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Conheça destinos de SP que preservam quase 500 anos da história do Brasil

De cidades fundadas no período colonial a fazendas ligadas à Independência e à República, destinos paulistas oferecem roteiros culturais para viagens de fim de semana

REDAÇÃO DO DIÁRIO – com assessorias 

Viajar pelo interior e pelo litoral de São Paulo também é uma oportunidade de conhecer capítulos importantes da história brasileira. Igrejas centenárias, casarões coloniais, museus, sítios arqueológicos e antigas fazendas de café fazem parte dos atrativos de estâncias turísticas que preservam registros de quase cinco séculos de história.

De acordo com a Associação das Prefeituras das Cidades Estância do Estado de São Paulo (APRECESP), responsável pela marca Turismo Paulista, esses patrimônios estão distribuídos por diferentes regiões do estado, incluindo o Litoral Sul, o Litoral Norte, o interior e o Vale do Paraíba.

Os destinos permitem conhecer acontecimentos relacionados à colonização portuguesa, à expansão da cafeicultura, à Independência do Brasil e ao surgimento do movimento republicano. Muitos desses passeios podem ser realizados em viagens curtas, inclusive durante os fins de semana.

A entidade destaca que os roteiros históricos são alternativas para diferentes épocas do ano. A recomendação é consultar previamente os horários de funcionamento dos atrativos e, sempre que possível, combinar cidades próximas em um mesmo itinerário.

São Vicente e Itanhaém guardam memórias do Brasil colonial

Reconhecida como a primeira vila do Brasil, São Vicente foi fundada em 22 de janeiro de 1532 por Martim Afonso de Sousa. A cidade reúne atrativos que ajudam a compreender os primeiros anos da colonização portuguesa no território brasileiro.

Entre os locais de interesse estão a Casa Martim Afonso, a Biquinha de Anchieta e a Ponte Pênsil, inaugurada em 1914. O município também realiza, tradicionalmente em janeiro, a Encenação da Fundação de São Vicente, espetáculo ao ar livre que relembra a chegada dos portugueses.

Outro destino importante para o turismo histórico é Itanhaém, considerada uma das cidades mais antigas do país. O município oferece o roteiro Caminhos de Anchieta, que reúne construções religiosas e pontos associados à presença dos jesuítas na região.

O percurso inclui a Igreja Matriz de Sant’Anna, a antiga Casa de Câmara e Cadeia e o Convento de Nossa Senhora da Conceição. Na Praia dos Sonhos, a formação rochosa conhecida como Cama de Anchieta também atrai visitantes por sua ligação com histórias e tradições envolvendo o religioso.

Cananéia e Iguape preservam construções centenárias

No extremo sul do litoral paulista, Cananéia é outro destino associado aos primeiros momentos da ocupação portuguesa. O município adota 1531 como ano de sua fundação e reivindica o reconhecimento como um dos primeiros povoados do Brasil.

O centro histórico conserva casarões coloniais e a Igreja Matriz de São João Batista, considerada uma das construções mais antigas da região. Além dos passeios culturais, os visitantes podem conhecer o estuário do Lagamar em excursões de barco.

Próxima dali, Iguape se destaca pelo conjunto arquitetônico de seu centro histórico, protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A cidade preserva ruas tradicionais, sobrados antigos e edifícios religiosos, como a Basílica do Senhor Bom Jesus de Iguape, que recebe peregrinos especialmente durante as celebrações de agosto.

O Museu Histórico e Arqueológico também integra o roteiro, apresentando registros relacionados à exploração do ouro e à importância da navegação para o desenvolvimento do Vale do Ribeira.

Ubatuba e São Sebastião revelam outros capítulos da história

No Litoral Norte, Ubatuba combina praias e áreas de preservação ambiental com atrativos de interesse histórico.

Um dos destaques é o Parque Estadual da Ilha Anchieta, acessível por barco. O local abriga ruínas de um antigo presídio, que funcionou durante parte do século XX e ficou marcado por uma rebelião em 1952.

A região também está relacionada à atuação do jesuíta José de Anchieta durante as negociações conhecidas como Paz de Iperoig, no século XVI.

Em São Sebastião, o centro histórico preserva construções dos séculos XVII e XVIII no entorno da Igreja Matriz. O conjunto arquitetônico é protegido pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).

Outro atrativo é o Sítio Arqueológico São Francisco, localizado na área do Parque Estadual da Serra do Mar. O espaço conserva vestígios de uma antiga propriedade rural, incluindo estruturas de uma capela e um forno utilizado na produção de melaço, associados ao período escravista.

Itu e Amparo conservam heranças do café e da República

No interior paulista, Itu ocupa um lugar importante na história política do país. Conhecida como Berço da República, a cidade recebeu, em 18 de abril de 1873, a Convenção de Itu, um dos principais marcos da organização do movimento republicano brasileiro.

O casarão onde ocorreu o encontro abriga atualmente o Museu Republicano Convenção de Itu, vinculado ao Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP).

A visita pode incluir ainda o centro histórico e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, entre os principais patrimônios religiosos do município.

Já Amparo, no Circuito das Águas Paulista, reúne construções que remontam ao período de expansão da economia cafeeira.

Casarões, igrejas e edifícios erguidos entre o fim do século XIX e o início do século XX compõem a paisagem urbana. O roteiro pode ser complementado com visitas a antigas propriedades rurais da região.

Fazenda no Vale do Paraíba recebeu Dom Pedro I antes da Independência

O Vale do Paraíba também preserva importantes referências da história nacional. Em Tremembé, a Basílica do Senhor Bom Jesus, cuja origem remonta ao período colonial, mantém uma tradição religiosa que atrai visitantes e romeiros ao longo do ano.

Em São José do Barreiro, um dos principais patrimônios é a Fazenda Pau d’Alho, construída no início do século XIX e ligada à expansão da produção de café no estado.

A propriedade recebeu Dom Pedro I em 17 de agosto de 1822, durante a viagem que antecedeu a proclamação da Independência do Brasil.

Segundo a tradição local, o então príncipe regente teria chegado à fazenda antes de sua comitiva, sem ser reconhecido, e realizado uma refeição na cozinha.

O imóvel também recebeu a visita do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, que percorreu a região no século XIX.

Tombada pelo Iphan em 1968, a Fazenda Pau d’Alho representa um importante testemunho da arquitetura rural e da economia cafeeira paulista.

São José do Barreiro também foi apresentado como candidato à edição de 2026 do reconhecimento Melhores Vilas Turísticas do Mundo, iniciativa da ONU Turismo.

Cidades históricas paulistas se aproximam dos 500 anos

Além dos atrativos já existentes, alguns municípios paulistas se preparam para importantes marcos históricos nos próximos anos.

Cananéia chegará aos 500 anos de sua data tradicional de fundação em 2031. São Vicente, por sua vez, celebrará cinco séculos em 2032.

As datas representam oportunidades para valorizar o patrimônio cultural, ampliar a divulgação dos destinos e desenvolver experiências relacionadas à memória do Brasil.

Para a APRECESP, os circuitos históricos também permitem estimular o turismo regional, especialmente por meio de roteiros que conectam municípios próximos.

Fundada em 1985, a associação representa as 78 estâncias paulistas, distribuídas entre as categorias balneária, climática, hidromineral e turística. Sob a marca Turismo Paulista, a entidade desenvolve ações de promoção dos destinos, capacitação profissional e fortalecimento da atividade turística no estado.

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