Será só daqui a 500 anos? – artigo de Jorge Salim*

O verbo ‘Ser’ indica estado permanente. E saindo do momento presente, o verbo poderá ser o futuro do presente, ‘será’.

Pois então vamos seguir o futuro do presente, aqui no Brasil, onde o Covid-19 está mexendo com o nosso passado (mais de 31 mil mortos), presente (série de trapalhadas) por parte dos nossos dirigentes políticos e autoridades médicas sanitárias.

Será que você conhece?

Quem foi Oswaldo Cruz? Este médico que dá nome ao maior laboratório de pesquisa e fabricante de vacinas do país.

Talvez muitos não saibam, mas Oswaldo Gonçalves Cruz foi um cientista, médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro.

Foi responsável pela erradicação da Febre Amarela e a Varíola no Rio de Janeiro, coordenou as campanhas de erradicação dessas doenças no início do século passado.

Organizou os batalhões de “mata-mosquitos”, encarregados de eliminar os focos dos insetos transmissores. Dentre outros feitos, descobriu a doença de Chagas, causada pelo bicho barbeiro, etc..

No início do século 20 não havia redes sociais, telefones, e outros quesitos mais, apenas jornais e revistas, que, aliás o difamavam muito.

Por que será que abordo isso?

Apenas um paralelo no tocante ao enfrentamento contra moléstias, doenças, epidemias, pandemias, etc… Faltam pessoas que saibam que devem fazer, falta conhecimento e acima de tudo, poder de decisão na execução.

Está faltando mais gente como Oswaldo Cruz. E saibam todos, que ele não era unanimidade, pois ao convencer o Presidente da República à época, Rodrigues Alves, a autorizar as medidas sanitárias, antipopulares, enfrentou a ira das pessoas no Rio de Janeiro.

Atitudes do tipo como hoje seria a suspensão do carnaval, invadir casas imundas, vacinar à força as pessoas contrárias a tomarem.  Já pensaram o que as redes sociais fariam, se fosse hoje?

Será que devemos ter inveja da cidade de Florianopólis?

Como sabemos a prefeitura da cidade de Floripa e a população se juntaram e fizeram o lockdown e cumpriram à risca o isolamento social e conseguiram afastar a Covid-19 de forma disciplinada e ordeira. Mãos juntas contra o inimigo comum.

Resultado, hoje a cidade não mais tem mortes e infecções há semanas. Existem outros exemplos no mundo.

Será que devemos ter inveja da Nova Zelândia?

Será que poderíamos ter feito como a N. Zelândia? Disciplina da população, decisão do governo.

Respeito pelas decisões adotadas pelos políticos. Não houve boicote, chiadeira, movimentos contrários de parte da sociedade.

Novamente reitero que as decisões adotadas fora plenamente respeitadas pelo bem comum. Resultado expresso na mídia, nada de Covid-19 há semanas.

Mercado novamente aberto para a devida recuperação do período de isolamento. Escolas abertas, comércio em pleno funcionamento.

Lição aprendida. Decisões que servirão para novas posturas sanitárias e resultado positivo para as partes envolvidas, sem traumas, sem mimi, sem contras, sem viés político, etc.

Talvez, além da cultura e civilidade da população, o sistema político, parlamentarismo, tenha sido de grande valia para se alcançar o sucesso.

Será que devemos ter inveja de Portugal?

Nossa pátria-mãe, que tanto falamos mal, motivo de chacotas e piadinhas sem graça. O que fizeram lá? Apenas e tão somente foi feito o óbvio. Todos contra o vírus.

Até brasileiros que lá moram, entraram no esquema. Disciplina e respeito ao que as autoridades pediram. Adotaram o isolamento no período correto. Não tivemos partidos políticos boicotando as decisões governamentais das autoridades médicas e sanitárias.

Fechou? Fechou! Pronto, acabou. Vimos até uma foto curiosa nas redes sociais. O presidente do país uma fila, respeitando a distância recomendada e portando máscaras conforme orientação sanitária.

Será que devemos ter inveja de alguns países europeus?

Países que até tiveram um surto pesado da Covid-19, mas souberam, as autoridades e população, juntos a resolverem os seus principais problemas.

Sem viés contrários, nas particularidades políticas, religiosas, comerciais, primeiro, focaram o problema comum, a pandemia.

E mais tarde, voltariam a fazer as atuações comuns da sociedade normalizada, como salvar os setores afetados, como turismo, comércio, educação, empregos, etc.

Será que devemos ter inveja das regiões próximas da China?

Taiwan, Hong Kong, Coréia do Sul, Japão, Indonésia, Austrália, países onde a proximidade geográfica do início da pandemia, que em tese seriam os primeiros afetados e que deveriam ser mais letais, souberam enfrentar com ordem, competência e disciplina.

Da mesma forma que outros países que obtiveram sucesso no enfrentamento, a colaboração e respeito para as recomendações, foram decisivas no sucesso e na obtenção de resultados positivos, junto a população.

Ordem pública, independentemente de discussões políticas aqui ou ali. Nada de exageros e sabotagens. Muito menos, notícias de super faturamento de obras contingenciais. A China construiu vários hospitais em 10 dias. E não havendo mais necessidade deles, desmontaram. Lições que infelizmente não aprendemos.

Será que devemos ter vergonha de nós mesmos?

Tristemente decepcionados, sim. Por que somos assim? Creio que a causa é antiga, culturalmente é a pura verdade. Trazemos de há muito.

Política totalmente contaminada pela corrupção e a lei de Gerson. Falta de investimentos na educação, saúde e saneamento, áreas em que deve ter a mão dos governos como prioridades e exercidas por administradores competentes e honestos.

Não precisamos de políticos de estimação. Não importa de onde vem, se da elite ou das classes sindicais. Precisamos de pessoas comprometidas com a ordem pública e respeito pelas instituições democráticas. Pessoas de índole ilibada.

Comprometidos com as pessoas, desde as mais altas, por questões de oportunidades obtidas ao longo do desenvolvimento social, até as mais baixas, marginalizadas, esquecidas e manipuladas por castas políticas inescrupulosas, ao longo dos tempos.

Fomos aceitando as diferenças sociais e econômicas. Nos alimentamos de uma prato chamado, hipocrisia e olhos insensíveis.

A igreja, as academias de intelectuais, o estableshment, os três poderes, os militares, o 4o poder, o 3o setor, para terem as suas vantagens, contaminaram a sociedade.

Hoje pagamos por isso. Se os governos cuidassem de suas competências (educação, saúde e saneamento), se os políticos, legislassem em favor do bem público e não deles, se o judiciário cuidasse das leis para serem respeitadas, sem nenhum tipo de ativismo e decisões monocráticas, ao invés de decisões colegiadas, as casernas silenciadas e atentas aos distúrbios à ordem constitucional.

Religiosos voltados ao Evangelho, pregando e fazendo jus ao que Jesus pregou, ou seja, preocupados em ajudar o próximo. Uma imprensa independente e justa, sem tomar partido literalmente.

O 3o setor sem ativismo partidário e engajado em obter vantagens pessoais nababescas de seus integrantes comendo caviar, com Iphone e viajando na Primeira Classe.

Um exemplo de idoneidade que vemos nos Médicos Sem Fronteiras.

Será que estou delirando?

Será que estou sonhando? Será que sou utópico? Será que torcer para o Brasil ser uma Nova Zelândia, é sonhar muito?

Ou será que é difícil crer que o, Brasil, nosso país, a pátria-filha, poderá se tornar igual a nossa pátria-mãe, Portugal?

Se gostamos tanto de copiar os exemplos mundiais, por que não copiamos os vizinhos, Paraguai, Uruguai, ou até os hermanos, argentinos?

Todos esses lugares combateram o novo corona-vírus e venceram.

Será que temos mais coisas ruins, além do Covid-19? Será que passaremos desta para uma melhor?

Alguém balbucia nos meus ouvidos. — Só daqui a 500 anos.


*Jorge Salim é publicitário e ex-diretor da operadora Gapnet

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