Paulo Panayotis, do portal O Que Vi Pelo Mundo, fala ao DIÁRIO

O jornalista Paulo Panayotis, fundador do portal O que Vi pelo Mundo e colaborador do DIÁRIO DO TURISMO, acaba de fazer uma viagem espetacular à Índia. Trouxe na bagagem muitas lições, entre elas a de que  “a felicidade é uma questão de ponto de vista. Alguns são felizes com um punhado de comida, outros são infelizes com montes de dinheiro” ou “se queres conhecer a Índia vá com o espírito aberto, sem nenhum tipo de preconceito na mente“. O DT o entrevistou, acompanhe:

DIÁRIO – Panayotis, o que foi mais significativo nessa viagem recente ao país de Gandhi, Krishna, do rio Ganges?

PANAYOTIS – Para mim o mais significante foi o aumento da população desde a última vez que eu estive lá, há 16 anos. Naquela época, havia 1 bilhão de seres humanos. Hoje, 16 anos depois, cresceu um Brasil, ou seja, hoje tem 1 bilhão e 217 milhões de almas.

DIÁRIO – Quando falamos da Índia, a imagem que temos é de um país muito populoso, com uma densidade demográfica muito grande. Como é a distribuição de renda lá? A gente sempre imagina que há uma diferença muito grande entre ricos e pobres…

PANAYOTIS – A diferença é brutal e é muito superior ao Brasil. Há pessoas muito ricas, que são os Marajás, que todo mundo já ouviu falar, e pessoas que vivem com menos de um dólar por dia, o que está abaixo da linha do mínimo exigido pelas Nações Unidas. A desigualdade é muito grande. Ela tem se estreitado nos últimos anos em função da Índia ter entrado para o BRICs e ter tido um desenvolvimento econômico, especialmente na área de informática, mas a miséria ainda é muito grande e, durante muitos anos, ainda deve permanecer desta forma.

DIÁRIO – Você citou no seu texto do O Que Vi Pelo Mundo que a Etihad tem alguns problemas na parte terrestre. Quais são esses problemas?

PANAYOTIS – Para a minha surpresa, a Etihad, que começou a operar no ano passado, tem um serviço de bordo acima da média na classe econômica e o voo deles é muito bom: os aparelhos são novos, as poltronas são espaçosas e confortáveis e o serviço de bordo, como eu disse, é acima da média. Você pode até escolher a opção de menu. Se você quiser, por exemplo, frutos do mar, você pode fazer a solicitação antecipadamente e eles servem. Eu fiz isso e funcionou. Porém, em terra, o serviço é extremamente burocrático, desorganizado e as pessoas não sabem lhe informar como funciona. Um exemplo é que eu tentei fazer o upgrade para a executiva lá em Mumbai e foi impossível. Uma outra pessoa que estava comigo tentou, conseguiu, levou 30 minutos para ter a resposta de qual seria o valor que pagaria de diferença e teve que pagar em rupias, ou seja, por sorte a pessoa tinha milhares de dólares no bolso, trocou esses dólares por rúpias, perdeu uma barbaridade de dinheiro, e pagou em rúpias. Ou seja, uma companhia aérea que não aceita cartão de crédito para um upgrade tem alguma coisa errada.

DIÁRIO – O que destaca o seu portal dos outros, em termos de portais informativos, é justamente a informação precisa e o nível de detalhamento que você dá às suas matérias. Em seus vídeos há muita informação objetiva, que o turista precisa. Nesta viagem você trabalha nesta linha?

PANAYOTIS – Sim. A moeda que eles utilizam lá é o rupi. Ela se divide em 60 avos. Em média, um dólar vale 60 rupis. Troca-se dinheiro em qualquer lugar, preferencialmente troque em bancos, mas é muito barato. Tudo é muito barato, ainda, na Índia. Claro, se você for consumir alguma coisa que os indianos consomem, seguramente você terá problemas gastrointestinais, então, uma das sugestões é: nunca tome água que não seja engarrafada e fechada. É muito barato! Com um dólar, ou 60 rupis, dependendo do lugar onde você compra, você pode comprar até quatro garrafinhas de 250 ml cada uma. Então, é muito fácil, aceita-se dólar em qualquer lugar, preferencialmente pague com o dinheiro local, porque você consegue uma tarifa maior. Fora isso, é muito fácil trocar dinheiro, manusear dinheiro, euro, dólar, qualquer coisa.

Panayotis no templo
Panayotis e o vendedor indiano SIkh, no Templo Bangla Sahib


PANAYOTIS
– Não, isso é irreversível. Eles já são muito capitalistas. Para se ter uma ideia, os call centers do mundo inteiro, ou seja, os serviços de atendimento das grandes empresas no mundo inteiro, em função do avanço da internet, quando você está em Londres ou em São Paulo ou em Nova York, você pode ligar para um call center e ser atendido por um funcionário que está na Índia. Eles trabalham VoiP (Voice Over Platform), que é a internet, o custo da ligação é baratíssimo e você é atendido em português por um funcionário que está na Índia. Para se ter uma ideia do grau de desenvolvimento que os caras têm hoje.DIÁRIO – Essa aura do capitalismo, essa influência que o ocidente tem sobre a Índia, está  processo adiantado ou você acha que isso ainda pouco existe?

DIÁRIO – Fale sobre as experiências hoteleiras lá. Qual o nível dos hotéis e qual hotel, ou rede hoteleira você ficou?

PANAYOTIS – Eu conheço mais de 50 países em todo o mundo por conta do meu trabalho. Já fiquei, como pessoa jurídica, em muitos hotéis e hotéis muito bons no mundo inteiro, mas os hotéis na Índia, por conta dessa distância entre o mais rico e o mais pobre, são os mais luxuosos que eu fiquei em toda a minha vida. Todos muito bons. Redes grandes como Hilton, enfim… Mas tem uma rede que é da Ásia que se chama Oberoi, foi em um hotel dessa rede que eu fiquei, em Mumbai. Eu fiquei em um “primo pobre” do Oberoi, que é o Trident, e é uma coisa inacreditável em termos de luxo. Surpreendentemente, a diária, se comparada com a Europa ou os Estados Unidos, é extremamente barata. A média da diária lá é de 300 a 400 dólares. Um hotel do mesmo padrão na Europa custaria, no mínimo, mil euros por dia.

DIÁRIO – Como se deve ir para a Índia?
PANAYOTIS
– A única coisa que eu digo para quem gostaria ou quer viajar para a Índia, é que vá com o espírito aberto. Sem nenhum tipo de preconceito na mente. Só assim você consegue compreender, entender e aproveitar um país como a Índia, porque a convivência deles lá é extremamente dócil e gentil, mas para os nossos padrões ocidentais de higiene, é algo chocante se você for com preconceito na cabeça. Se você quiser ir para a Índia, é uma experiência que mudará a sua vida, mas vá sem nenhum tipo de preconceito.

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