Ao longo dos 20 anos em que o DIÁRIO DO TURISMO acompanha a rede Accor em suas coletivas, uma constatação sempre se repetiu: A Accor é uma empresa hoteleira e de lifestyle muito focada em lançar marcas para todos os gostos e bolsos e mostrar sua força numérica na abertura de novos hotéis, na sua forte presença de mercado na luta com novos players gigantes da hotelaria mundial. Sim, a Accor continua sendo isso, mas agora mostrou, mais intensamente, sua outra face.
Paulo Atzingen, de São Paulo* (com transcrição de áudio de Clara Silva do DT
Pela primeira vez, percebemos que a rede hoteleira ultrapassa o clichê de “entregar experiência”, tão usado como peça de marketing por empresas que trabalham com o bem-estar humano. Agora, a Accor foi além e entrou na subjetividade do viajante. Essa mudança foi apresentada nesta terça-feira (13), durante o lançamento da campanha global Stay for More, conduzido por Roberta Vernaglia, vice-presidente de Marketing e Estratégia Digital da Accor Américas e apresentado por Antonietta Varlese, vice-presidente Sênior de Comunicação, Relações Institucionais e Responsabilidade Social da Accor Américas.
O que realmente motiva os brasileiros a viajar?
Para compreender as novas expectativas dos consumidores, a Accor encomendou uma pesquisa ao instituto OpinionWay, realizada entre 12 e 28 de agosto de 2026, com 7 mil entrevistados em sete países, incluindo o Brasil.
No recorte brasileiro, 48% dos participantes disseram que sentiriam falta das memórias proporcionadas pelas viagens caso não pudessem mais viajar. Outros 40% mencionaram a sensação de liberdade, enquanto 37% destacaram o entusiasmo de ter uma próxima viagem para esperar.
Segundo Roberta, os resultados indicam que o valor de uma viagem não está apenas no destino escolhido ou nos dias de descanso, mas principalmente naquilo que permanece depois do retorno.
“O que mais importa para o brasileiro é o residual da viagem, é aquilo que vai permanecer. Não é simplesmente a experiência que vivi naquele momento, mas o que isso vai me trazer, o que vai permanecer comigo depois da viagem”, explicou.
A pesquisa também identificou a busca por tranquilidade e bem-estar. Entre os resultados apresentados, 56% valorizam experiências ao ar livre ou em cenários excepcionais, 33% priorizam atividades de bem-estar ou spas e 25% desejam aproveitar a viagem sem precisar organizar todos os detalhes.
Para a executiva, viajar representa uma oportunidade de interromper a rotina de produtividade, recuperar a autonomia e dedicar tempo às pessoas importantes.
“Viajar faz você ter essa pausa necessária para se reconectar com você mesmo, com a sua essência, com seus desejos e com o que é mais intrínseco da sua personalidade”, afirmou.

Fidelidade deixa de ser apenas uma questão de pontos
A mudança de comportamento também influencia a maneira como os consumidores se relacionam com os programas de fidelidade.
Conforme o levantamento, 65% dos entrevistados dão preferência a marcas que permitem acumular pontos ou benefícios. Entre os jovens, esse percentual sobe para 75%.
Segundo Roberta, as recompensas tradicionais, entretanto, já não atendem a todas as expectativas. A pesquisa identificou que 36% querem se sentir emocionalmente recompensados pela fidelidade, 25% desejam acessar experiências exclusivas e 20% valorizam gestos inesperados de cuidado.
Roberta destacou que esses resultados exigem uma nova abordagem das empresas de hospitalidade, com maior atenção às particularidades dos consumidores.
“A fidelidade, agora entrando nesse novo universo, já não se mede mais em pontos apenas. Se a fidelidade entregar apenas pontos, apenas aspectos transacionais, a gente não vai ter uma marca que faz sucesso”, observou.
É nesse cenário que o ALL Accor pretende fortalecer a oferta de experiências personalizadas. Atualmente, o programa reúne 123 milhões de associados no mundo, sendo 17 milhões nas Américas.
A proposta é transformar essa base em uma comunidade que compartilha experiências ligadas não apenas às viagens, mas também à gastronomia, ao entretenimento, ao bem-estar e ao lifestyle.

Stay for More: mais qualidade, não necessariamente mais consumo
Ao apresentar a nova campanha, Roberta ressaltou que Stay for More representa uma transformação no posicionamento da marca, e não somente uma ação publicitária.
“Eu não gosto de apresentar Stay for More apenas como uma campanha de publicidade, porque não é. Stay for More é um posicionamento”, declarou.
A expressão, traduzida literalmente como “fique por mais”, procura comunicar uma proposta de valor baseada naquilo que realmente importa para cada viajante.
“Eu não estou falando de mais volume. Não estou falando de mais quantidade. Aqui estou falando de qualidade, mais do que importa para você”, explicou a vice-presidente.

Experiências diferenciadas: Roland-Garros, Cirque du Soleil e Fórmula 1
Embora a expansão continue importante para a companhia, que apresentou números de aproximadamente 5.800 hotéis em mais de 110 países, o novo discurso destaca a capacidade de proporcionar experiências diferenciadas.
Entre as possibilidades oferecidas pelo programa de fidelidade estão acessos especiais a eventos como Roland-Garros, Cirque du Soleil e Fórmula 1, além de experiências esportivas com personalidades como o ex-tenista argentino Juan Martín del Potro.
Os associados podem utilizar pontos acumulados para acessar determinadas atividades e benefícios que, segundo a empresa, não estão disponíveis nos canais convencionais de compra.
Com Stay for More, a Accor procura demonstrar que sua relação com o viajante não começa nem termina no check-in e no check-out. A proposta é fazer com que os benefícios da fidelidade se transformem em experiências, lembranças e novas possibilidades de viagem.
Em um momento em que todas as gerações mergulham em uma onda artificial de experiências levadas por modismos, comportamentos compulsivos e necessidades de uma auto-afirmação, muitas vezes falsa (o que tem levado gente para o outro lado do bem-estar, como a tristeza e a depressão), a campanha global Stay for More da Accor, serve como um antídoto (e talvez inspiração para outras empresas) para combater o veneno da superficialidade e de tudo mais que é artificial e secundário.
*Paulo Atzingen é jornalista e fundador do DIÁRIO DO TURISMO




