InícioEconomia do turismoNossa Senhora Aparecida: a fé que movimenta o turismo...

Nossa Senhora Aparecida: a fé que movimenta o turismo brasileiro

De Aparecida a Belém, a devoção mariana mobiliza peregrinos, sustenta economias locais e preserva tradições.

DA REDAÇÃO DO DIÁRIO

Neste 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, milhares de brasileiros seguem ao Santuário Nacional, no interior paulista, para agradecer, cumprir promessas e renovar a esperança. A celebração da padroeira evidencia a dimensão humana do turismo religioso: cada viagem carrega uma história pessoal e gera trabalho e renda nas comunidades visitadas.

Segundo o Ministério do Turismo, a expectativa para a festividade de 2026 é superar 500 mil fiéis entre 3 e 12 de outubro, período que reúne a novena e as principais celebrações. A estimativa abrange o conjunto dos festejos, não apenas o feriado desta segunda-feira.

Nossa Senhora Aparecida e a identidade brasileira

A devoção começou em 1717, quando João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia encontraram, no Rio Paraíba do Sul, as duas partes de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Segundo a tradição católica, a pesca abundante que se seguiu deu origem ao culto. Em 1930, o papa Pio XI reconheceu Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.

A pequena imagem tornou-se referência de proteção e esperança para milhões de famílias. Presente em casas, igrejas e celebrações, acompanha agradecimentos, pedidos e lembranças. Nas peregrinações, essa ligação se renova entre gerações, reunindo experiências transmitidas por pais e avós.

O IBGE dimensiona a presença dessa tradição: nos resultados preliminares sobre religiões do Censo 2022, divulgados em 2025, 100,2 milhões de pessoas com 10 anos ou mais se declararam católicas, equivalentes a 56,7% dessa população. O levantamento mede pertencimento religioso, não especificamente devoção à padroeira.

Fé, renda e preservação cultural

O turismo religioso movimenta hotéis, pousadas, restaurantes, transportadoras, guias, artesãos e pequenos comerciantes. Seus benefícios alcançam tanto os destinos de peregrinação quanto os municípios dos percursos.

Como referência histórica, o Ministério do Turismo divulgou, em 2018, estimativas de 20 milhões de viagens anuais e R$ 15 bilhões movimentados pelo segmento. Embora não sejam um balanço de 2026, os números demonstram sua relevância econômica.

Essas viagens também contribuem para preservar igrejas, festas, caminhos e conhecimentos tradicionais. Ampliar seus benefícios exige acessibilidade, segurança e serviços adequados, respeitando o patrimônio e o sentido espiritual da experiência.

Nazaré: a expressão amazônica da devoção

Na Região Norte, a fé mariana encontra uma de suas manifestações mais representativas no Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém. Aparecida e Nazaré são títulos atribuídos à mesma Maria na tradição católica, com histórias e expressões culturais próprias.

Segundo o Ministério do Turismo, o Círio de 2024 reuniu cerca de 2 milhões de pessoas e movimentou mais de R$ 190 milhões na economia local, mostrando a capacidade dessa celebração de mobilizar a cidade e ampliar sua projeção turística.

A corda conduzida pelos fiéis, a berlinda, as romarias, o almoço familiar e os brinquedos de miriti aproximam espiritualidade e cultura amazônica. O Círio foi registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em 2004 e reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2013.

Estado laico, respeito a todas as crenças

Valorizar Aparecida e Nazaré deve caminhar com o respeito à diversidade religiosa brasileira. A laicidade do Estado tem fundamento no artigo 19, inciso I, da Constituição Federal, que proíbe o poder público de estabelecer cultos ou igrejas, impedir seu funcionamento ou manter relações de dependência ou aliança com instituições religiosas, ressalvada a colaboração de interesse público prevista em lei.

O artigo 5º, inciso VI, assegura a liberdade de consciência e de crença, o livre exercício dos cultos e a proteção aos locais religiosos e às suas liturgias.

O Brasil é um Estado laico: todas as fés devem ser respeitadas, e cada pessoa pode reverenciar livremente sua crença. A mesma proteção alcança quem não tem religião. Reverenciar é uma escolha pessoal; respeitar a dignidade do outro é um compromisso coletivo — princípio que deve orientar também o turismo religioso.

LEIA TAMBÉM:

Daniel Munduruku e seu discurso na abertura da WTM Latin America

Matérias relacionadas

Compartilhe essa matéria com quem você gosta!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique por dentro das notícias de turismo do DT!

Assine nossa newsletter e confira.




    Enriqueça o Diário com o seu comentário!

    Participe e leia opiniões de outros leitores.
    Ao final de cada matéria, em comentários.

    Matérias em destaque