A reprivatização da TAP avançou com a escolha do Grupo Lufthansa pelo governo português para se tornar acionista privado e parceiro estratégico da companhia. A proposta prevê preservar a marca, a sede em Portugal e o centro de conexões em Lisboa, além de ampliar a frota e desenvolver a operação no Porto. A entrada do grupo alemão ainda depende da assinatura dos contratos e das aprovações regulatórias.
DA REDAÇÃO com agências
Anunciada no ano em que a TAP completa 81 anos, a decisão encerra a disputa com o Grupo Air France-KLM. Segundo o governo português, a Lufthansa foi selecionada para adquirir 44,9% do capital, participação que poderá chegar a 49,9% caso os trabalhadores não exerçam integralmente o direito de compra dos 5% reservados a eles. XXV Governo Constitucional
Em comunicado, a TAP recebeu favoravelmente a escolha e afirmou que a parceria poderá ampliar sua escala e competitividade internacional. A empresa também agradeceu à Air France-KLM pelo interesse e pelo profissionalismo, empenho e seriedade demonstrados durante o processo.
Reprivatização da TAP prevê expansão e preservação da marca
A proposta selecionada contempla a manutenção da identidade portuguesa da companhia e o fortalecimento de estruturas consideradas estratégicas: a sede, o hub de Lisboa, a operação no Porto e a área de Manutenção & Engenharia.
A expansão da frota integra esse conjunto de compromissos. Para a TAP, a dimensão e a experiência internacional da Lufthansa poderão abrir oportunidades de desenvolvimento e reforçar sua posição nos mercados em que atua.
No Atlântico Norte, a companhia prevê benefícios com a futura integração à aliança comercial A++, uma joint venture voltada à operação transatlântica. A expectativa apresentada pela empresa é ampliar sua capacidade de competir e criar novas possibilidades de crescimento.
Contratos e aval regulatório antecedem entrada da Lufthansa
A escolha do parceiro representa uma etapa da reprivatização da TAP. O processo seguirá com a assinatura dos acordos contratuais e a obtenção das autorizações regulatórias necessárias. Somente após a conclusão da operação ocorrerá a entrada efetiva do novo acionista.
Durante essa transição, a companhia manterá a execução do plano estratégico 2026–2035. Segurança, qualidade do atendimento e confiabilidade operacional continuarão entre as prioridades, segundo a empresa, que reafirmou seus compromissos com clientes, trabalhadores, parceiros e fornecedores.
O presidente do Conselho de Administração da TAP, Carlos Oliveira, relacionou o anúncio ao processo de transformação vivido pela companhia e reconheceu o esforço dos funcionários.
“A TAP chega a este momento depois de um percurso exigente, marcado por profundas transformações e pelo esforço e dedicação dos seus Trabalhadores, a quem quero deixar uma palavra especial de reconhecimento”, afirmou.
Para Oliveira, o resultado da parceria deverá ser medido pelas oportunidades geradas para a companhia e para o país.
“Mais do que a entrada de um novo acionista, importa assegurar que esta parceria se traduz em oportunidades concretas de crescimento, numa TAP mais forte e competitiva e na criação de valor para Portugal.”
O executivo ressaltou que ainda existem etapas relevantes até o encerramento da operação e que a gestão permanecerá concentrada na estratégia, nos clientes e nas responsabilidades com a empresa. “Encaramos o futuro com confiança, ambição e sentido de responsabilidade”, declarou.
A TAP também agradeceu ao Estado português, seu acionista, e aos participantes do processo. Reafirmou, ainda, o compromisso de conectar Portugal ao exterior e de avançar no desenvolvimento de uma operação mais competitiva e sustentável.
Ligações com o Brasil e presença internacional
Em atividade desde 1945 e integrante da Star Alliance desde 2005, a TAP se apresenta como líder nas ligações entre Europa e Brasil. Seu centro de conexões em Lisboa concentra rotas para a Europa, África e as Américas do Norte, Central e do Sul.
Segundo os dados apresentados pela companhia no comunicado, sua malha reúne mais de 1.250 voos semanais para 88 cidades: dez na América do Norte, 15 na América do Sul, 13 na África e no Oriente Médio, sete em Portugal e 43 nos demais países europeus.
A empresa destaca a modernização da frota, que inclui aeronaves Airbus A320neo, A321neo, A321LR e A330neo, com maior eficiência e menores emissões. A operação regional TAP Express conta também com 19 aviões Embraer.
Entre os reconhecimentos citados pela TAP estão a presença entre as 20 companhias aéreas mais seguras do mundo em 2026, segundo a AirlineRatings, e os títulos de Companhia Aérea Líder da Europa para África e para a América do Sul, concedidos pelos World Travel Awards em todos os anos de 2014 a 2025.




