As famílias brasileiras tiveram um pequeno alívio nas contas em setembro. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o endividamento caiu de 82% em agosto para 81,7%, enquanto a proporção de famílias com pagamentos atrasados recuou de 29,9% para 29,6%. Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada em 8 de outubro.
REDAÇÃO com informações da CNC e do Valor Econômico
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o resultado representa um “respiro” no orçamento doméstico. A continuidade dessa melhora, porém, depende de condições econômicas mais favoráveis, entre elas juros menores.
Na comparação com setembro de 2025, o cenário tem duas faces: há mais famílias endividadas — naquele mês, eram 79,2% —, mas menos com contas em atraso, indicador que estava em 30,5%.
Já a parcela das famílias que disseram não ter condições de pagar os débitos atrasados permaneceu em 12,5%, abaixo dos 13% registrados um ano antes.
Dívidas ainda pesam na renda
Apesar do recuo dos indicadores, os pagamentos das dívidas passaram a consumir uma fatia maior do orçamento. O comprometimento da renda subiu de 29,5% em agosto para 29,6% em setembro, o maior nível desde fevereiro, quando chegou a 29,7%.
Ou seja, a melhora trouxe algum fôlego, mas as contas continuam exigindo uma parte importante do dinheiro disponível.
Queda se concentra nas menores rendas
Segundo a CNC, a redução do endividamento foi puxada pelas famílias de menor poder aquisitivo e não alcançou todas as faixas de renda.
Entre aquelas que recebem até três salários mínimos por mês, a proporção de endividados passou de 85,1% para 84,6%. Ainda assim, ficou acima dos 82% de setembro de 2025.
Nas famílias com renda entre três e cinco salários mínimos, o indicador caiu de 83,7% para 83,3%, também superior aos 81,4% registrados um ano antes.
Os números mostram um alívio pontual: menos famílias relataram dívidas e atrasos, mas o orçamento segue pressionado.
Com informações do jornal Valor Econômico.




