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Yuri Benites, diretor de turismo no Itaipu Parquetec, detalha avanços e investimentos em Foz do Iguaçu

Com mais de 8,5 milhões de visitantes acumulados desde o início de sua operação, o Complexo Turístico Itaipu consolidou-se como um dos principais atrativos turísticos do Paraná e do Brasil. Nesta entrevista ao DIÁRIO DO TURISMO, o diretor de Turismo do Itaipu Parquetec, Yuri Benites, faz um balanço dos resultados recentes da operação turística, comenta a receptividade do público ao Mercado Público Barrageiro e detalha como os recursos gerados pelo turismo são reinvestidos em projetos estratégicos para o desenvolvimento regional.

Ao longo da conversa, Yuri Benites também aborda os desafios de infraestrutura apontados pelos visitantes, as perspectivas para 2026 e o papel do Itaipu Parquetec na valorização da cultura indígena e na construção de um modelo de desenvolvimento sustentável que integre inovação, turismo, economia criativa e participação das comunidades tradicionais

Crédito: Jean Pavão/CTI

DIÁRIO – O Itaipu Parquetec, por meio do Complexo Turístico Itaipu (CTI), informa que já recebeu em 19 anos de operação mais de 8,5 milhões de visitantes. Poderiam fazer uma síntese do que se destaca na opinião dos usuários nesse último ano em termos positivos e em que os serviços do Itaipu Parquetec podem melhorar?

O Complexo Turístico Itaipu já recebeu mais de 8,5 milhões de visitantes desde o início de sua operação, em 2007, consolidando-se como um dos principais atrativos da cidade. Somente em 2025, foram registrados 519 mil visitantes, número que representa um crescimento de 7% em relação a 2024.

No último ano, os principais destaques positivos nas avaliações dos visitantes foram a qualidade do atendimento, a receptividade das equipes e o conhecimento técnico dos colaboradores, fatores que tornam a experiência mais acolhedora e enriquecedora.

Entre as oportunidades de melhoria apontados pelos usuários estão aspectos relacionados à infraestrutura, como climatização de ambientes, ampliação de áreas cobertas e modernização da frota de veículos. Essas sugestões vêm sendo consideradas nos projetos e ações em andamento, voltados à qualificação contínua da experiência dos visitantes.

Usina Itaipu Binacional
Crédito: Jean Pavão/CTI

DIÁRIO – Como estão as interações da população local e os turistas com o atrativo Mercado Público Barrageiro, inaugurado há pouco mais de um ano?

O Mercado Público Barrageiro tem apresentado uma evolução extremamente positiva na forma como conecta moradores e visitantes. Em pouco mais de um ano, já ultrapassamos a marca de 500 mil visitantes e realizamos mais de 120 eventos gratuitos, o que demonstra a força do espaço como um verdadeiro ponto de encontro da cidade.

O mais interessante é perceber como o espaço conseguiu equilibrar essas duas dimensões. Para a população local, o Mercado passou a integrar a rotina da cidade como um ambiente de convivência, lazer, cultura e valorização da produção regional. Para o turista, ele representa uma oportunidade de vivenciar Foz do Iguaçu para além dos atrativos tradicionais, oferecendo experiências ligadas à gastronomia, ao artesanato, à música, à agricultura familiar e às manifestações culturais da região

Hoje, o Mercado Público Barrageiro é reconhecido como um espaço de identidade, pertencimento e conexão entre diferentes públicos. Nosso objetivo agora é seguir qualificando essa experiência, ampliando a programação cultural e fortalecendo ainda mais o papel do Mercado como um ambiente que integra turismo, cultura, economia criativa e desenvolvimento regional.

Mercado Público Barrageiro
Instalado onde antes funcionava a Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal), o prédio permaneceu desativado por décadas. Agora virou ponto turístico (Crédito: Itaipu Binacional – Parquetec – divulgação)

DIÁRIO – As informações institucionais da Itaipu dizem que “todos os recursos obtidos a partir da operação turística feita pelo Itaipu Parquetec são investidos em projetos e ações ligados ao propósito institucional”. O senhor poderia informar qual foi o balanço dos recursos obtidos em 2025, quais as previsões para 2026 e onde esses recursos serão utilizados?

O modelo de gestão do Turismo da Itaipu é muito claro: todo o resultado gerado é reinvestido em ações que impulsionam o desenvolvimento regional e fortalecem o Destino Iguaçu, O objetivo é gerar impacto positivo e estruturante para a região.

Em 2025, a operação turística gerou um resultado de aproximadamente R$ 4,6 milhões reinvestidos integralmente em ações alinhadas ao propósito institucional do Itaipu Parquetec. Além disso, houve um repasse de R$ 567 mil ao Fundo Iguaçu, fortalecendo iniciativas de promoção turística e posicionamento do destino.

Para 2026, a expectativa é superar R$ 5 milhões em resultado reinvestido e realizar um novo aporte ao Fundo Iguaçu na ordem de aproximadamente R$ 600 mil.
Esses recursos são direcionados para projetos que impactam diretamente o desenvolvimento regional, incluindo ações ligadas à inovação, qualificação do turismo, fortalecimento da economia criativa, apoio a eventos estratégicos, desenvolvimento territorial, sustentabilidade e iniciativas que contribuam para ampliar a competitividade e a atratividade turística da região.

Usina Itaipu Binacional
Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

DIÁRIO – Em outubro passado ocorreu o reconhecimento das violações sofridas pelo povo avá-guarani durante a construção da usina, um marco histórico para a Itaipu Binacional. Como a Itaipu Parquetec pretende contribuir para que os projetos de desenvolvimento, inovação e sustentabilidade na região incorporem de forma efetiva os saberes, a cultura e a participação das comunidades indígenas?

O Itaipu Parquetec entende que inovação e desenvolvimento sustentável só fazem sentido quando construídos de forma inclusiva, considerando os diferentes saberes e as identidades que formam o território. Isso inclui reconhecer que as comunidades indígenas possuem conhecimentos fundamentais relacionados à preservação ambiental, à relação com a natureza, à cultura e às formas sustentáveis de viver e produzir.

Em parceria com Itaipu Binacional estamos ampliando os espaços de escuta, participação e construção conjunta, para que essas comunidades não sejam apenas beneficiárias de projetos, mas protagonistas nos processos de desenvolvimento regional. Isso passa pela valorização da cultura indígena, pelo incentivo a iniciativas de geração de renda sustentável, pelo fortalecimento do turismo de base comunitária, pela preservação da memória e pelo estímulo a ações de educação, pesquisa e inovação conectadas aos saberes tradicionais.

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