O Brazil Travel Market (BTM) chega aos 15 anos com expectativa de receber cerca de 5 mil profissionais por dia e planos de ampliar a participação de agentes de viagens em 2027. A feira aconteceu nesta quinta-feira (22) e sexta-feira (23), no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.
Por Paulo Atzingen, de Fortaleza*
Durante coletiva acompanhada pelo DIÁRIO DO TURISMO, os executivos da BBC Eventos, organizadora do encontro, apresentaram um balanço da edição, abordaram a importância do apoio governamental e explicaram as dificuldades para mensurar o volume de negócios gerado durante o evento.
Caravanas são prioridade para ampliar participação em 2027
Uma das principais estratégias da organização é fortalecer as caravanas de agentes de viagens, especialmente daqueles que encontram dificuldades para participar de eventos realizados nas regiões Sul e Sudeste.
Segundo Claudio Junior, CEO da BBC Eventos, a ampliação desse trabalho foi definida ainda no planejamento da edição de 2026, considerando um cenário marcado por eleições e conflitos internacionais.
“Como sempre, a gente resolveu aumentar a quantidade de caravanas, porque o nosso público principal é o agente operador, é o que o expositor quer. Então isso é um trabalho feito ao longo do ano”, explicou.
O executivo informou que a mobilização envolveu mais de 20 líderes de caravanas, alguns responsáveis pela captação de profissionais em dois ou três estados. Para 2027, a intenção é aprofundar o mapeamento de agências de viagens em diferentes regiões brasileiras.
“Esse mapeamento de saber quais agências estão em alta tem que ser feito no dia a dia. A gente tem que estar convidando a agência da capital, do interior. A gente tem que estar sempre convidando, porque é isso que o expositor quer”, destacou Claudio.
Outra iniciativa envolve a oferta de benefícios para atrair agências consideradas estratégicas, incluindo passagens aéreas e hospedagem. A medida busca facilitar a presença de profissionais de localidades onde o deslocamento rodoviário até Fortaleza é mais difícil.
“A gente já fez um pouco disso, oferecer para grandes agências um pacote ou um convite onde contemple, além da hospedagem, o próprio aéreo. Então a gente tem que dar mais benefício para que os grandes agentes cheguem aqui”, afirmou.



BTM espera repetir público superior a 5 mil profissionais por dia
Em relação à movimentação da feira, Claudio Junior afirmou que a expectativa é alcançar números semelhantes aos de 2025, quando o evento registrou pouco mais de 5,1 mil participantes por dia, segundo os dados apresentados pela organização.
Na ocasião da coletiva, o credenciamento ainda estava em andamento, impedindo a divulgação de um balanço definitivo da edição comemorativa.
“As inscrições ainda estão ocorrendo. Ainda tem gente chegando. Mas provavelmente a gente vai ter um número bem parecido com o do ano passado, que foi um pouco mais de 5.000”, declarou.
O executivo também ressaltou a importância de diferenciar a movimentação diária do público da soma dos registros ao longo dos dois dias de programação.



Apoio governamental é importante, mas feira pode continuar sem ele
Durante a coletiva, o DIÁRIO DO TURISMO questionou os organizadores sobre a autonomia financeira do BTM e a possibilidade de manter o evento diante de mudanças no cenário político ou da eventual ausência de apoio dos governos federal, estadual e municipal.
Em resposta, a direção da BBC Eventos afirmou que a feira alcançou um estágio de consolidação que permitiria sua continuidade, embora as parcerias com o poder público permaneçam fundamentais.
“Sim. A feira hoje tem um patamar que a gente consegue, sim, manter a feira. É muito importante o apoio governamental, não só financeiro, mas institucional, porque isso dá o respaldo que o evento é importante para o estado, o município, o Brasil”, afirmou um dos dirigentes.
A organização destacou que a participação do Ministério do Turismo, do Governo do Ceará e da Prefeitura de Fortaleza contribui para o reconhecimento institucional e a estruturação financeira do encontro.
Os executivos também mencionaram o apoio de outros governos estaduais, entidades representativas e empresas privadas, reforçando que a realização de uma feira desse porte depende de uma ampla rede de parceiros.
“A parceria público-privada é muito importante. Para a gente fazer sem o público é mais difícil”, acrescentou Breno Mesquita.
Ainda na discussão, Breno apontou cinco pilares considerados essenciais para o sucesso de um evento desse porte: governo estadual, prefeitura, Sebrae, Fecomércio e órgãos responsáveis pelo turismo. Ressaltou, porém, que o envolvimento dos profissionais e das empresas do setor é decisivo.
“Se tudo isso aqui acontecer e o trade não abraçar, não funciona”, afirmou.



Compradores internacionais ampliam conexões comerciais
A internacionalização também ganhou espaço na coletiva. A edição de 2026 conta com dez compradores internacionais convidados por meio de uma parceria entre a BBC Eventos e a Embratur.
De acordo com os organizadores, o grupo inclui representantes de mercados como Espanha, Itália e Estados Unidos, que participam de encontros voltados à aproximação comercial com destinos e fornecedores brasileiros.
A direção explicou ainda que os compradores internacionais integram uma iniciativa específica, distinta dos convidados institucionais do BTM, entre os quais estão representantes de países africanos e de representações diplomáticas europeias.
A estratégia busca ampliar a exposição dos produtos turísticos brasileiros e estimular futuras negociações com o mercado estrangeiro.
Geração de negócios ainda é um desafio de mensuração
Durante a coletiva, o DIÁRIO também levantou a questão da dificuldade de mensurar o volume financeiro movimentado pelas feiras do setor. A pergunta foi se a organização dispõe de dados sobre os negócios efetivamente concretizados a partir das edições anteriores do BTM, considerando que muitas negociações iniciadas durante o evento são concluídas apenas nos meses seguintes.
A direção da BBC Eventos reconheceu que não possui esses dados consolidados, principalmente porque as empresas participantes não costumam divulgar os valores negociados.
Bruno Mesquita lembrou que, na edição anterior, o BTM contou com cerca de 25 operadoras entre os expositores. Apesar de algumas dessas empresas movimentarem bilhões de reais anualmente, não é possível determinar quanto desse faturamento está relacionado diretamente à feira.
“Nenhuma delas abre para a gente quanto é negociado. Até porque muitos dos contatos feitos aqui, a geração de negócio só se concretiza ao longo do ano”, explicou.
Segundo a organização, as negociações iniciadas durante o encontro podem resultar em contratos e vendas meses depois, o que dificulta a obtenção de um indicador financeiro preciso.
A avaliação reforça uma característica das feiras B2B de turismo: além dos negócios fechados imediatamente, os encontros funcionam como espaços de relacionamento, prospecção e construção de parcerias comerciais de médio e longo prazo.

*O jornalista viajou convidado pelos organizadores do BTM




