Terremoto arrasa economia e o turismo da Turquia

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Os dois terremotos na Turquia nesta semana abalaram os mercados financeiros locais e geraram temores a respeito da frágil economia do país, que já passa por dificuldades com a alta inflação e a dependência do capital estrangeiro.

Por Chelsey Dulaney e Tom Fairless — Dow Jones Newswires

Publicado dia 9 de fevereiro (RETRÔ 2023)

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O Bolsa turca suspendeu ontem as suas operações por cinco dias, até a noite de 14 de fevereiro. O índice de referência Borsa Istanbul 100 caiu 16% nesta semana, e quase metade disso ocorreu ontem, antes de as operações serem interrompidas.

A taxa básica de juro do país aumentou cerca de meio ponto porcentual desde os terremotos que atingiram a Turquia e o norte da Síria na segunda-feira.

O número de mortos nos dois países já passa de 12 mil e a contagem ainda não acabou, já que as operações de resgate continuam. O impacto na economia turco deve ser considerável e, dependendo da extensão dos danos, pode abalar a capacidade de reconstrução.

Milhares de edifícios e empresas foram destruídos. Um incêndio queimou centenas de contêineres no porto de Iskenderun.

Economistas e investidores acreditam que o custo de reconstrução pode chegar a dezenas ou até centenas de bilhões de dólares, embora ressalvem que ainda é cedo para ter números precisos.

É pouco provável que o governo consiga reunir esses recursos internamente, o que o deixará na dependência de ajuda externa ou de investimento estrangeiro, num momento em que os investidores já estão incomodados com as últimas medidas do governo nas áreas de política econômica e externa.

A Turquia, que é um dos 20 membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança militar ocidental), tem uma economia de cerca de US$ 1 trilhão, a 19º maior do mundo, equivalente em tamanho à da Arábia Saudita ou da Holanda.

A devastação também ocorre num momento crítico para a Turquia, às vésperas das eleições nacionais previstas para o meio do ano, que decidirão o destino do presidente Recep Tayyip Erdogan.

A economia da Turquia cresceu de forma robusta desde a pandemia, 5,5% só no ano passado, ritmo que superou de longe outras grandes economias, como EUA e China. Isso foi resultado, em parte, do aumento das exportações, com os fabricantes turcos se beneficiando de uma moeda fraca e dos transtornos nas cadeias de suprimentos asiáticas, assim como da recuperação do setor essencial do turismo.

Apesar disso, a economia turca é extremamente vulnerável a choques e depende muito de fluxos de capital estrangeiro e de reservas cambiais que estão baixas, diz relatório de novembro da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O aumento dos gastos com reconstrução, juntamente com a escassez de oferta, deverá dar força à inflação, que caiu para cerca de 60% em janeiro, em relação a mais de 80% no ano passado. A inflação elevada do país é produto de uma mistura inflamável de políticas econômicas heterodoxas e do aumento dos preços da energia e dos alimentos, desencadeado pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

O governo recorreu às reservas internacionais para estabilizar o câmbio nos últimos meses, contendo os custos de importação e a inflação. Mas investidores dizem que essa política é insustentável.

Dezenas de países prometeram ajuda à Turquia, mas é cedo para dizer como essas promessas se traduzirão em dinheiro.

É improvável que os problemas do sistema financeiro turco se espalhem para outros países. Embora seus setores industrial e de turismo estejam integrados aos de vizinhos europeus, os bancos e investidores europeus se afastaram dos mercados turcos nos últimos anos.

Apesar da queda das ações nesta semana, o índice acionário local ainda tem valorização de 110% nos últimos 12 meses. Investidores locais vêm aplicando em ações para se proteger da inflação alta.

 

 

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