“Membros-mala”, esses integrantes de associações e cooperativas que mais atrapalham que ajudam

Eduardo Mielke*

Desde quando comecei a trabalhar na formação de grupos de turismo como associações, cooperativas e conselhos, sempre me deparei com este perfil: o “membro-mala”. E olhe que foi mais de 60 grupos diferentes, em três países e em nove UFs, nos últimos 12 anos. Acontece que diferentemente do Facebook, em que você pode deletar ou evitar uma conversa ou pessoa num click, dentro de uma entidade não há como, regimentalmente, excluir uma pessoa somente porque ela é mala ou espaçosa. Então o que fazer?

Dê trabalho a ela. Designe-a como Diretor da entidade! Indique-a para gerir um projeto ou coordenar uma ação. Simples assim. Os “zé-contrinhas” querem muito mais chamar a atenção do que outra coisa. Donos de “sua razão”, cão que late não morde, mesmo porque se ele mordesse, a mala já teria deixado a entidade. Como insetos em volta de uma lâmpada, se ela tem esta gana toda, que manifesta-se através da oposição, quase que implorando por atenção, dê a ela esta oportunidade. Veja, não comprometendo institucionalmente e/ou financeiramente a sua entidade, porque não? Mas faça isso devidamente registrado em ata! Nunca de boca. Via de regra, pessoas deste perfil tendem a sumir quando algum tipo de responsabilidade lhe é atribuída. Pense nisso.

Donos de “sua razão”, cão que late não morde, mesmo porque se ele mordesse, a mala já teria deixado a entidade

Não querendo entrar nos meandros, a literatura específica é vasta sobre os motivos pelos quais pessoas que exibem comportamentos negativos, por assim dizer, são tão recorrentes. Desde de baixa (íssima) autoestima, falta de referência e até diagnósticos depressivos, são várias as razões.

O que importa aqui, é que dentro de um grupo de pessoas todos os esforços são sempre bem-vindos. Mesmo daqueles que não se enquadram dentro daquilo que esperamos de uma pessoa. O fato dela ser do contra, não necessariamente é ruim. Deve ser revertido em labor. Trata-se de uma manobra do bem, tirando o foco de quem sempre acha que estão fazendo errado, aproveitando esta energia para servir ao coletivo, e quem sabe fazer o certo.

Na medida em que você coloca-o para assumir uma grande responsabilidade, de quem ele irá reclamar mesmo? Da Maju a moça do tempo? Mas atenção: Atribua tarefas, que possam ser facilmente mensuráveis quantitativamente depois. Em outras palavras, que resulte em números dentro de um determinado tempo de execução e que possam ser comparados. Certifique-se também, se o ambiente está adequado para a realização daquela tarefa. O tamanho da sua preocupação com estes detalhes táticos-operacionais e políticos é diretamente proporcional ao tamanho da “mala-sem-alça” presente.

O tamanho da sua preocupação com estes detalhes táticos-operacionais e políticos é diretamente proporcional ao tamanho da “mala-sem-alça” presente

De duas uma. Se ele tiver razão e lograr dar melhores resultados, é possível que ele não seja tão mala assim, não é mesmo? Mas se ele não conseguir por motivos atrelados às próprias decisões equivocadas (dele), registre em assembleia impreterivelmente. Isto porque, você mata dois problemas, pois além de institucionalizar os problemas, o mala conseguirá ver que gerir e prosperar uma entidade não é tarefa que se ganha no grito ou no posicionamento do tipo mala-sem-alça. Pense nisso.

Dúvidas, perguntas? Pergunte! Aliás, sinto falta da sua pergunta.

Abraços

Mielke, Dr. – eduardomielke@yahoo.com.br 

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Paulo Atzingen
Paulo Atzingenhttps://www.diariodoturismo.com.br
Paulo Atzingen é paulista e jornalista profissional (DRT-185 PA) desde o ano 2000; cursou Letras e Artes e Comunicação Social na Universidade Federal do Pará (UFPA), É poeta, contista e cronista. Estuda gaita (harmônica).

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