsável apenas pelo translado aeroporto-hotel-aeroporto. “Nosso trabalho é muito mais complexo porque temos que oferecer uma estrutura eficiente (veículos), um pessoal qualificado (guias de turismo), rotas e percursos seguros, um conjunto de atividades e decisões que muitas vezes só são percebidos quando algo dá errado”, enumera.

Por outro lado, Costa considera que o segmento de empresas receptivas não tem o devido valor na cadeia do turismo. “Nosso segmento é muitas vezes desprezado pelos players do mercado”, aponta.

O executivo lembra ainda que há dois anos foi criada a Recept – Associação Brasileira de Turismo Receptivo – o que tem gerado mais união entre as empresas desse segmento e um posicionamento mais forte no trade. “Somos os responsáveis em garantir o sucesso dos roteiros e a fidelização dos turistas, sem dúvida, os receptivos impactam positivamente na economia nacional e no coração dos turistas”, conclui.


Receptivos no Brasil

O segmento possuía, antes da pandemia, faturamento anual de R$ 2,1 bilhões, gerando aproximadamente R$ 315 milhões em impostos diretos, segundo a Recept – Associação Brasileira de Turismo Receptivo.

São 3.039 agências com frota própria, 10.186 carros, o que representa R$ 2,4 bilhões investidos em veículos e embarcações, além de outros equipamentos. Essa atividade turística também gerou cerca de 78 mil empregos diretos e indiretos na economia do país em 2018, segundo o Ministério do Turismo.


*Paulo Atzingen é jornalista

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