A espanhola Aena iniciou uma nova etapa na administração do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, no Rio de Janeiro, com planos para ampliar a oferta de voos e fortalecer a presença do terminal no mercado internacional. A concessionária, que assumiu a operação na semana passada, apresentou nesta terça-feira (13) suas prioridades para os próximos anos, incluindo novas rotas, aumento de frequências e melhorias na infraestrutura.
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações da Agência Brasil
O contrato de concessão segue válido até 2039. Entre as metas anunciadas está a ampliação em mais de 50 frequências semanais de voos internacionais até janeiro de 2027, contemplando nove destinos: Paris, Miami, Frankfurt, Lisboa, Porto, Santiago, Córdoba, Atlanta e Panamá.
A estratégia também inclui a abertura ou retomada de ligações com outras nove cidades no exterior: Nova York, Dallas, Toronto, Montreal, Assunção, Salta, Mendoza, Rosário e Lima.
Galeão pode chegar a 19 milhões de passageiros em 2026
O crescimento da malha aérea acompanha as projeções de movimentação do Galeão. Segundo a Aena, o aeroporto recebeu 17,5 milhões de passageiros em 2025 e poderá encerrar 2026 com aproximadamente 19 milhões.
Apesar da perspectiva de expansão, o terminal ainda opera abaixo de seu potencial, já que possui infraestrutura para atender até 37 milhões de viajantes anualmente.
Durante a apresentação, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destacou a importância estratégica do aeroporto para ampliar a chegada de turistas estrangeiros ao Brasil.
“O Brasil precisa de mais grandes aeroportos vocacionados ao turismo internacional e, sem dúvida alguma, além do aeroporto de Guarulhos, essa é a vocação do aeroporto do Galeão. Pela sua infraestrutura, pela sua capacidade já aqui preparada para isso, mas também pela vocação do Rio de Janeiro, pelas suas belezas naturais, culturais”, disse o ministro, segundo a Agência Brasil.
Investimentos de R$ 1 bilhão incluem hotel e infraestrutura
Além da expansão das operações aéreas, a Aena anunciou que está coordenando um pacote de investimentos de R$ 1 bilhão, a ser executado por empresas parceiras ao longo dos próximos três anos.
Entre os projetos previstos estão a implantação de um hotel com pelo menos 232 apartamentos, em uma área localizada entre os dois terminais, e a construção de um novo galpão logístico no complexo industrial do aeroporto.
O planejamento contempla ainda um hangar destinado à manutenção de aeronaves da Gol, iniciativa que deverá ampliar a estrutura de apoio às operações da companhia aérea.
A concessionária também pretende modernizar equipamentos e instalações do Galeão, incluindo elevadores e sistemas de transporte de bagagens. Entretanto, não divulgou o valor que será aplicado diretamente nessas melhorias.
Em relação ao Terminal 1, desativado há aproximadamente uma década, a empresa informou que uma eventual reabertura dependerá do crescimento da demanda. A utilização do espaço será analisada caso o aumento das operações e do fluxo de passageiros justifique a medida.
Santos Dumont terá restrições encerradas em 2029
Outro tema abordado durante a coletiva foi o futuro das limitações operacionais do Aeroporto Santos Dumont, localizado na região central do Rio de Janeiro.
Atualmente, o terminal está sujeito a um teto de 6,5 milhões de passageiros por ano. A restrição foi estabelecida em 2023 como parte de uma estratégia para redistribuir o movimento aéreo na capital fluminense e favorecer a recuperação das operações do Galeão.
De acordo com o governo federal, o cronograma de flexibilização permanece inalterado. O limite poderá subir para 8,5 milhões de passageiros em 2027 e para 9,5 milhões em 2028, antes de ser eliminado em 2029.
“O que está previsto, no acordo, é que, em 2027, [o limite de passageiros no Santos Dumont] pode chegar a 8,5 milhões, em 2028, a 9,5 milhões e, em 2029, não haveria restrição. Isso é o que está previsto no acordo. Qualquer restrição menor do que essa, alterando esses números, há já previsto também no acordo o reequilíbrio contratual em desfavor da atual concessionária”, explicou Tomé Franca, conforme a Agência Brasil.
Assim, uma eventual prorrogação de limites mais restritivos no Santos Dumont poderá provocar uma revisão das condições financeiras do contrato do Galeão, com consequências desfavoráveis à concessionária.
Com a nova administração e a perspectiva de ampliação das conexões internacionais, o Galeão busca consolidar sua posição como uma das principais portas de entrada de turistas estrangeiros no Brasil.




