Nordeste: muito mais que um ponto cardeal, ou região, um destino do presente e do futuro

Quando se fala no nordeste brasileiro, muita gente ainda traz à memória a imagem de uma região pobre, castigada pela seca e rica em desigualdade social. Em parte quem pensa assim tem um pouco de razão, pois esse torrão brasileiro sofreu por longo tempo as consequências da exploração dos colonizadores, má distribuição de renda e projetos mal administrados. Isto tudo aos poucos vem mudando.

Por Nairson Socorro*


 
O Nordeste, desde a Bahia no seu extremo sul, até o Maranhão no extremo norte, foi a parte territorial do Brasil que mais se desenvolveu nos últimos tempos. Segundo estudo do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), entre 2002 e 2017, a região viu o PIB dos seus estados crescer, em média, 3,5% ao ano.
Somos um país dentro do Brasil, na verdade são nove países (Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão), cada um com características culturais e sotaque próprio. A forma de falar do baiano é infinitamente diferente da forma de falar do pernambucano ou do maranhense. Cada unidade possui especificidades peculiares, mas todos irmanados como uma grande federação. Os próprios nordestinos consideram que o povo da terra do Bumba Meu Boi, fala o português mais correto do Brasil.
Além da agricultura, do extrativismo mineral e vegetal, da indústria e do comércio, a região oferece também grande opção para o turismo, com suas belezas naturais e riquezas culturais. Em 2012, o produto interno bruto cresceu 3%, acima da média do país.  A região nordestina atingiu 13,5% de participação no PIB nacional, o maior porcentual da série histórica iniciada em 1995 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e registrou a maior taxa média anual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, de 3,12% entre 2000 e 2010.

Praia da Boa Viagem, em Recife (PE) – (Crédito: arquivo DT)

Somos muito

Somos a segunda região mais populosa do país, com mais de 57 milhões de habitantes, ou seja 28% da população brasileira, abaixo apenas da região sudeste. Possui três, entre as 10 maiores cidades (Salvador/BA, Fortaleza/CE e Recife/PE respectivamente); e o segundo maior mercado brasileiro de hotelaria. Capitais do nordeste – especialmente Salvador, Recife, Fortaleza e Maceió – se destacam como os destinos mais procurados pelos turistas neste início de segundo pesquisa realizada no dia 07/01/2020 na base de dados do buscador de viagens KAYAK, que levou em consideração as buscas feitas de 01 a 05 de janeiro de 2020, para viagens a serem feitas neste ano.
Geograficamente o Nordeste está bem localizado. A região está próxima dos Estados Unidos e da Europa, o que nos favorece turisticamente, e na captação de investimentos externos, principalmente na indústria.

Cores são conteúdo de sabores (Crédito: DT)

Autoestima

Vale ressaltar que a autoestima do nordestino é alta. A própria população é quem valoriza e reconhece o seu potencial, o que contribui para o desenvolvimento da mesma. Segundo pesquisa contratada pelo Ministério do Turismo em 2017, “44,2% dos nordestinos avaliaram como alto ou muito alto o potencial local, seguido do Sudeste (42,3%), Sul (32,6%) e Centro-Oeste e Norte (32,2)”. Segundo o mesmo estudo ministerial, oito em cada dez brasileiros acreditam que o potencial turístico de nosso país é de médio para muito alto, mas 59,8% entendem que esse potencial não é aproveitado de forma adequada. Para os entrevistados, o Nordeste desponta como a região que mais aproveita seu potencial (39,6%). Em segundo lugar aparece o Norte e Centro-Oeste (32,7%), seguido do Sudeste (32,3%) e Sul (20,1%).
Portanto, é superficial imaginar que o Nordeste é apenas seus vastos coqueirais; seu belo litoral; caranguejos, mariscadas, ou outros integrantes de sua inconfundível culinária; o cangaceiro, lembrando a cultura do seu povo; ou até mesmo um mandacaru, como símbolo do sofrimento do povo com suas seculares estiagens. Mas não é só isso. Na verdade, os “nordestes” que existem dentro do Nordeste, possui uma grande diversidade de manifestação e produção cultural; uma indústria pujante, e um potencial turístico de fazer inveja, e que precisa ser conhecido e redescoberto, 520 anos depois da chegada das Caravelas de Cabral. Coloque em sua agenda de viagem, uma visita a este “país” que existe dentro do Brasil. O “Brasil” chamado Nordeste.

Salvador, em seu típico cartão postal (Crédito: Visit Salvador)


* Nairson Socorro é jornalista, graduado em Turismo e História pela Universidade Tiradentes – UNIT, e pós-graduado em Turismo e em Cultura Popular pela Faculdade de Sergipe – FASE, diretor da Rádio Boas Novas Aracaju e editor da revista Viaje Sergipe.
nairson.turismo@gmail.com

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