CEO da Dubai Airports aposta em novas tecnologias, voos de longo alcance e reconhecimento facial para transformar a experiência dos passageiros
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com informações da Euronews
O futuro das viagens internacionais poderá ser marcado por aviões menores capazes de percorrer grandes distâncias, aeroportos regionais com mais conexões e embarques realizados sem a necessidade de apresentar documentos físicos. Essas são algumas das transformações previstas por Paul Griffiths, CEO da Dubai Airports, empresa responsável pela administração dos aeroportos de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Durante a Cúpula Global do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), realizada em Malta, o executivo destacou os avanços tecnológicos que devem modificar a aviação na próxima década. Em entrevista repercutida pela Euronews nesta sexta-feira (9), Griffiths também apresentou perspectivas para a expansão do Aeroporto Internacional Al Maktoum (DWC), projetado para se tornar o maior do mundo.
Aviões menores poderão conectar mais cidades ao mundo
Uma das principais apostas do executivo está no desenvolvimento de aeronaves de fuselagem estreita, conhecidas como narrow-body. Tradicionalmente utilizadas em rotas de curta e média distância, essas aeronaves estão ganhando autonomia para realizar voos mais longos, ampliando as possibilidades de conexão entre cidades.
Para Griffiths, a evolução permitirá que aeroportos regionais recebam ligações internacionais diretas, sem depender exclusivamente dos grandes centros de distribuição de passageiros.
“Com aeronaves menores capazes de percorrer distâncias maiores, teremos todas essas cidades secundárias da Europa conectadas diretamente a Dubai”, afirmou o executivo.
Entre os exemplos mencionados estão Exeter, no Reino Unido; Valência, na Espanha; Lyon e Marselha, na França; e Baden-Baden, na Alemanha. A expectativa é que cidades como essas possam estabelecer conexões com Dubai, oferecendo aos passageiros acesso a uma rede internacional de destinos.
O avanço também poderá tornar determinadas rotas economicamente viáveis, já que aviões menores exigem menos passageiros para atingir uma ocupação capaz de sustentar a operação.
“Acredito que, ao longo da próxima década, haverá uma oportunidade fantástica para os aeroportos regionais ampliarem suas operações”, declarou Griffiths.
Segundo ele, investimentos em infraestrutura e melhorias no acesso terrestre serão fundamentais para que essas cidades aproveitem as oportunidades, com benefícios para as economias locais e para o turismo.
Dubai planeja aeroporto para 260 milhões de passageiros
Os planos de expansão da Dubai Airports acompanham essa perspectiva de crescimento da conectividade internacional. Anunciado em 2024, o projeto de ampliação do Aeroporto Internacional Al Maktoum prevê uma estrutura com cinco pistas e 400 portões de embarque.
Quando estiver concluído, o empreendimento deverá ter capacidade para receber até 260 milhões de passageiros anualmente, consolidando Dubai como um dos principais centros de conexões aéreas do planeta.
A previsão apresentada é de conclusão da expansão até 2032. Outro objetivo é estabelecer ligações diretas entre Dubai e mais de 600 cidades, ampliando o alcance da malha aérea internacional.
A proposta combina o aumento da capacidade aeroportuária com a utilização de novas tecnologias para tornar as operações mais rápidas e melhorar a experiência dos viajantes.
Reconhecimento facial poderá substituir apresentação de passaportes
Outra transformação defendida por Griffiths envolve os procedimentos de identificação de passageiros. O executivo acredita que, nos próximos cinco anos, os avanços em identidade digital poderão eliminar a necessidade de apresentar fisicamente o passaporte em determinadas etapas das viagens.
O reconhecimento facial deverá ocupar posição central nesse processo, permitindo a identificação dos viajantes nos controles de fronteira e durante o embarque. A intenção também é reduzir a apresentação de cartões de embarque e outros documentos ao longo do trajeto pelo aeroporto.
A inteligência artificial terá participação importante na inspeção de bagagens, tornando os procedimentos de segurança mais ágeis e menos invasivos.
“Podemos fazer isso de maneira muito mais rápida e menos invasiva”, afirmou o executivo.
Apesar da ampliação do uso de tecnologia, Griffiths defende que a experiência nos aeroportos deve permanecer centrada nas pessoas, com soluções digitais funcionando de forma discreta.
“A ideia é fazer com que todos os processos e toda a experiência do cliente sejam centrados no contato humano”, explicou.
A previsão, entretanto, não representa o fim oficial dos passaportes para viagens internacionais. Trata-se de uma perspectiva sobre novas formas de identificação e controle, que ainda dependem de regulamentações e da adoção pelas autoridades responsáveis.
Sustentabilidade será desafio para expansão da aviação
O crescimento da conectividade aérea também traz desafios ambientais. Durante o encontro, Griffiths ressaltou a importância do combustível sustentável de aviação (SAF) para reduzir as emissões de carbono do setor.
Na avaliação do executivo, ampliar a produção e o uso desse combustível será indispensável para conciliar a expansão das operações com os compromissos ambientais da indústria.
Ele citou Singapura como exemplo de país que adotou medidas para estimular a utilização de combustíveis mais sustentáveis e defendeu a participação dos governos na definição de metas progressivas de mistura do SAF ao combustível convencional.
Para Griffiths, a iniciativa privada também precisa ampliar os investimentos na produção, enquanto o poder público deve estabelecer regras que incentivem a transição.
A combinação entre aeronaves mais eficientes, modernização dos aeroportos e novas soluções de identificação poderá, segundo o executivo, transformar a forma como milhões de passageiros viajam pelo mundo nos próximos anos.
Fonte: Euronews




