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Dia do Enólogo ou do futuro EnoTurisNólogo? – por Werner Schumacher*

Hoje, 22 de outubro, comemoramos entre nós o DIA DO ENÓLOGO, profissional que se dedica a elaboração do vinho e fazê-lo chegar saboroso a nossa mesa.

Sim, o vinho é elaborado e nunca fabricado, pois é fruto de um fenômeno natural, a fermentação e, portanto, não um processo industrial. Sim, há aqueles que se julgam Jesus Cristo e, sem o dom necessário, tentam fabricar um vinho a partir da água.

NOSSOS PARABÉNS! A todos os ENÓLOGOS do nosso Brasil, em que se plantando tudo dá, não medem esforços pra fazer valer a pena trabalhar para melhorar os bons caldos brasileiros, do sul ao note e do leste ao oeste, em especial ao meu filho Max Felipe, que optou ser primeiro Engenheiro Agrônomo e depois Enólogo.

Para ser enólogo no Brasil, na Itália ou Argentina é preciso fazer um curso de nível médio ou um curso superior, já no Chile e na França é preciso ser engenheiro agrônomo primeiro e depois se especializar em enologia. Ambos sistemas precisam ter uma boa carga horária em viticultura, pois é justo da qualidade da uva que depende a qualidade do vinho.

André Gasperin, atual Presidente da Associação Brasileira de Enologia, que hoje comemora o seu dia (Crédito: divulgação)

Mas há o enólogo que não trabalha no setor de produção de uma vinícola, mas no setor de recepção dos visitantes àquelas empresas que operam o enoturismo, esse é o EnoTurisNólogo.

Esse cara, além do conhecimento em Enologia, a ciência da elaboração de vinhos, precisa saber se expressar e comunicar ao visitante todos os esforços que a vinícola empenha, da uva ao vinho, para oferecer produtos de qualidade.

Felizmente, muitos enólogos optaram em se direcionar para o recebimento de turistas, com maior ou menor competência, melhor ou pior remunerado e tratam de fazer a visitação a melhor possível. Varia de empresa a empresa.

Sala de degustação para a apresentação de vinhos aos turistas na Cave do Sol, no Vale dos Vinhedos

Infelizmente, os nossos enólogos não recebem nenhuma formação ou treinamento a comunicação do vinho, algumas visitas podem se tornar enfadonhas às vezes por um atendimento bom tecnicamente, mas ruim em relação à comunicação.

O Vale dos Vinhedos receberá nos próximos anos dois grandes investimentos luxuosos em hotelaria e outros não menos importantes irão surgir para complementar uma melhor oferta e alternativas para esse importante destino turístico.

Diante do desenvolvimento do Vale dos Vinhedos e do Enoturismo em todo o Brasil, é muito importante investir na qualificação desses enólogos, fica aqui um alerta, pois muitos desses profissionais não são, por exemplo, bilíngues.

Cabe lembrar que a maioria das instituições que formam enólogos sabe que a produção em si não absorve toda essa mão de obra, portanto devemos prover qualificação suficiente para que os egressos desses cursos tenham mais oportunidades nesse mercado atualmente em expansão.


*Werner Schumacher, é o alemão brasileiro que na década de 80 e 90 do século passado trouxe os insumos da Europa para o início da vinicultura no Rio Grande do Sul, e portanto, no Brasil.

Sem meias palavras, Werner durante o último ano escreveu sobre inúmeros assuntos do universo do vinho. Defendeu a viticultura heroica de montanha, ficou do lado dos pequenos produtores de uva e vinho do Rio Grande do Sul, enalteceu a importância do enólogo em uma propriedade que produz vinho. Além de tudo isso, e com muita classe, critica os marqueteiros que tentam desmistificar o mundo do vinho com seus produtos padronizados e sem caráter.

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