O turismo internacional brasileiro alcançou a marca histórica de 9 milhões de visitantes estrangeiros no ano passado e mantém o ritmo de crescimento em 2026, com 7 milhões de chegadas registradas até setembro. Os resultados foram destacados por Bruno Reis, presidente da Embratur, durante a abertura do BTM Brazil Travel Market, nesta quinta-feira (22), em Fortaleza (CE). Para o dirigente, os números refletem não apenas o potencial do país, mas também o trabalho de planejamento, promoção e articulação para ampliar a presença brasileira no mercado internacional.
Por Paulo Atzingen; de Fortaleza [com transcrição de Jhully Serafim)
“Quando um turista internacional chega à nossa cidade, ao nosso destino, precisamos ter em mente que existe muito trabalho por trás dessa conquista”, afirmou Reis, ao defender uma estratégia de promoção alinhada às características dos mercados emissores e aos perfis de visitantes que o Brasil pretende atrair.
Segundo o presidente da Embratur, a competitividade internacional exige decisões fundamentadas em análise mercadológica. “Não é qualquer perfil de turista que queremos atrair para o nosso país. Precisamos compreender quais públicos queremos alcançar e como posicionar o Brasil de forma competitiva no mercado internacional.”

Estratégia para conquistar novos mercados
Bruno Reis ressaltou que a escolha do Brasil como destino turístico envolve uma disputa com outros países e regiões. Um turista argentino, por exemplo, pode optar pela Colômbia, pelo Caribe, pela Europa ou por outros destinos internacionais.
“O nosso desafio é fazer com que ele escolha o Brasil”, afirmou.
O dirigente também chamou a atenção para o trabalho que antecede a chegada dos visitantes e a ampliação da conectividade aérea. Ao comentar dados recentes sobre o turismo internacional divulgados pelo economista Ricardo Amorim, Reis destacou que os resultados precisam ser compreendidos a partir do esforço de profissionais, instituições e agentes públicos e privados.
“Será que ele imagina quantas pessoas estiveram envolvidas e quantos desafios precisaram ser superados para que esses resultados se tornassem realidade?”, questionou, ao relatar sua reflexão após assistir a um vídeo publicado por Amorim nas redes sociais.
Para Reis, a chegada de turistas e a abertura de novas rotas aéreas não acontecem por acaso. São consequências de planejamento, negociação e articulação entre diferentes agentes do setor.
“O turista não cai de paraquedas no Brasil, assim como nenhuma nova companhia aérea começa a operar em um destino sem que haja muito trabalho, articulação e negociação”, afirmou.
Nordeste amplia voos internacionais
Ao abordar o desempenho regional, o presidente da Embratur destacou a expansão da conectividade aérea no Nordeste. Entre 2023 e 2026, a região registrou crescimento de 112% no número de voos internacionais, passando de 2,7 mil para 5,7 mil operações. No mesmo período, a oferta de assentos aumentou 90%, com previsão de ultrapassar 1,2 milhão de assentos internacionais em 2026.
No Ceará, a previsão é alcançar 1,3 mil voos internacionais em 2026, crescimento de 21% em relação a 2025. A oferta de assentos internacionais no estado deverá chegar a 320 mil, com avanço de 15% na comparação anual.
Reis atribuiu parte desse movimento às políticas públicas e às decisões estratégicas voltadas à descentralização e à diversificação da oferta turística brasileira. A proposta, segundo ele, é ampliar a presença internacional de destinos que historicamente tiveram menor participação nos fluxos de visitantes estrangeiros.
“Quando vemos o Nordeste crescendo de forma consistente, precisamos compreender que esse crescimento também é resultado de políticas públicas e decisões estratégicas que direcionam esforços para o desenvolvimento da região”, declarou.
O presidente enfatizou que o avanço do turismo internacional no Nordeste e no Norte do país não deve ser interpretado apenas como uma evolução espontânea do mercado, mas como resultado de ações planejadas de promoção e desenvolvimento.

“Não é uma retomada”, afirma presidente da Embratur
Um dos pontos centrais do discurso foi a avaliação de que o crescimento da conectividade aérea brasileira representa uma nova etapa para o turismo nacional, e não apenas a recuperação de indicadores anteriores à pandemia.
“Isso não é uma retomada”, afirmou Reis. “O que estamos fazendo não é simplesmente recuperar números do passado. Estamos criando uma nova demanda, abrindo novas oportunidades e colocando o Brasil em outro patamar no mercado internacional do turismo.”
Segundo ele, a expansão atual também representa a conquista de espaços e de uma oferta de conectividade que, em determinados destinos, sequer existia anteriormente.
“Estamos construindo algo novo, ampliando nossa presença internacional e conquistando espaços que antes não ocupávamos”, acrescentou.
Brasilidade como diferencial competitivo
Em seu discurso, Bruno Reis também destacou a valorização da identidade brasileira como componente central da promoção internacional do país. Para o dirigente, a diversidade cultural, a criatividade, a autenticidade e a hospitalidade são atributos que diferenciam o Brasil na disputa por visitantes estrangeiros.
“Além dos números e dos indicadores, quero reforçar um aspecto essencial do trabalho que temos desenvolvido na Embratur: a valorização da nossa brasilidade, do nosso borogodó e, principalmente, do povo brasileiro, reconhecido por sua hospitalidade”, afirmou.
Reis defendeu uma comunicação turística que apresente ao mundo não apenas as paisagens brasileiras, mas também a cultura, os modos de vida e a diversidade de experiências oferecidas pelos destinos nacionais.
“Nosso trabalho é mostrar ao mundo que o Brasil vai muito além de suas paisagens. Somos cultura, diversidade, criatividade, identidade e, acima de tudo, um povo que sabe acolher.”
Embratur completa 60 anos em novembro
O presidente lembrou que a Embratur completará 60 anos em 18 de novembro, marco que coincide com o desafio de ampliar a participação brasileira no mercado global de viagens.
Ao encerrar sua participação no BTM Brazil Travel Market, Reis defendeu a continuidade das estratégias de promoção internacional e o reconhecimento do turismo como atividade fundamental para o desenvolvimento econômico e social do país.
“Torço muito para que continuemos avançando nessa direção, levando o Brasil ao lugar que ele merece ocupar no cenário internacional e reconhecendo, cada vez mais, a importância estratégica da indústria do turismo para o desenvolvimento econômico e social do nosso país”, concluiu.
* O jornalista viajou convidado pelos organizadores do BTM




