A Accor entra em um novo ciclo de sua agenda ambiental e social com o Hosting Change , a nova estratégia global de sustentabilidade que orientará a companhia entre 2026 e 2030. A proposta é integrar compromissos ambientais, sociais e de governança às operações dos hotéis, às decisões de investimento e à relação com fornecedores, parceiros e hóspedes.
Por REDAÇÃO E EDIÇÃO DO DIÁRIO
Nas Américas, alguns resultados já dimensionam esse movimento.. Em 2025, por exemplo, o consumo de água por quarto ocupado caiu 6,8%. No Brasil, a agenda ganhou um novo componente com a conquista do Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol, concedido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) ao inventário de emissões da empresa.
Em entrevista, Antonietta Varlese, vice-presidente sênior de Sustentabilidade, Comunicação e Relações Institucionais da Accor Américas, explica como essas iniciativas estão sendo incorporadas à operação e por que sustentabilidade deixou de ser uma agenda paralela para ocupar espaço nas decisões estratégicas do negócio.
DIÁRIO – O Hosting Change estabelece a estratégia de sustentabilidade da Accor para 2026 a 2030. Na prática, o que muda nos hotéis e na relação da companhia com seus parceiros?
Antonietta Varlese – O Hosting Change organiza e acelera uma agenda que já vinha sendo desenvolvida pela Accor. Temos metas ambiciosas de descarbonização e também compromissos importantes na área social. A nova estratégia estabelece entregas técnicas, indicadores e KPIs até 2030, permitindo acompanhar de maneira mais objetiva a evolução desse trabalho.
O ponto fundamental é fazer com que sustentabilidade esteja incorporada ao negócio. “É importante que cada hotel transforme a sustentabilidade em parte das novas incorporações e da relação com todos os tipos de parceiros.”
Isso significa olhar não apenas para a operação cotidiana, mas para toda a cadeia: projetos, equipamentos, compras, fornecedores, colaboradores e experiência do hóspede. A sustentabilidade precisa fazer parte das decisões desde o início.
DIÁRIO – Em 2025, a Accor reduziu em 6,8% o consumo de água por quarto ocupado nas Américas.Como resultados dessa dimensão são obtidos sem afetar a experiência do hóspede?
Antonietta Varlese – Existe um trabalho de conscientização e mobilização das equipes, mas a eficiência ambiental também depende de decisões técnicas e de investimento.
“A redução passa por campanhas internas, mas também pelas decisões de compra, desde equipamentos até chuveiros e torneiras que diminuem a vazão sem comprometer a experiência do hóspede.”
É justamente essa combinação que buscamos. Sustentabilidade não deve significar perda de conforto ou de qualidade. Ao contrário: novas tecnologias permitem reduzir água e energia e, ao mesmo tempo, manter o padrão de hospitalidade esperado pelo cliente. Quando essas escolhas são incorporadas às rotinas de manutenção, renovação e aquisição de equipamentos, os ganhos passam a acontecer em escala.

DIÁRIO – Cerca de 150 hotéis da Accor nas Américas já possuem certificações ambientais independentes. Qual é a importância desses selos para o hóspede e para a credibilidade da agenda sustentável da hotelaria?
Antonietta Varlese – As certificações têm um papel importante porque submetem as práticas dos hotéis à avaliação de organizações independentes. Hoje temos cerca de 150 unidades certificadas nas Américas por iniciativas como Green Key, Hoteles Más Verdes e Sello S.
Muitas ações ambientais acontecem nos bastidores e nem sempre são percebidas diretamente pelo consumidor. A certificação ajuda a tornar esse trabalho reconhecível.
“É uma forma de demonstrar à sociedade que o hotel adota práticas avançadas de sustentabilidade.”
Além disso, quando essa informação aparece nas plataformas de reserva, o próprio hóspede consegue identificar hotéis com práticas sustentáveis no momento de escolher sua hospedagem. Isso aumenta a transparência e também valoriza os empreendimentos que avançam nessa agenda.
DIÁRIO – No Brasil, a Accor acaba de conquistar o Selo Ouro do Programa Brasileiro GHG Protocol para seu inventário de emissões de 2025. O que esse reconhecimento representa para a estratégia climática da companhia?
Antonietta Varlese – O Selo Ouro representa uma evolução importante da nossa gestão climática. O inventário contempla os Escopos 1, 2 e 3 de cerca de 320 hotéis no Brasil e passa por um processo independente de verificação, o que aumenta a confiabilidade das informações.
“Mais do que um reconhecimento, o Selo Ouro demonstra nosso compromisso com a transparência da contabilização das emissões e com as ações adotadas para reduzi-las.”
Ter informações robustas é fundamental porque não podemos administrar aquilo que não conseguimos medir adequadamente. Esses dados permitem avaliar resultados, identificar prioridades e direcionar investimentos.
Entre as ações estão a redução do consumo energético e a substituição de equipamentos que utilizam combustíveis fósseis por soluções elétricas. “Dados cada vez mais confiáveis são essenciais para comprovar resultados e orientar uma operação de baixo impacto.”


DIÁRIO – A eletrificação aparece como um dos caminhos para a descarbonização. O complexo Mercure e ibis budget Jundiaí Shopping já opera totalmente eletrificado e com energia renovável. Esse modelo pode ser replicado em outros hotéis?
Antonietta Varlese – Sim. Esse empreendimento é um exemplo concreto de como podemos avançar para uma hotelaria de menor carbono. O complexo utiliza energia renovável e integra bombas de calor elétricas, sistemas de aquecimento solar e equipamentos elétricos nas cozinhas, eliminando o uso de gás natural na operação regular.
O mais importante é que essas soluções não precisam ficar restritas a um único empreendimento. Elas podem ser incorporadas progressivamente em outras unidades, considerando as características de cada hotel.
A eletrificação é uma frente relevante, mas faz parte de um conjunto maior. Também trabalhamos com painéis solares, sistemas de climatização mais eficientes e medidas de redução do consumo de água e energia. O objetivo é combinar tecnologia, eficiência operacional e fontes renováveis para diminuir continuamente a pegada ambiental dos hotéis.
DIÁRIO – A estratégia também alcança fornecedores e clientes corporativos, inclusive com ferramentas como o Accor Carbon Tracker. Sustentabilidade passa, portanto, a ser uma responsabilidade compartilhada por todo o ecossistema da hospitalidade?
Antonietta Varlese – Exatamente. Uma empresa do porte da Accor não consegue promover uma transformação relevante olhando apenas para dentro de seus hotéis. Precisamos envolver fornecedores, parceiros, clientes corporativos, organizadores de eventos, investidores, colaboradores e hóspedes.
Por meio da ASTORE, nossa plataforma de compras e gestão de suprimentos, avaliamos a maturidade dos principais fornecedores em relação à gestão de emissões e desenvolvemos ações de acompanhamento e incentivo à redução.
Ao mesmo tempo, o Accor Carbon Tracker permite que hóspedes, clientes corporativos e organizadores de eventos mensurem a pegada de carbono de hospedagens e eventos, utilizando dados reais de mais de 5.800 unidades ao redor do mundo. A ferramenta ajuda a identificar as principais fontes de emissão e apoia decisões mais conscientes.
Essa lógica está no centro do Hosting Change. Queremos tornar os hotéis mais resilientes, envolver nossos talentos, melhorar a experiência do hóspede e mobilizar todo o ecossistema. A sustentabilidade deixa, assim, de ser uma iniciativa isolada e passa a fazer parte da maneira como pensamos e operamos a hospitalidade.
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