O Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025, crescimento de 37,1% sobre o ano anterior e o maior volume da série histórica. Os gastos desses visitantes também alcançaram um recorde, de US$ 7,9 bilhões — equivalentes a cerca de R$ 41,7 bilhões, conforme o material enviado. Os números dimensionam a participação do turismo internacional na geração de divisas, emprego e renda.
Freixo atribui esse desempenho à retomada das políticas públicas de promoção do país no exterior durante o governo Lula e ao trabalho desenvolvido pela Embratur.
“Nos últimos três anos e meio, o presidente Lula me incumbiu de presidir a Embratur, a agência brasileira que promove o Brasil no exterior. E conseguimos resultados incríveis. Por onde se anda no país, se esbarra com turista estrangeiro. Isso é fruto de um trabalho nosso, do governo Lula”, afirma.
Turismo brasileiro e promoção internacional
Ao comparar sua gestão com a anterior, Freixo sustenta que encontrou a agência sem uma estratégia consistente de promoção internacional. No relato, cita cerca de 3,5 milhões de visitantes estrangeiros em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, e menciona um recorde brasileiro de 6,5 milhões.
“Quando eu assumi a Embratur, ela era presidida pelo Gilson Sanfoneiro. No último ano dessa gestão, do governo Bolsonaro, o Brasil recebeu cerca de 3,5 milhões de turistas estrangeiros em 2022. O recorde brasileiro era de 6,5 milhões, muito acima do que aconteceu no governo Bolsonaro”, diz.
Para o ex-presidente da Embratur, a imagem internacional do Brasil constitui um ativo econômico influenciado pelas decisões políticas. Em sua avaliação, os conflitos diplomáticos com a França e a postura do governo Bolsonaro em relação à agenda ambiental prejudicaram a percepção do país no exterior e sua capacidade de atrair visitantes.
“O principal país da Europa que, historicamente, mais mandava turista para cá era a França, seguida de Portugal. Bolsonaro criou uma série de problemas diplomáticos com os franceses, inclusive com ofensas pessoais à primeira-dama, o que fez que o Brasil saísse do radar dos franceses. As pessoas não viajam para onde elas não admiram, não para um lugar hostil. Por isso perdemos tantos turistas na gestão Bolsonaro”, afirma.
Freixo considera que a reconstrução da imagem brasileira foi determinante para ampliar o interesse dos visitantes e fortalecer a competitividade do país no mercado global. Segundo ele, a continuidade dos resultados exige uma combinação de promoção internacional, relações diplomáticas, preservação ambiental e valorização dos destinos.
Meio ambiente e espaços públicos no debate eleitoral
As críticas de Freixo também alcançam propostas e posições associadas ao campo bolsonarista que, em sua avaliação, podem comprometer políticas estratégicas para o turismo brasileiro. Ele menciona a defesa da privatização de praias e possíveis mudanças na condução das relações exteriores e da política ambiental.
“Vocês já imaginaram se Eduardo Bolsonaro ficar responsável pelo Itamaraty? Um Ricardo Salles voltar para o Meio Ambiente e negar o aquecimento global? Você não tem medo de a gente voltar para isso? Até privatização de praia o Flávio Bolsonaro já defendeu. Você já imaginou isso? Espaços públicos tão importantes para o turismo podem virar privados. Todos os avanços que conseguimos nestes três anos e meio estão ameaçados”, alerta.
Na avaliação do ex-presidente da Embratur, empresários, investidores, trabalhadores, operadores, agentes de viagens e gestores de destinos precisam participar do debate eleitoral e considerar seus efeitos sobre a atividade. Seu argumento é que o setor depende de um ambiente internacional favorável, de políticas públicas de longo prazo e da preservação dos atrativos naturais e culturais que diferenciam o Brasil de outros destinos.
“Por isso, quem de alguma forma trabalha com o turismo não pode nem pensar na volta dos Bolsonaro”, conclui Freixo.





