Ilha de Páscoa: uma viagem ao umbigo do mundo

Nos últimos anos a população tem sido consultada a respeito da dependência do governo chileno 

Por Paulo Atzingen (de Hangaroa – Ilha de Páscoa)

Para aqueles viajantes que gostam de explorar destinos pouco tradicionais e apreciam caminhadas, campings, excursões a vulcões e cavernas, além de curiosidade por arqueologia e história (e não sentem falta nenhuma de uma escapada para compras no shopping), a Ilha de Páscoa é um dos melhores destinos. Não por acaso, a grande maioria de viajantes que pisam aqui possuem este espírito arqueólogo, em busca de uma ou várias respostas da civilização que viveu e que ainda vive aqui, os Rapa Nui, construtores dos principais símbolos da ilha, os Moais e outras engenhosidades pouco compreendidas pelo mundo moderno.

A ilha, que está a 3.700 quilômetros do continente, pertence ao Chile, que oferece alguns serviços públicos  ao destino, como educação  e saúde.  No entanto, nos últimos anos a população tem sido consultada a respeito dessa dependência do governo chileno – e a resposta ao plebiscito é quase unânime: querem uma descentralização política e decidir seus próprios destinos. A última vez que a presidente da República, Michelle Bachelet veio à ilha, em dezembro de 2016, à época nasceu a iniciativa de organizar um movimento chamado “Honui” representado por 36 famílias Rapa Nui. A primeira e principal bandeira desse movimento é a autonomia para tomada de decisões para a administração dos Parques Nacionais , principal fonte de renda da ilha, fruto da visita de centenas de milhares de turistas por ano.

Roberto Rinco, um integrante do conselho dos Honui
Roberto Rinco, um integrante do conselho dos Honui

“Lei Honui”

“A governante Bachelet  aprovou uma nova lei, a “Honui “ – nome dado aos cidadãos nativos da Ilha de Páscoa – depois de passar pelo congresso, esta lei consiste no controle de densidade da população da ilha, na administração do Parque Nacional Rapa Nui, na Lei de residência e no Estatuto Especial para Rapa Nui”, informa Roberto Rinco, um integrante do conselho dos Honui.

“Os turistas vêm para tirar férias e descansar, mas acabam voltando para viver na Ilha. Portanto, para não ultrapassar a capacidade de acomodação do local, o congresso aprovou uma medida que regulamenta a fiscalização dessa prática. A presidente então virá a ilha novamente, em setembro, para fazer essa alteração sugerida na lei de imigração”, completa Rinco.

Ainda, segundo Roberto, entram por dia na Ilha de Páscoa, uma média de 300 pessoas. No verão são dois voos e no inverno um. “Segundo minha percepção, a ilha abriga 10 mil moradores, de fato. Assim, vale ressaltar, que em 2012 eram 6.3 mil, e portanto, registra-se um aumento nesse período de seis anos”, prognostica.

Primeiras incursões aos Moais

A primeira incursão na ilha foi ao sítio arqueológico Akivi, onde se ergue um dos cartões postais, os sete moais. Segundo Roberto, esses moais foram descobertos por polinésios que chegaram por volta de 1600. “A restauração desses moais foi feita em 1960 pelo arqueólogo norte-americano chamado William Malloy. William, a meu ver, foi um dos padrinhos da restauração dessa ilha, reformando muitos sítios arqueológicos. Depois, alguns cientistas chilenos e camponeses fizeram o resto do trabalho”, informa Rinco. “Segundo nosso inventário, a Ilha possui 900 moais”, completa. “Os moais de Akivi, foram fabricados por volta de 1400 d.C. E como homenagem, estão com sua frente voltados para o mar, lugar de onde vieram os sete polinésios”, informa Rinco.

Vulcão Rano Kau: grande buraco de 1,5 km de diâmetro
Vulcão Rano Kau: grande abertura de 1,5 km de diâmetro

Vulcão Rano Kau

A Ilha de Páscoa se caracteriza por sua formação geológica e principalmente por seus vulcões. Na ponta oriental da ilha, ergue-se um fantástico representante deste fenômeno geológico, o vulcão Rano Kau. Segundo Roberto, cientistas dizem que o vulcão surgiu há dois milhões e meio de anos. “Sua altura era de mais de 500 metros e tinha uma forma cônica (cone). Então, supostamente a lava desse vulcão o destruiu por dentro e o colapso dessa ação resultou em uma grande abertura de 1,5 km de diâmetro, aponta Roberto para o grande buraco, tendo o oceano Pacífico ao fundo. Acrescenta Rinco que o fundo do vulcão, que hoje tem um lago, antigamente os habitantes da ilha o utilizam para plantio, considerando sua grande fertilidade. “Havia muitas culturas aqui, como por exemplo, figo, manga, papas…”

Segundo o Instituto Geográfico Militar do Chile, existem na Ilha de Páscoa, 108 vulcões. Todos em inatividade. Os três principais são: o Vulcão Poike, na extremidade oriental da ilha, o Rano Kau, na parte ocidental e o Terevaka, no centro da ilha.

* O DIÁRIO DO TURISMO – viajou a convite do grupo Transoceânica (Chile), com a cobertura do seguro GTA, comunicação ChatSim e apoio JoãoAraújo Promoção

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