O CEO da Copastur, Edmar Mendoza Bull, explica nesta entrevista como a Biosfera Copastur incorporou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as práticas de ESG à estratégia da empresa, consolidando o turismo regenerativo como um dos pilares de sua atuação. Ao longo da conversa, o executivo aborda a recertificação da empresa como Empresa B™, apresenta os indicadores utilizados para medir impactos socioambientais, detalha o projeto BioConexão, voltado às viagens regenerativas, e mostra como parcerias estratégicas e o protagonismo das comunidades locais contribuem para gerar desenvolvimento econômico, conservação ambiental e valor sustentável para os destinos turísticos. Confira:
DIÁRIO – A ONU estabeleceu os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como referência global para empresas e governos. Quais ODS orientam hoje a estratégia da Biosfera Copastur e de que maneira eles são incorporados às operações diárias?
Edmar Mendoza Bull – Reconhecemos que todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são importantes. No entanto, direcionamos nossos esforços para aqueles que são mais conectados ao nosso negócio. Atualmente, nossa estratégia é orientada pelos ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), 4 (Educação de Qualidade), 5 (Igualdade de Gênero), 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico), 10 (Redução das Desigualdades), 12 (Consumo e Produção Responsáveis), 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima), 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes) e 17 (Parcerias e Meios de Implementação).
Esses ODS são incorporados às operações diárias por meio do estabelecimento de metas e indicadores, políticas internas, compromissos públicos, programas de capacitação, iniciativas voltadas à sustentabilidade, diversidade, equidade e inclusão, gestão ambiental, além do fortalecimento de parcerias estratégicas que contribuem para a geração de valor sustentável para clientes, pessoas colaboradoras, fornecedores e sociedade.
DIÁRIO – O turismo é frequentemente apontado como uma atividade capaz de gerar desenvolvimento econômico, mas também impactos ambientais. Como a Biosfera Copastur procura ampliar os benefícios da atividade turística e reduzir seus impactos negativos?
Edmar Mendoza Bull – Entendemos que o turismo deve ser uma ferramenta de desenvolvimento sustentável, capaz de gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais. Por isso, buscamos sempre integrar os pilares ESG nos nossos produtos e serviços, considerando não apenas a experiência da pessoa viajante, mas também o valor gerado para as comunidades dos destinos visitados e para o meio ambiente.
Identificamos oportunidades para promover práticas de turismo responsável, como o incentivo ao ecoturismo, a valorização da cultura local, o fortalecimento das comunidades locais e a conexão das viagens com iniciativas de regeneração ambiental. Além disso, avaliamos os impactos associados às nossas operações, como as emissões de carbono, e buscamos desenvolver soluções como o projeto Green Travel – que oferece relatórios a clientes com cálculo de emissão de carbono das viagens aéreas e quantidade de mudas necessárias para compensação por meio do GHG Protocol.
Outro exemplo dessa atuação é a BioConexão, uma iniciativa da Biosfera Copastur, Empresa B™ certificada, que transforma viagens de incentivo em experiências com propósito e responsabilidade socioambiental. Desenvolvidas exclusivamente em parceria com outras Empresas B™ certificadas, as expedições oferecem roteiros personalizados em destinos do Brasil e da América do Sul, conectando participantes à regeneração ambiental, à cultura das regiões, às comunidades locais e aos projetos socioambientais dos destinos visitados.
DIÁRIO – A empresa trabalha com indicadores para medir o impacto social, ambiental e econômico de suas iniciativas? Quais métricas são consideradas prioritárias e quais resultados já podem ser apresentados?
Edmar Mendoza Bull – A mensuração de impacto faz parte da governança da Biosfera Copastur e é um dos pilares da certificação como Empresa B™. A recertificação, confirmada em julho de 2026, exigiu uma nova avaliação conduzida pelo B Lab™, com critérios mais detalhados, maior número de perguntas, novos pesos de avaliação e comprovação da evolução das práticas implementadas desde a certificação anterior. A pontuação obtida foi superior à anterior.
A avaliação considera cinco grandes dimensões: governança, pessoas colaboradoras, clientes, comunidade e meio ambiente. Além desse acompanhamento, a empresa monitora indicadores relacionados ao fortalecimento de cadeias responsáveis de fornecedores, gestão de resíduos e uso responsável de recursos naturais, desenvolvimento de projetos de impacto positivo, diversidade, equidade e inclusão e qualidade da gestão ESG.
Um reflexo dessa evolução é que a Biosfera Copastur foi recertificada como Empresa B™ e também teve dois projetos reconhecidas como finalistas (um vencedor) em importantes premiações nacionais e internacionais: o Encontro+B™ Amazônia 2025, produzido pela Aquarela Agência, vencedor do Prêmio Live 2026 na categoria “Evento com Pegada ESG”; e a BioConexão, iniciativa da Biosfera Copastur operada pela Aquarela Agência e pela Goya Travel, finalista do Virtuoso Global Stewardship Award 2026 na categoria Agency.

DIÁRIO – O projeto BioConexão propõe transformar viagens de incentivo em experiências regenerativas. Na prática, o que diferencia uma viagem regenerativa de uma viagem sustentável tradicional?
Edmar Mendoza Bull – A BioConexão transforma viagens de incentivo em expedições com propósito e responsabilidade socioambiental. A principal diferença em relação a uma viagem sustentável está na abordagem: enquanto a sustentabilidade busca reduzir impactos negativos e promover uma relação mais responsável com o meio ambiente e a sociedade, a regeneração propõe ir além da mitigação, buscando gerar impactos positivos para os destinos, com experiências que fortalecem os territórios, a conservação ambiental, os projetos das regiões visitadas e as comunidades locais.
DIÁRIO – Como as comunidades locais participam da construção desses roteiros? Existe algum processo para garantir que elas sejam protagonistas e também beneficiárias diretas das atividades turísticas?
Edmar Mendoza Bull – A BioConexão construiu roteiros em que as comunidades locais são protagonistas, valorizando seus conhecimentos, culturas, histórias, saberes, modos de vida e formas de conexão com a natureza. As experiências são desenvolvidas a partir de parcerias com iniciativas que já atuam nos destinos, permitindo que o turismo seja uma ferramenta de valorização cultural, conservação ambiental e fortalecimento de projetos das regiões. Dessa forma, as comunidades locais participam ativamente das iniciativas relacionadas aos territórios.
Essa proposta foi construída em parceria com fornecedores certificados como Empresas B™, como o Ibiti Projeto, primeira propriedade hoteleira B™ do Brasil, com 6 mil hectares em regeneração ambiental e iniciativas de turismo responsável; a Explora, com mais de 30 anos de atuação em turismo responsável na América Latina e projetos de conservação e educação ambiental; a Vivalá, referência em turismo responsável com operação 100% carbono neutro e atuação em unidades de conservação de 6 biomas; e Las Balsas, primeira propriedade com dupla certificação B™ e Relais & Châteaux, que alia hospitalidade e consciência ecológica.
Essas parcerias fortalecem iniciativas de conservação da biodiversidade, reflorestamento, educação ambiental, empreendedorismo comunitário, conscientização e valorização dos territórios visitados.
DIÁRIO – A BioConexão trabalha exclusivamente com Empresas B Certificadas™. Essa escolha limita a expansão do projeto ou fortalece uma cadeia de fornecedores comprometidos com valores comuns?
Edmar Mendoza Bull – A escolha de trabalhar exclusivamente com Empresas B™ certificadas não representa uma limitação para a expansão da BioConexão, mas uma decisão estratégica para construir uma rede de parceiros alinhada ao compromisso com impacto positivo, propósito e responsabilidade socioambiental.
Ao priorizarmos organizações certificadas pelo B Lab™, assim como a Biosfera Copastur, buscamos trabalhar com empresas que passaram por uma avaliação de critérios ambientais, sociais e de governança rigorosos e que compartilham uma visão de negócios mais responsável. Essa conexão fortalece uma cadeia de parceiros comprometida com práticas sustentáveis e com experiências que geram valor positivo para os territórios visitados.
DIÁRIO – O turismo regenerativo busca deixar um destino em melhores condições do que foi encontrado. Há algum caso concreto em que a empresa consiga demonstrar resultados sociais, econômicos ou ambientais obtidos junto às comunidades atendidas?
Edmar Mendoza Bull – Um exemplo é a BioConexão – iniciativa da Biosfera Copastur operada pela Aquarela Agência e pela Goya Travel –, finalista do Virtuoso Global Stewardship Award 2026 – Agency. Por meio das parcerias com Empresas B™ certificadas, os roteiros das expedições se conectam a projetos relacionados à regeneração ambiental, conscientização, conservação da biodiversidade e fortalecimento dos territórios visitados.
Outro exemplo é o Encontro+B™ Amazônia 2025, evento oficial do Sistema B™, produzido pela Aquarela Agência, marca de brand experience da Biosfera Copastur, e vencedor do Prêmio Live 2026 na categoria “Evento com Pegada ESG”. O encontro reuniu mais de 800 participantes de 19 países em Belém (PA), às vésperas da COP 30, e contou com uma operação de 12 dias conduzida por mais de 75 profissionais, integrando logística, hospitalidade e responsabilidade socioambiental.
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