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Accor Américas amplia programas de inclusão 

Fernando Viriato, Vice-Presidente Sênior de Pessoas & Cultura da Accor Américas, detalha como a gestão de pessoas na Accor impulsiona inclusão, liderança, capacitação e empregabilidade na hotelaria.

O primeiro semestre do ano foi de consolidação e aceleração da estratégia da rede, não apenas em negócios, mas sobretudo na valorização e inclusão de pessoas. Fernando Viriato, Vice-Presidente Sênior de Pessoas & Cultura para as divisões Premium, Midscale e Economy da Accor Américas que, reunidas, somam mais de 18 mil colaboradores, frisa em entrevista ao DIÁRIO DO TURISMO que três eixos conduziram a ação do setor, no período: desenvolvimento de liderança, inclusão das pessoas como alavanca estratégica e capacitação contínua.

REDAÇÃO E EDIÇÃO DO DIÁRIO

No início de junho foi anunciada expansão no programa de inclusão da Accor, que tradicionalmente já prioriza, na contratação para o elenco de colaboradores, as questões de gênero, diversidade racial, cultural e étnica e a que visa assegurar dignidade e trabalho a refugiados. O movimento se distribui entre as 45 marcas de hotéis, do luxo ao econômico, além de marcas lifestyle com Ennismore.

A gestão de pessoas na rede ampliou o portfólio com o “ibis unlocked”. A iniciativa é resultado da parceria global de mobilidade social entre a Accor e a Inspired By KM (IBKM), instituição beneficente dirigida a jovens, fundada há 6 anos por Kylian Mbappé, jogador francês e estrela da seleção oficial de futebol de seu país. O conjunto de projetos humanitários, inspirados no ideal do atleta, combinam educação, cultura, esporte, descoberta de carreira e ações de solidariedade.

O novo programa da Accor se concretiza, inicialmente, nos hotéis Ibis – marca com mais de 2.500 hotéis em 82 países – e tem como foco o público juvenil em situação de vulnerabilidade, indivíduos que não trabalham, não estudam e não se encontram em nenhum tipo de treinamento – (Not in Education, Employment or Training, na sigla em inglês NEET). Essa situação acomete mundialmente quase 1 em cada 5 jovens. A projeção é de que 1,2 bilhão de jovens vão se encontrar na faixa etária de trabalhar nos próximos anos. Numa primeira etapa, o programa será implantado no Brasil, França, Marrocos e Tailândia e prevê fortalecer globalmente a empregabilidade. “O objetivo é abrir campo de trabalho para jovens, permitir que desenvolvam habilidades e alcancem novas oportunidades profissionais, tanto na hotelaria como em outras atividades econômicas”, sintetiza Viriato. No segundo semestre, acontece uma semana educacional no País, reunindo jovens, beneficiários e profissionais do setor, além do lançamento oficial do programa, com o aplicativo em português disponibilizado dentro de 60 dias. Entre as parcerias em curso, a Accor já formalizou acordo com a Unibes Cultural, para difundir o projeto.

Trabalho para Jovens: “O objetivo é abrir campo de trabalho para jovens, permitir que desenvolvam habilidades e alcancem novas oportunidades profissionais, tanto na hotelaria como em outras atividades econômicas”

Abordagem profissional e autoaprendizagem

O “ibis unlocked” promove o acesso ao mercado de trabalho, a partir da identificação e incentivo às habilidades, treinamentos profissionais e certificados obtidos com o apoio de ONGs parceiras. O programa inclui experiências nos hotéis ibis, com imersões e visitas às unidades, estágios e atividades práticas nas diversas funções da hotelaria. Para a operacionalização do capítulo educacional do programa, foram inseridos 15 módulos de autoaprendizagem, acessíveis pelo WhatsApp, mecanismo capaz de propagar conhecimento e estabelecer conexão com os jovens mesmo à distância.

‘Empoderando Refugiadas’ e a diversidade na pauta da gestão

Diversidade e responsabilidade social na Accor selam o propósito corporativo tendo se destacado, ainda, no primeiro semestre do ano, com o programa de suporte a refugiados. Em março último, a rede – participante do Fórum Empresas com Refugiados – confirmou a adesão ao projeto ‘Empoderando Refugiadas’, que busca atender “um extrato duplamente vulnerável: refugiadas e mulheres”, ressalta o executivo do grupo, que anuncia a contratação de 300 colaboradoras dentro do programa, até 2027. A ação, desenvolvida pela ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), ONU Mulheres e Pacto Global da ONU no Brasil, contempla a qualificação profissional e inserção no mercado formal desse grupo. Desde 2019, ao se somar à rede global Tent Partnership for Refugees, formada por empresas de diversos setores, a Accor oferece retaguarda à essa força de trabalhadores, que desembarcam no País em busca de oportunidades e melhores condições de trabalho e vida.

Viriato afirma que o pacto global reitera a meta de injetar 205 mil euros no treinamento no Brasil, recursos direcionados a centenas de refugiados que podem atuar na hotelaria ou fora dela, já que estarão sendo preparados igualmente para empreender. No quadro atual constam 350 refugiados contratados e mais de 280 capacitados para atuar em categorias diversas de hotéis da rede, com a previsão, conforme adianta, de 600 pessoas desse grupo treinadas até o próximo ano. Para viabilizar a empreitada, a Accor se vale, entre outros reforços, da proximidade com o Sindicato dos Hoteleiros de São Paulo, que mantém um hotel escola e vagas disponibilizadas, através da entidade, tanto por hotéis independentes como por aqueles empreendimentos pertencentes a redes.

Outro destaque no programa de inclusão da Accor tange a questão racial, alavancada pela parceria com a consultoria McKinsey, voltada à formação de lideranças negras, denominado Black Leadership Academy, que já capacitou 500 pessoas.

A fim de favorecer colaboradores que necessitam de atualização pedagógica e não podem frequentar aulas presenciais na rede pública, no período noturno, por conflitar com o expediente de trabalho, a solução adotada é o supletivo virtual.
Salto de qualidade na formação individual, a ferramenta já completou 25 anos na Accor, e é acessível através do FOHB (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil), aberto aos associados e voltado “para a melhoria da performance como pessoa, permitindo que elas se sintam mais completas”, assinala Viriato.

Política de promoção e patrimônio humano

O olhar cuidadoso para o time espelha um dos indicadores mais valiosos e concretos para a corporação hoteleira: 1 a cada 13 colaboradores são promovidos por ano. O nível de contratações é outro vetor de destaque, com o contingente de 9 mil pessoas/ano acolhidas no quadro funcional, conforme dados de 2025, além da implementação de mais de 130 mil horas dedicadas à formação naquele exercício. E os números apontam para a manutenção do patamar, com a média de 4,5 mil contratações e 75 mil horas voltadas à capacitação, nos primeiros seis meses deste ano.

Viriato reforça que a rede personifica, em suas variadas áreas de competência, o conceito de Heart + Artists – em tradução livre ‘Artistas do Coração’. Essa diretriz produz, de acordo com o executivo, a certeza de que “pessoas melhor desenvolvidas e reconhecidas em seus talentos vão entregar experiências ainda mais extraordinárias e memoráveis aos hóspedes”. Na Accor esta premissa não é discurso, avisa ele, é, sim, “um modelo de negócio e reflete o design da organização e da operação”.

Gestão de pessoas na Accor
Programa Empoderando Refugiadas (Crédito: divulgação Accor)

Critérios e formatos

Capacidades e performance pesam na decisão de promover pessoas dentro da rede. “Há vários níveis, muitas vezes o upgrade está relacionado à mobilidade dentro da unidade”, explica Viriato. Por exemplo, uma camareira que quer ser atendente no café da manhã, restaurante ou na recepção. E essa rotatividade do potencial humano ocorre, da mesma forma, entre as diversas marcas pertencentes à rede.

O desafio é primordial para cativar pessoas, mas o executivo alerta que se torna uma irresponsabilidade da gestão submeter um colaborador à uma nova função, sem que ele esteja preparado para ela. Daí a relevância da formação na hotelaria que, “não acontece apenas na sala de aula, mas a partir da observação e do modo de fazer, na prática”. Por essa ótica, mesmo com números expressivos de horas de treinamento formal, contabilizados pela Accor, ele afirma tratar-se de um pequeno extrato, porque habilitar pessoas para postos e tarefas é algo que acontece a todo momento e em variadas situações.

Para sacramentar a importância devotada ao propósito do colaborador, no elenco de medidas da Accor, todos os anos, há uma conversa genuína e formal de integrantes das equipes com as respectivas lideranças. Viriato reconhece que “não é justo as pessoas não saberem o que é esperado do seu trabalho” e essa aproximação visa aparar arestas e conciliar objetivos. Se hotelaria é formada por gente e o contato com o hóspede é direto e contínuo, é recomendável averiguar o que motiva cada colaborador a sair de casa todos os dias para trabalhar. E mais, mesmo que os processos existam e sejam importantes, as individualidades contam e devem ser estimuladas, na interpretação do responsável pela gestão do potencial humano na Accor, para que o colaborador possa imprimir suas digitais na entrega dos serviços.

NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1): “Para a Accor a Norma não é uma ruptura, é uma formalização do que a gente já defende como cultura, já que estão expressas em várias práticas internas”

Regulamentação e canais de escuta

Tranquilidade diante da nova regulação – a NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) que estabelece diretrizes e obrigações gerais de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) no Brasil. “Para a Accor a Norma não é uma ruptura, é uma formalização do que a gente já defende como cultura, já que estão expressas em várias práticas internas”, assegura o responsável pela gestão de pessoas na rede. Quando se fala em questões de bem-estar dos colaboradores, a Accor conta com o programa próprio “VIVA”, que contempla a saúde física, mental e emocional do conjunto de pessoas contratadas. Também se alinham nas providências, de acordo com ele, canais de escuta para suporte psicológico e práticas de lideranças também pautadas na humanização. “No geral, eu vejo a regulação como muito positiva para o setor, porque eleva o patamar mínimo e cria uma linguagem comum sobre o que se denomina bem-estar no trabalho. Eu acho que é um avanço”, sintetiza Viriato.

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