Quando surge uma crise, a embalagem é uma das primeiras a ser convocada!

*Por Fábio Mestriner

Crises e catástrofes naturais são frequentes no noticiário. Todos os dias somos bombardeados por notícias de enchentes, terremotos, deslizamentos, vendavais, tornados, incêndios florestais e tsunamis que ocorrem mundo a fora. Somos informados que as populações atingidas precisam de socorro. 

As pessoas que estão acompanhando a tragédia passam a torcer para que a ajuda chegue logo e, quando ela chega, vemos caminhões, helicópteros e barcos despejando “caixas e mais caixas” cheias de embalagens com medicamentos, água e alimentos. Mas, desta vez, com a crise do coronavírus que surgiu na China e se espalhou pelo mundo, estamos vendo uma corrida aos supermercados que está deixando vazias as prateleiras e causando preocupação em todas as pessoas quanto ao abastecimento de suas famílias. As embalagens estão sumindo das prateleiras e isso é uma imagem aterrorizante para quem estava acostumado a ter sempre a mão e ao seu dispor os produtos que desejasse comprar.

Se considerarmos que todos os medicamentos, soros, máscaras, luvas, material hospitalar e até a maioria do ar que é oferecido aos enfermos nos hospitais é entregue em embalagens, podemos concluir que ela é um item que está na linha de frente no enfrentamento dos desdobramentos desta crise lamentável, mas que deve ser encarada como mais uma das epidemias que, de tempos em tempos, surgem no mundo e que são sempre atravessadas pela humanidade. Uma vez que o Covid-19 é um vírus de baixa letalidade e em breve estará controlado, o problema é o que vem depois, como o efeito desastroso na economia mundial provocado pela sua passagem.

Nós, aqui no Brasil, precisamos estar conscientes de que o problema é sério e que as recomendações médicas e sanitárias precisam ser seguidas com responsabilidade. Este é o primeiro passo. Em seguida, precisamos pensar com muita reflexão e profundidade no nosso negócio e no negócio de nossos clientes, pois se eles não superarem a crise, nós sofreremos junto com eles.

Nós, aqui no Brasil, precisamos estar conscientes de que o problema é sério e que as recomendações médicas e sanitárias precisam ser seguidas com responsabilidade.

Portanto, o que toda empresa precisa pensar agora é: “Como posso ajudar meu cliente a atravessar este momento difícil?” Temos que pensar em como as embalagens que produzimos podem fazer diferença, para levar uma mensagem de esperança e, principalmente, como podem contribuir para gerar negócios neste ambiente complicado em que estamos vivendo.

A primeira missão da cadeia de embalagem é se desdobrar em esforços para que não faltem embalagens para quem precisa delas pois, se faltar embalagem, a indústria de bens não consegue entregar seus produtos e para de emitir notas fiscais. As indústrias de embalagem precisam socorrer as empresas que precisam delas!

Aquelas que têm como produzir e entregar embalagens precisam informar seus clientes que eles podem estar seguros que embalagem não lhes faltará. Segurança é um bem extremamente precioso neste momento e devemos fazer de tudo para transmitir segurança àqueles que dependem do nosso fornecimento. Isso terá grande repercussão no futuro dos relacionamentos fornecedor /cliente. Portanto, uma equipe de crise deve ser montada nas indústrias de embalagem para estar em contato permanente com seus clientes e ajudá-los em tudo o que puder ser feito e também para conhecer antecipadamente a situação e as necessidades de cada um deles. Estar junto com os clientes neste momento é fundamental! Esta equipe de crise também precisa estreitar seu relacionamento com seus fornecedores para ter informações seguras sobre a situação da entrega dos insumos fundamentais que utiliza.

O mesmo precisa ser feito pelos fornecedores dos insumos. A indústria de papel, por exemplo, precisa estar ainda mais unida com as gráficas neste momento. Já as gráficas, precisam se colocar à disposição para realizar o que chamamos de “Ações Emergenciais” e “Ações de Marketing de Oportunidade”. Por exemplo, as pessoas estão confinadas nas suas casas, então, o que podemos fazer para chegar até elas neste momento? Quais embalagens são necessárias para isso? As pessoas estão comprando tudo que podem pela internet e recebem cada vez mais embalagens em casa.

Uma gráfica pode ter clientes cujos produtos são combinados em kits vendidos num esforço conjunto entre duas empresas. Esta forma de cooperação gera resultados surpreendentes. Outras formas surgem para que as pessoas criem negócios em casa, embalando produtos e oferecendo inicialmente à sua rede de relacionamentos e depois estendendo sua distribuição. Muitos negócios e empresas que se tornaram grandes, nasceram em casa ou em garagens e isso deve ser incentivado neste momento, afinal, milhares de executivos e pessoas empreendedoras estão em casa com tempo para pensar em seu próprio negócio.

Agora é a hora de agir rapidamente propondo iniciativas que ajudem nossos clientes a atravessar esta crise e, se possível, aproveitar oportunidades e extrair dela aprendizados que possam ser utilizados depois que ela passar.  Enfim, a hora é de ter ideias e não ter medo de apresentá-las aos clientes, não apenas para vender mais embalagens, mas, principalmente, para ajudá-los a encontrar novas formas de vender e obter receitas. O que não podemos é ficar assistindo a crise e nos tornar parte dela!


*Fábio Mestriner é consultor da Ibema Papelcartão. Designer, professor na ESPM Consulting e autor dos livros Design de Embalagem – Curso Avançado, Gestão Estratégica de Embalagem e Inovação na Embalagem – Método Prático.

Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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