IATA alerta que atrasos na entrega de aeronaves, escassez de peças e falta de mão de obra já custam bilhões de dólares ao setor aéreo mundial.
IATA defende uma ação coordenada entre fabricantes, companhias aéreas, oficinas de manutenção, locadoras e reguladores para enfrentar a crise na cadeia de suprimentos da aviação. Durante o Simpósio Mundial de Manutenção e Engenharia, realizado em Madri esta semana, a entidade apresentou quatro prioridades consideradas essenciais para restaurar a eficiência operacional do setor.
REDAÇÃO DO DIÁRIO
Segundo a IATA, os problemas acumulados na indústria já provocam impactos significativos. A carteira global de pedidos de aeronaves supera 18 mil unidades, enquanto a idade média da frota mundial atingiu o recorde de 15,2 anos. Além disso, mais de 5 mil aeronaves de nova geração, que deveriam estar em operação, seguem fora de circulação devido a atrasos nas entregas.
De acordo com o diretor-geral da entidade, Willie Walsh, as falhas na cadeia de suprimentos custaram ao menos US$ 11 bilhões às companhias aéreas em 2025, cenário agravado pela alta dos combustíveis e pelo aumento dos custos de manutenção.
IATA pede mais transparência na cadeia de suprimentos
A primeira prioridade apresentada pela IATA é ampliar a visibilidade das informações compartilhadas pelos fabricantes. A associação defende maior transparência sobre atrasos nas entregas, disponibilidade de peças, prazos de reparo e gargalos operacionais, permitindo que as companhias aéreas planejem suas operações com mais precisão.
Para Stuart Fox, a combinação entre atrasos na entrega de aeronaves, problemas de durabilidade de motores, escassez de materiais e limitações na capacidade de manutenção vem comprometendo a eficiência das empresas aéreas em todo o mundo.
Entidade quer ampliar concorrência no mercado de manutenção
Outra medida defendida pela IATA é a abertura do mercado de pós-venda aeronáutico. A entidade pede que mais fabricantes permitam maior participação de empresas independentes de MRO (Manutenção, Reparo e Revisão), ampliando o acesso a peças certificadas, reparos aprovados e serviços alternativos.
Segundo a associação, restrições comerciais impostas por alguns fabricantes limitam a concorrência, aumentam os custos, prolongam os prazos de espera e reduzem as opções disponíveis para as companhias aéreas.
Dados, digitalização e IA ganham papel estratégico
A terceira prioridade da IATA envolve o uso intensivo de dados, digitalização e inteligência artificial. A proposta é integrar sistemas de manutenção com informações de mercado para melhorar o controle de estoques, prever escassez de materiais, apoiar decisões de reparo e fortalecer processos de garantia.
A entidade destaca iniciativas como a cooperação com o International Airlines Technical Pool (IATP) e a disponibilização gratuita da plataforma MRO SmartHub para companhias participantes de programas de compartilhamento de dados.
Falta de técnicos preocupa o setor
A IATA também alerta para a necessidade urgente de ampliar a formação de profissionais de manutenção aeronáutica. A entidade defende a revisão dos processos de recrutamento, treinamento e licenciamento para reduzir gargalos e acelerar a entrada de novos técnicos no mercado.
A preocupação é respaldada por estimativas da Boeing, que projeta a necessidade de cerca de 710 mil novos técnicos de manutenção em todo o mundo nos próximos 20 anos.
Exigências regulatórias precisam ser viáveis
Além das quatro prioridades, a IATA pediu que novos requisitos regulatórios para equipamentos e atualizações de aviônicos considerem a realidade da cadeia de suprimentos. A entidade defende cronogramas globais coordenados e compatíveis com a disponibilidade dos equipamentos, certificações e capacidade de instalação.
Segundo Stuart Fox, a discussão não envolve flexibilizar a segurança, mas garantir que as exigências possam ser implementadas de forma prática e eficiente em escala global.





