Para quem não é de Alagoas e para quem é, um breve desabafo

por Jackson Lima*


Compartilho a publicação do grupo História de Alagoas para quem não é de Alagoas. Especialmente para meus amigos do Paraná e do Sul do Brasil. O prédio da foto que está sendo demolido era uma antiga instituição de Saúde Mental chamada Casa de Saúde Dr José Lopes. Esta casa de saúde fez parte de minha infância e de meus irmãos, de meu pai e minha mãe. Ao longo de minha infância vi a senhora Olívia Barbosa do Nascimento, que morava em nossa casa e era membro de nossa congregação ser internada neste local, pelo menos uma vez por ano. Já era uma boa instituição. Quando não havia vaga nesta Casa de Saúde, era um terror! O espaço ao redor do hospital parecia um paraíso com árvores, jardins, pássaros selvagens e alguns como cisnes mantidos pelo hospital. Quantas pessoas se trataram nesta casa? Quanta História!

Até hoje tenho sonhos com essa área de Maceió. Com os prédios, palacetes e palácios que até hoje me parecem irreais. Agora estão sendo demolidos porque a região está afundando. Afundando como consequência da exploração de depósitos de sal gema hoje pela então Salgema e até recentemente sob a exploração da Braskem. Lá por volta de 1974, a noticia da exploração da sal gema era o tópico de conversa principal da cidade. Era a esperança de empregos e vida melhor.

Me revoltei de ver a destruição chegando e ver extensas áreas de praias tendo seus coqueiros assumindo uma cor amarelada que prenunciava morte. Ora se coqueiro amarelava, imagine gente? Na época assumi o pensamento de que Maceió com Salgema não era a Maceió que eu gostaria de ter no futuro.

Hoje a cidade enfrenta o problema de afundamento e demolição em massa ao longo de uma avenida que parte da Praça dos Martírios e vai até o que me parece hoje o misterioso Bairro de Bebedouro e parece-me que em vários outros.

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Que a minha gloriosa Maceió, a Maceió de minhas lembranças e o seu projeto de mineração sirva de exemplo para todas os outros modos de exploração econômica que satisfazem as necessidade por um tempo e depois se transformam em pesadelo ambiental, social, econômico e até existencial. É isso o que vemos acontecer no Cerrado com a invasão do agronegócio tão elogiado pelas autoridades como geradores de riquezas; a destruição do Pantanal, da Caatinga, da Mata Atlântica no Sudeste e Sul do Brasil, no Pampas, na costa brasileira e por toda parte. Parabéns à Página História de Alagoas por não deixar que nosso legado desapareça no silêncio da indiferença daqueles que ganharam muito e contribuíram para a riqueza de uma minoria.


“Jackson é jornalista, escritor e produtor de conteúdo. Atualmente mora em Foz do Iguaçu, em 1977. É autor do livro “7 Arcos, 3 Degraus – as Cataratas de Foz do Iguaçu”

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1 COMENTÁRIO

  1. Foi neste lugar que meu irmão morreu e esconderam a verdade, como é que uma pessoa está internado em um ambiente precário como esse, e morre mas ninguém sabe explicar ao certo o que aconteceu, como um lugar desse pode ser chamado de hospital psiquiátrico e uma pessoa morre asfixiado???
    Como que a gente pede ajuda a um lugar desse e no dia que meu irmão recebe alta do hospital eles entregam o meu irmão só o cadáver já no IML, sem explicação nenhuma pra família de uma certeza do acontecido, e como que uma pessoa pode cometer suicídio dentro de um hospital onde deveria está sendo vigiado???
    E como que ele cometeu suicídio se ele sabia que iria sair do hospital aquele dia, pois já havia sido deixado certo na última visita???
    Deus escreve certo por linhas certas, mas o homem não dá uma certeza a ninguém e deixa a gente sem a informação concreta.
    10 anos se passaram e estamos aqui, familiares sem respostas. O hospital foi bom pois um outro familiar ficou muito bem dentro desse hospital a mais de 30 anos atrás mas infelizmente não tivemos a mesma sorte em 20 anos depois.
    O sangue do meu irmão clama por justiça.

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Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
PAULO ATZINGEN é jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará. Produziu reportagens na Amazônia sobre sustentabilidade, conflitos agrários e étnicos. Lançou em 1998 sua primeira revista, a PAYSAGE – dirigindo-a e publicando-a por três anos. Em Belém, foi repórter do jornal O Liberal, O Paraense e articulista do jornal A Província do Pará e Diário do Pará. É premiado contista, com três livros de ficção em prosa publicados via editais. Trabalhou como redator no jornal de turismo Brasilturis e fundou em 2005 o DIÁRIO DO TURISMO, o primeiro jornal On-line Diário de Turismo do Brasil. Atualmente desenvolve projetos de conteúdo editoriais e digitais para empresas privadas de hotelaria, aviação, companhias marítimas, destinos turísticos e biografias.

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