Inteligência artificial, turismo motivado por grandes eventos e integração tecnológica da cadeia estão entre as tendências destacadas pela travel tech
REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias
A tecnologia, a busca por experiências e uma maior integração entre empresas do setor devem transformar a maneira como os latino-americanos planejam e realizam suas viagens nos próximos anos. A Decolar apontou cinco movimentos que, segundo a companhia, já começam a redesenhar o turismo na América Latina.
O levantamento foi apresentado por ocasião do Dia Mundial do Turismo, celebrado em 27 de setembro, e inclui desde o avanço da inteligência artificial no planejamento e na compra de viagens até o crescimento de deslocamentos motivados por shows, competições esportivas e eventos culturais.
“Viajar movimenta pessoas, mas o turismo movimenta países. Gera empregos, investimentos e negócios em diferentes mercados e conecta uma ampla cadeia de empresas e profissionais, diz Roberto Rizo-Patrón, diretor Comercial de Produtos em Destino da Decolar. “Na América Latina, esse ecossistema tem espaço para avançar ainda mais, e a tecnologia tem um papel importante ao aproximar viajantes, destinos e os diferentes atores que fazem parte dessa indústria.”
Turismo busca ampliar valor econômico das viagens
Uma das mudanças apontadas pela Decolar está na forma de avaliar o crescimento do setor. Além do número de visitantes recebidos, destinos e empresas passam a observar com maior atenção quanto cada viagem movimenta na economia local.
Em 2025, Viagens e Turismo contribuíram com US$ 372 bilhões para a economia da América Latina, equivalentes a 7,6% do total, segundo dados do World Travel & Tourism Council (WTTC) citados pela empresa.
De acordo com a entidade, o turismo na região cresce a um ritmo de 5,2%, acima da média global de 3,3%. A projeção apresentada indica ainda potencial para acrescentar US$ 206 bilhões à atividade econômica e criar cerca de 6 milhões de empregos durante a próxima década.
Esse movimento envolve uma extensa cadeia formada por hotéis, restaurantes, companhias aéreas, atrações turísticas, operadores, agências de viagens e diferentes prestadores de serviços.
Inteligência artificial muda o planejamento das viagens
Outra transformação está relacionada ao avanço da inteligência artificial. Se durante muitos anos o planejamento começava com buscas separadas por destinos, passagens, hospedagens e preços, ferramentas de IA estão permitindo que o consumidor faça solicitações de maneira mais próxima de uma conversa.
Nesse modelo, o viajante pode informar suas preferências, orçamento e características da viagem para receber opções mais contextualizadas.
A Decolar afirma utilizar essa tecnologia há mais de dois anos por meio da SOFIA, assistente baseada em inteligência artificial generativa. Segundo a companhia, a ferramenta registra aproximadamente 3 milhões de conversas por mês e já é utilizada por 45% dos viajantes.
A empresa também informa que a capacidade comercial da ferramenta corresponde atualmente à de mais de 400 lojas físicas na América Latina.
IA avança da recomendação para a compra
A inteligência artificial também começa a deixar de atuar somente na recomendação de produtos para participar diretamente da execução de determinadas etapas da viagem.
No Brasil, a Decolar realizou sua primeira venda considerada pela empresa como 100% agêntica, processo no qual a inteligência artificial participa da concretização da compra.
A companhia pretende desenvolver o modelo para outros mercados latino-americanos. A mudança amplia o uso da tecnologia de uma ferramenta de consulta e recomendação para sistemas capazes de realizar ações dentro da jornada do consumidor.
Shows e grandes eventos passam a definir destinos
A escolha de um destino também está cada vez mais relacionada ao que o viajante poderá fazer durante sua permanência no local.
Shows, festivais, partidas esportivas e grandes eventos culturais podem funcionar como o principal motivo para uma viagem, movimentando setores como transporte, hospedagem, alimentação, entretenimento e comércio.
Grandes competições esportivas e turnês internacionais de artistas são exemplos desse fenômeno. Nessas situações, o consumidor primeiro escolhe o evento e, a partir dele, define destino, datas, hospedagem e outros componentes da viagem.
A tendência reforça a importância das experiências dentro da estratégia de destinos que pretendem ampliar o fluxo de visitantes e o impacto econômico provocado pelo turismo.
Integração tecnológica é apontada como próxima fronteira
Apesar da digitalização observada em companhias aéreas, hotéis, operadoras, agências e outros segmentos, a cadeia do turismo continua dependendo da comunicação entre diversos sistemas e fornecedores.
Para a Decolar, uma das próximas etapas da transformação digital será justamente aumentar essa integração.
A empresa vem desenvolvendo uma infraestrutura tecnológica destinada a conectar oferta e demanda e reunir diferentes produtos e serviços ao longo da mesma jornada de viagem.
A expectativa é que sistemas mais integrados facilitem a relação entre empresas, fornecedores e consumidores, evitando que cada etapa continue funcionando de maneira isolada.
Em um setor formado por milhares de empresas, a transformação digital tende, portanto, a avançar além da digitalização individual de serviços. O desafio será fazer com que diferentes sistemas e participantes da cadeia funcionem de maneira cada vez mais conectada. Saiba mais no site.




