Palácio das Artes em BH: uma verdadeira usina de funcionamento artístico

“Não há um só artista nacional de peso que não tenha passado pelo Palácio das Artes”, afirma a presidente do espaço Eliane Parreiras ao DIÁRIO

 Por Tárcia Oreste com reportagem de Paulo Atzingen*


A ousadia de Juscelino Kubitschek como prefeito de Belo Horizonte, na década de 40, rendeu à capital mineira o que hoje é considerado um dos maiores centros culturais da América Latina: o Palácio das Artes.

Mais de 600 mil pessoas visitam as instalações do local por ano. O espaço chega a receber cerca de 500 alunos, se relacionando com a prática e com atividades culturais de seus diversos equipamentos, e mais de 5 mil pessoas circulando, dialogando, debatendo, criando, pesquisando, fruindo dessa produção e de todo o tipo de programação cultural por dia.

Eliane Parreiras , presidente do Palácio das Artes (Crédito: Paulo Atzingen/DT)

A presidente do Palácio das Artes, Eliane Parreiras, contou ao DIÁRIO DO TURISMO, em uma visita presencial ao centro cultural, detalhes de todo o processo de criação e implantação deste conglomerado artístico idealizado por Oscar Niemeyer, a convite de JK, em 1941, e que está alojado no coração da capital mineira. Abaixo, os principais tópicos da entrevista:

Pioneirismo Cultural

O Palácio das Artes teve um pioneirismo muito grande, porque o pensamento daquele momento já foi de um centro cultural, coisa que não tinha nem no exterior, na década de 40. Esse projeto foi pensado com a entrada pelo Parque Municipal. Nós somos abraçados pelo Parque Municipal Américo Renné Giannetti. A entrada, a fachada, é interessante, porque lembra muito o que depois veio a ser o Palácio do Planalto, que é uma rampa. Essas obras começaram a ser feitas em 1942. Mas, quando JK saiu da prefeitura, em 1945, elas pararam, e aí foram quase 20 anos com essas obras interrompidas.

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Espaços conjugados em meio à arte: assinatura modernista (Crédito: Vivi Martinelli/VEMPRABH)

Nesse período, a comunidade artística ocupou muito esse espaço. Tivemos Guignard (Alberto da Veiga Guignard), no Parque Municipal, usando parte dessas áreas. Tivemos Carlos Leite com aulas de dança. Então, as pessoas acabaram se apropriando muito e por uma pressão da própria sociedade, o governo do Estado fez uma negociação com a prefeitura e assumiu a finalização das obras e a gestão.

Entrada independente, uma relação com o parque

Como estamos falando de 20 anos depois, [foi pensada] uma solução de entrada independente do Parque Municipal, voltada para a Avenida Afonso Pensa, que tem um papel, porque liga duas pontas da cidade. É uma avenida em que aproximadamente 400 mil pedestres passam por dia, 80 mil veículos… É das mais movimentadas da cidade. Então, cria-se esse olhar para a rua, mas se mantém essa relação com o parque. Apesar da gente ter uma separação, temos uma programação intensa junto com o parque, de concertos da Orquestra Sinfônica e do Coral Lírico.

A entrada, a fachada, é interessante, porque lembra muito o que depois veio a ser o Palácio do Planalto (Brasília) – (Vivi Martinelli/VEMPRABH)

Inauguração por partes e incêndio

O Palácio das Artes começou a ser inaugurado por partes, em 1970, quando foi criada a Fundação Palácio das Artes. Em 1979, ela virou Fundação Clóvis Salgado, porque foi ele o grande motivador para que o Estado assumisse e finalizasse essas obras.

Há um vínculo com a sociedade que é um muito grande, as pessoas têm afetividade com esse espaço. Em 1997, teve um incêndio no Grande Teatro. Graças aos funcionários, que conseguiram baixar a porta corta fogo, só a plateia foi incendiada, a parte cênica ficou preservada. Foi uma verdadeira comoção, porque o mineiro tem essa relação com o espaço, que está no coração da cidade e tem uma programação que é muito diversa. É uma verdadeira usina de funcionamento.

Foi uma verdadeira comoção, porque o mineiro tem essa relação com o espaço, que está no coração da cidade e tem uma programação que é muito diversa.

Aqui dentro, hoje, a gente tem, além do Grande Teatro, dois teatros de menor porte, voltados mais especificamente para teatro, música de menor porte, literatura, seminários. Temos um cinema, que é o cinema mais antigo de rua de Belo Horizonte. O Cine Humberto Mauro é um cinema que formou gerações de profissionais, de pessoas, de cinéfilos. Temos uma escola, que é o Centro de Formação Tecnológica e tem quase 40 anos. É uma escola que tem cursos técnicos profissionalizantes de teatro, dança, música, arte visuais, tecnologia da cena.

Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Vivi Martinelli/VEMPRABH)

Temos uma orquestra sinfônica, o Coral Lírico e uma companhia de dança, a Companhia de Dança Palácio das Artes. Temos estúdios que foram pensados pelo Niemeyer e pelo JK lá no começo do Palácio das Artes. Esses estúdios, adaptados ao longo do tempo, foram aperfeiçoados, mas já pensados como cerne dessa instituição. Então, é uma instituição muito particular. Não há um só artista nacional de peso que não tenha passado pelo Palácio das Artes.

Fonte de receita e outros espaços

O Palácio é mantido pelo governo do Estado. É uma unidade da Secretaria de Estado e Cultura, uma fundação pública, de direito público, vinculada à Secretaria de Estado, Cultura e Turismo, do Governo de Minas, e tem como principal fonte de arrecadação o recurso orçamentário do Estado. Além disso, tem parcerias privadas. Há vários parceiros, patrocinadores maiores, apoios menores, inclusive de conteúdo, e temos a receita que é gerada pelos equipamentos. Mas, a Fundação, além do Palácio das Artes, tem outros espaços.

A grande Galeria Alberto da Veiga Guignard (Crédito: Vivi Martinelli/VEMPRABH)

Ela gere também a Serraria Souza Pinto, um local de eventos que está aqui atrás do Parque Municipal. O nome é porque era uma serraria, no começo do século, em 1912. Foi transformado num espaço de eventos, em 1993, e passado, em 1997, para a Fundação Clóvis Salgado. Além disso, na própria avenida Afonso Pena, existe um outro local, que é o CâmeraSete. É um espaço de exposições que pertencia ao Instituto Moreira Salles.

Teatro João Ceschiatti (Crédito: Vivi Martinelli/VEMPRABH)

O IMS, durante um período grande, ocupou esse espaço, fazendo a gestão como uma unidade do Instituto. Em 2009, decidiram que iriam fechar. E aí, numa negociação com o governo do Estado, a Fundação Clóvis Salgado assumiu a gestão, em 2010. [A Fundação também] tem uma unidade dentro da área mesmo do Circuito, que é o Cefart Liberdade, um centro técnico de produção, onde fica a guarda do nosso acervo, porque nós somos realizadores de óperas, espetáculos de dança e concertos.

Pequenas, médias e grandes orquestras se apresentam no Palácio das Artes (Crédito: Palácio das Artes)

Esse acervo fica no centro técnico de produção, em Sabará, cidade aqui do lado. E tem, ainda, um prédio, ao lado da Serraria, em preparação para receber tanto o Cefart, que é a escola, que faz parte do nosso acervo. [Em resumo], é uma produção realmente muito intensa.


*O DIÁRIO viajou a convite do #vemprabh projeto realizado pelo portal Turismo de Minas  aprovado no edital de apoio a eventos turísticos da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte – Belotur, com o patrocínio da Prefeitura de Belo Horizonte.

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Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
PAULO ATZINGEN é jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará. Produziu reportagens na Amazônia sobre sustentabilidade, conflitos agrários e étnicos. Lançou em 1998 sua primeira revista, a PAYSAGE – dirigindo-a e publicando-a por três anos. Em Belém, foi repórter do jornal O Liberal, O Paraense e articulista do jornal A Província do Pará e Diário do Pará. É premiado contista, com três livros de ficção em prosa publicados via editais. Trabalhou como redator no jornal de turismo Brasilturis e fundou em 2005 o DIÁRIO DO TURISMO, o primeiro jornal On-line Diário de Turismo do Brasil. Atualmente desenvolve projetos de conteúdo editoriais e digitais para empresas privadas de hotelaria, aviação, companhias marítimas, destinos turísticos e biografias.

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