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Início PERGUNTE AO WERNER SCHUMACHER Como o preço dos vinhos são calculados?

Como o preço dos vinhos são calculados?

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A safra ou vindima indica a qualidade das uvas, quanto melhor, melhor será o vinho, afinal, 80% ou mais da qualidade de um vinho vem da uva colhida (Crédito das fotos: Getty Images)
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O publicitário Jorge Salim, que mora em São Paulo, enviou três perguntas  para a série Pergunte ao Werner Schumacher. Como todas as anteriores, as questões de Salim foram muito bem elaboradas, levantando dúvidas que talvez sejam aquelas mesmas de muitos de nós, como por exemplo: Como funciona ou se aplica os preços dos vinhos? Ou, Vinhos podem ser servidos com comida regional, como por exemplo, com carne seca? Abaixo as perguntas, seguidas das considerações de Schumacher.

Jorge Salim: Sabe-se que existem uma grande variedade de vinhos, principalmente os europeus. Por que via de regra a fama recai sempre nos franceses, portugueses e italianos?

Caro Jorge, as variedades de uvas são inúmeras, uns falam em 5 mil e outros em muito mais que isso, a bem da verdade alguns nomes, como Zinfandel e Primitivo são a mesma variedade, depende do lugar e ainda há um outro nome pra essa variedade e onde ela realmente vem, creio da Croácia.

Podemos dizer que a Europa é o berço da vitivinicultura moderna, ou, pelo menos, a que deu grande impulso ao setor. A França é de fato o país mais marqueteiro entre todos e a Itália, como bons vendedores que são os italianos, o maior vendedor. Esses dois países, mais a Espanha respondem por mais de 50% da produção de vinhos do mundo.

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Além da tradição, da cultura de consumo, ligação com os pratos regionais, a fama se dá com o tempo, difícil acontecer da noite para o dia. Às vezes surge algo estupendo, mas sempre efêmero, como esses vinhos agora em resposta ao lockdown, Que se Foda e Cia. Ltda. Foram anos de presença nas nossas vidas.

Quando criança, lembro que um vinho muito consumido na casa de meus pais era o Mateus Rose, ainda hoje um vinho muito vendido, mais de 20 milhões de garrafas por ano e o principal vinho português exportado a França, com todo o rose da Provença que tem lá, considerado o melhor rose do mundo.

Precisa ainda percorrer um tempo ainda para se firmar, por mais inovadora que seja em relação aos europeus.

Creio que o consumidor de vinho ainda é muito afeito às raízes, mas creio que você como publicitário pode responder isso melhor que eu.

A produção de vinhos na Europa é milenar, a do Novo Mundo, como muitos chamam é, talvez, centenária (Crédito: Getty Images)

Jorge Salim – O vinho é definido pela safra das uvas. Esse lobby de preços/fama, funciona como uma Opep dos Vinhos, tal qual o sistema de preços do petróleo?

A safra ou vindima indica a qualidade das uvas, quanto melhor, melhor será o vinho, afinal, 80% ou mais da qualidade de um vinho vem da uva colhida. Em alguns países a vindima varia mais de ano para ano, fazendo que o preço suba nos anos bons.

Não é, a meu ver, o que acontece no Chile, país de tua preferência em vinhos, lá o tempo, o clima, é mais homogêneo, fazendo com que o vinho seja mais ou menos padrão entre diversas colheitas, pode ser a razão da tua preferência, vamos ver como isso se comportará com a mudança climática.

Outro dia li sobre o lançamento de um vinho de importante vinícola chilena que colheu a uva um mês antes da data de colheita da cepa, a Carmenere, para elaborar um vinho não tão alcoólico, com menos de 14º de álcool.

O mercado vem pedindo vinhos menos alcoólicos, uma adaptação. Melhor fazer isso que adicionar água no mosto para obter uma graduação menor, como é permitido fazer no Chile, Estados Unidos e Austrália.

Não consigo relacionar o preço dos vinhos com o do petróleo, a OPEP, por mais que o petróleo esteja cotado em bolsa, interfere no mercado aumentando ou diminuindo a oferta, de acordo com o interesse do CARTEL, sim cartel.

A fama se dá no vinho por uma série de fatores, alguns já citados, mas a escassez, o luxo, leilões, investimento, etc. enfim fazem os preços subirem.

Os Estados Unidos tem três grupos que dominam mais de 50% do mercado americano de vinhos e se levarmos em conta a Lei de Paretto, dos 80/20, a situação é mais assustadora e a Austrália está no mesmo patamar. Na Europa é mais diluído.

Nesses países. A guerra pelo mercado é violenta, muito marketing, produtos padronizados e por que não esterilizados, não podemos negar que têm certa qualidade, mas não creio seja a parte mais interessante do mercado, trata-se de uma bebida como a cerveja industrial, o refri, etc. Isto sim, investem em muita publicidade.

Na Europa cada vinho está relacionado a gastronomia da sua região (Crédito: Getty Images)

Jorge Salim – Vinhos podem ser servidos com comida regional? Exemplo, caças no norte, baiana com carne seca, mineira com torresmo, gaúcha com churrasco?

Na Europa cada vinho está relacionado a gastronomia da sua região, surgiram assim, se estás no Piemonte, como um prato do lugar com vinho do lugar. A regionalização do vinho e comida é muito importante. Graças a Deus a vitivinicultura está se expandindo Brasil afora e com o tempo poderemos ter isso por aqui também.

Cada prato, de acordo com as suas características exigirá um vinho, mas esse é um caminho longo que não temos como detalhar aqui. Em suma, pratos leves pedem vinhos mais leves, pratos mais encorpados, como caça pedem vinhos mais encorpados, seguir por semelhança.

Eu costumo dizer, na dúvida, vá de espumante, pois combina com tudo.


Werner Schumacher, é o alemão brasileiro que na década de 80 e 90 do século passado trouxe os insumos da Europa para o início da vinicultura no Rio Grande do Sul, e portanto, no Brasil.

Sem meias palavras, Werner durante o último ano escreveu sobre inúmeros assuntos do universo do vinho. Defendeu a viticultura heroica de montanha, ficou do lado dos pequenos produtores de uva e vinho do Rio Grande do Sul, enalteceu a importância do enólogo em uma propriedade que produz vinho. Além de tudo isso, e com muita classe, critica os marqueteiros que tentam desmistificar o mundo do vinho com seus produtos padronizados e sem caráter.


As perguntas a WERNER SCHUMACHER podem ser enviadas para o Whatsapp do DT: (11) – 99361-4862 – ou no próprio Comentários do Leitor (logo abaixo)

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Como escolher um bom vinho para um churrasco? Exemplo: qual vinho combinados com uma boa costela no fogo de chão? Ou um para acompanhar um medalhão de filé mignon? Ou ainda um churrasco de frutos do mar qual seria o vinho ideal?

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