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Romarias, devoção e fé nutrem turismo religioso

Duas palavras densas em significado – religião e turismo – juntam-se para dar nome à movimentação de milhões de pessoas mundo afora. Na origem latina mais remota, turismo provém do vocábulo tornus, que quer dizer movimento ou volta. E religião deriva do verbo religare – ligar de novo o ser humano a Deus.

CONSELHO EDITORIAL DO DIÁRIO


Nos primórdios, o turista era um viajante que se deslocava para outro território. Em regra, esta forma de viajar continha um sentido religioso. Foram os antigos peregrinos que percorriam longas distâncias para alcançar e conhecer um lugar sagrado. Um ponto de referência para o exercício dos valores da espiritualidade humana.
Com o passar do tempo e consolidação da atividade turística moderna, à motivação de caráter religioso agregaram-se outras mais focadas no prazer lúdico em descortinar o desconhecido. Levar os olhos à contemplação do belo que emana da natureza. E, também, da beleza construída pela mão do homem, no imenso edifício cultural civilizatório.

O fato é que o turismo, no seu todo, ganhou nova dimensão com o surgimento do trem, do automóvel e do avião. Porém, a essência permaneceu – deslocar-se para um lugar durante um tempo determinado e, depois, regressar para sua terra de origem. Também permanece o leque de motivações – e entre elas, as diferentes manifestações de religiosidade.

Valores espirituais

As pessoas deslocam-se por motivações de caráter religioso, seja para o exercício solene da fé ou para participarem de eventos fundamentados na crença em valores espirituais. São manifestações presentes nas religiões cristãs (católica e evangélicas); espiritismo; variações do islamismo; budismo e demais formas de reverência ao universo do sagrado.
As romarias, por exemplo, espelham uma realidade muito comum à estrutura e organização de todas as religiões. Partem do pressuposto de que a divindade exerce, em determinado lugar, benefícios especiais para os que o visitam. Os colonizadores da América Latina trouxeram essa .prática da Europa. No entanto, já encontraram, aqui. costumes semelhantes.
No catolicismo brasileiro, as peregrinações a locais sagrados e as festas tornaram-se expressão genuína da religiosidade do povo. Os santuários propiciam vivenciar a profundidade da devoção, num ambiente penetrado pela aura da presença, direta ou indireta, de Deus. Com a revolução dos meios de transportes, as viagens aos santuários ganharam a nomenclatura de excursões religiosas.

Santuários brasileiros

Aos destinos já consolidados, em pontos diversos do imenso território brasileiro, desponta o Caminho dos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, no Rio Grande do Norte. Na série recente de reportagens feitas pelo DIÁRIO DO TURISMO, ficou evidenciada a “força intrínseca” do lugar.
Essa força emerge da impiedade extrema, presente em dois massacres: o primeiro, na Fazenda Cunhaú, em 16 de julho de 1645. E o segundo, três meses depois, em 3 de outubro, em Uruaçu, hoje parte do município de São Gonçalo do Amarante.
Depois de beatificados, os 30 mártires dos massacres foram canonizados pelo Papa Francisco. E assim, o Caminho dos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu ganha força e abrangência internacional.

Mártires de Cunhaú, Capela de Nossa Senhora das Candeias (Crédito: DT)

Espera-se, com a superação em curso das limitações impostas pela pandemia da C-19, o aumento da procura pelo destino, por conta do conteúdo que proporciona reflexão e vivência profunda. No pós-pandemia, há uma tendência de ressignificação de valores, que inclui a religiosidade.
O Ministério do Turismo registra que há 513 festas religiosas cadastradas, além de dezenas de atrações com essa motivação. O órgão acrescenta que o turismo religioso movimenta 20 milhões de viagens por ano e injeta R$ 15 bilhões na economia brasileira.

Outros destaques de lugares sagrados

O Santuário da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. recebeu mais de 12,6 milhões de fiéis em 2018. O recorde foi registrado em 2017 – 13 milhões de devotos, quando foram celebrados os 300 anos da Padroeira.

O Cristo Redentor, um dos principais pontos turísticos do país, recebe, em média, três milhões de visitantes ao ano. Juazeiro do Norte, no Ceará, terra do padre Cícero; Nova Trento, em Santa Catarina, onde se encontra o Santuário de Madre Paulina; Belém do Pará, na festa do Círio de Nazaré, compõem destinos consagrados do turismo religioso brasileiro.

A lista dos destinos religiosos mais votados contempla, ainda, Trindade (GO); Teatro Nova Jerusalém, Fazenda Nova (PE); Templo de Salomão, em São Paulo; a religiosidade de Salvador (BA); Caetés e Ouro Preto (MG).
Em ritmo dos novos tempos e a bordo de 15 anos de existência (digital e online), o Diário do Turismo traz no DNA o compromisso com a diversidade, em todos os aspectos. E o turismo religioso, inerente à alma brasileira, vem ao encontro das buscas e inquietações que permeiam e amalgamam esses novos tempos.
 

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