Federação debate mudanças na jornada de trabalho, custos para empresários e alternativas para o comércio, serviços e turismo
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
A chegada da escala de trabalho 5×2 exige planejamento das empresas, especialmente nos setores que precisam manter operações durante toda a semana. Para discutir os desafios dessa transição, a Fecomércio RJ reuniu sua diretoria nesta quarta-feira (21), em um encontro dedicado aos impactos da redução da jornada sobre os negócios.
Conduzida pelo presidente Antonio Florencio de Queiroz Junior, a reunião contou com os consultores Carlos Américo Freitas Pinho e Jacqueline Lippi, além do especialista convidado Ronald Sharp. Entre os principais assuntos estiveram a reorganização das equipes, os custos operacionais e a necessidade de adequar as escalas às particularidades do comércio de bens, serviços e turismo.
“Está todo mundo com uma série de dúvidas. E isso é causado pela falta de discussão e pelo açodamento para aprovar o fim da escala 6×1”, ressaltou Antonio Florencio de Queiroz Junior.

Escala 5×2 exige mudanças na organização das empresas
Com a promulgação da Emenda Constitucional 141/2026, em 16 de outubro, o Brasil iniciou a transição para a escala 5×2. A nova regra prevê dois dias de descanso remunerado por semana e a redução gradual da jornada máxima, sem diminuição salarial.
A primeira etapa entra em vigor em 15 de dezembro de 2026, quando a carga horária máxima semanal passará de 44 para 42 horas. Após mais 12 meses, o limite será reduzido para 40 horas semanais.
Durante o encontro, os especialistas explicaram que as consequências dessas mudanças não serão iguais para todas as empresas. O tamanho das equipes, o modelo de remuneração, os horários de maior movimento e as características de cada atividade terão influência direta sobre a adaptação.
“O momento exige planejamento e análise cuidadosa dos impactos da nova jornada, especialmente diante do prazo curto para adaptação. A orientação é buscar soluções juridicamente seguras, respeitando as particularidades de cada setor”, destacou Jacqueline Lippi.
Negociação coletiva será importante para comércio e turismo
Outro ponto discutido foi a distribuição dos períodos de descanso. Os consultores esclareceram que as duas folgas não precisam ocorrer necessariamente em dias consecutivos, nem coincidir com sábados e domingos.
Essa possibilidade tem relevância para atividades que funcionam diariamente, como ocorre em diferentes segmentos do turismo, da hotelaria, da gastronomia e do comércio.
A negociação coletiva foi destacada como um dos principais instrumentos para estabelecer alternativas de organização do trabalho, respeitando os limites legais e as necessidades operacionais de cada negócio.
A legislação permite, em situações específicas e mediante acordo ou convenção coletiva, a adoção de regimes compensatórios, desde que sejam observadas as exigências relativas à jornada e aos períodos de descanso.
“A negociação coletiva será fundamental para ajudar as empresas a se adaptarem às mudanças na jornada de trabalho. Cada atividade tem suas particularidades, e é preciso avaliar a operação de cada negócio para encontrar alternativas. O diálogo entre sindicatos patronais e laborais será essencial nesse processo”, afirmou Carlos Américo Freitas Pinho.
Custos operacionais e planejamento entram no debate
A possibilidade de aumento das despesas também esteve entre as preocupações apresentadas na reunião. De acordo com os consultores, não existe um percentual único capaz de dimensionar o impacto financeiro da nova jornada sobre todos os estabelecimentos.
Os efeitos dependerão de fatores como quantidade de funcionários, distribuição dos turnos, demanda por atendimento e necessidade de contratação de novos profissionais.
Diante desse cenário, a recomendação da Fecomércio RJ é que os empresários façam um levantamento das equipes, analisem os horários de maior movimento e identifiquem possíveis ajustes na rotina de trabalho antes de assumir despesas adicionais.
O planejamento também deverá considerar as particularidades dos segmentos que mantêm atividades aos fins de semana e feriados, conciliando a continuidade dos serviços com o cumprimento da legislação trabalhista.
Fecomércio RJ prepara reuniões regionais com empresários
Como continuidade das discussões, a federação pretende organizar encontros regionais com sindicatos patronais e empresas associadas. A proposta é esclarecer dúvidas, avaliar os impactos da mudança e discutir caminhos para a adequação das operações.
A entidade também reforça a importância de buscar orientação técnica e jurídica durante o período de transição, especialmente para a elaboração de escalas e a negociação de instrumentos coletivos.
Representante de mais de 442 mil estabelecimentos no estado do Rio de Janeiro, a Fecomércio RJ reúne 59 sindicatos patronais dos setores de comércio de bens, serviços e turismo.
Com a iniciativa, a federação busca apoiar os empresários na implementação das novas regras, considerando a segurança jurídica, os direitos dos trabalhadores e a sustentabilidade das atividades econômicas. Saiba mais no site.




