Parque aquático divulga chegada de tubarões mas biólogo critica exploração animal

O parque aquático Oceanic Aquarium de Balneário de Camboriú (SC) informou essa semana a chegada do casal adulto de tubarões da espécie Mangona.

REDAÇÃO DO DIÁRIO 


Segundo o comunicado remetido à imprensa, os tubarões foram trazidos de Marathon, na Flórida (EUA), por avião, até o aeroporto de Guarulhos em São Paulo por uma empresa especializada em transporte de animais aquáticos. Transcrevemos abaixo trecho do anúncio da chegada do casal de animais:

“A mais nova atração do Oceanic Aquarium já pode ser visitada: um casal adulto de tubarões da espécie Carcharias taurus, conhecidos como Mangona! A fêmea mede 2,06m e o macho 2,02m, o casal tem cerca de sete anos e vai continuar crescendo. Eles têm mais de 120 dentes pontudos e que ficam expostos para fora da boca, o que proporciona uma aparência mais agressiva, mas são considerados animais tímidos. É uma espécie ameaçada de extinção por conta da pesca predatória e da poluição dos oceanos”.

Todo esse marketing, no entanto é criticado pelo biólogo João Almeida, gerente de Vida Silvestre da World Animal Protection – WAP.

Segundo ele, a conservação de animais silvestres se faz na natureza, e não mantendo animais silvestres vivendo uma vida inteira dentro de empreendimentos dedicados à diversão humana, como alguns aquários e zoológicos.

“É necessário que o Oceanic Aquarium torne público o seu programa de conservação, com cronograma e atividades bem definidos e factíveis, especialmente estabelecendo metas de soltura consistentes, compatíveis com os objetivos de conservação”, afirma ao DIÁRIO.

Aquarium se preocupou com o transporte

O transporte do casal de tubarões dos Estados Unidos para o Brasil foi descrito pelo parque aquático como dentro dos procedimentos. “Fizemos um check list de 250 itens e antes de embarcarmos os animais testamos toda e qualquer possibilidade de algo sair  fora do previsto. Quando os tubarões foram colocados no aquário, nadaram de forma muito tranquila e aceitaram a alimentação de imediato. Isso significa que já se sentem em casa”, afirmou na nota enviada pela assessoria o biólogo marinho  Rui Guedes. “O biólogo veio de Portugal dias antes do embarque dos tubarões para preparar o recinto e treinar a equipe que vai lidar diretamente com as novas estrelas do Oceanic”, diz a nota.

“No total cinco autorizações foram necessárias para a importação dos animais, duas com autoridades norte americanas e três no Brasil: Ibama, Ministério da Agricultura e Receita Federal”, descreve a nota do Oceanic Aquarium.

Contraponto

De acordo com o biólogo João Almeida da WAP, esses parques aquáticos são importantes na geração de emprego e movimentação da economia, mas devem estar abertos ao debate e contribuições da comunidade científica e dos melhores especialistas.

“Não basta ter cuidados no transporte. O governo também precisa acompanhar, monitorar e fiscalizar a operação dos aquários, buscando garantir que os projetos atendam as melhores práticas de bem-estar e conservação da biodiversidade,” afirma ao DT.

Em extinção

João Almeida ainda faz um descritivo da espécie transportada dos Estados Unidos:

“É bom lembrar que os mangonas estão em situação de ameaça – constam como criticamente ameaçados na lista vermelha nacional (Portaria MMA n. 445/2014) e como vulneráveis na lista vermelha internacional (IUCN), o que pode justificar a análise técnica e a necessidade de realização de programas de conservação dependentes de reprodução em cativeiro, com fins de soltura na natureza, em seus locais de origem. No entanto, esse objetivo só seria atendido se o programa de conservação destes tubarões os mantivessem em recintos focados em garantir as melhores condições de bem-estar animal possíveis, o que cientificamente não se observa em recintos dedicados à exposição ao público, que é o que parece que vai acontecer no Oceanic Aquarium. Ou seja, o que as informações disponíveis sugerem é que o Oceanic Aquarium está interessado essencialmente na exploração comercial e nos lucros que estes tubarões mangonas podem render ao dono do negócio. Bem-estar animal e conservação parecem não estar nas prioridades”, descreve.

Ainda segundo o biólogo, tubarões mangona estão sendo expostos para diversão e entretenimento em vários aquários do mundo, aqui no Brasil a espécie também ocorre nos aquários de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Para o técnico, a conservação da espécie depende de uma articulação e integração entre os empreendimentos que mantêm esta espécie em cativeiro.

“Quantos mangonas vivem em cativeiro no Brasil? Quantos tubarões dessa espécie nasceram em cativeiro nos últimos anos? Quantos foram soltos em suas áreas de ocorrência? Não se sabe”, afirma.  E acrescenta que o governo tem papel central, devendo monitorar, fiscalizar e garantir que o bem-estar e a conservação da espécie ocorra efetivamente.

“Vale inclusive uma articulação internacional, envolvendo outros países, visto que a divisão administrativa (países) não atende necessariamente as necessidades biológicas, de bem-estar e conservação das espécies”, finaliza.

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