Distritos Turísticos consolidam uma nova geografia econômica no estado de São Paulo, que avança na estruturação de nove polos estratégicos com potencial para atrair cerca de R$ 15 bilhões em investimentos até 2030.
DA REDAÇÃO com agências estaduais
O Governo de São Paulo oficializou, no início deste mês de março, a criação de dois novos Distritos Turísticos: Alto da Mantiqueira e Águas e Aventuras. Com a validação das propostas por edital, o estado informa que fortalece uma política pública inovadora que posiciona o turismo como vetor estruturante de desenvolvimento econômico, conectando território, governança e capital privado.
Mais do que delimitações geográficas, os Distritos Turísticos representam ecossistemas sofisticados de negócios. Cada área exige um plano de implementação detalhado e uma governança integrada entre poder público e iniciativa privada — um modelo pioneiro no Brasil desde 2021, que reforça a segurança jurídica e amplia a atratividade para investidores.
No cenário da Serra da Mantiqueira, o distrito que reúne Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí emerge como um refúgio de altitude onde natureza e alta gastronomia se entrelaçam. Com mais de 285 milhões de metros quadrados, a região destaca-se pela produção artesanal de azeites e vinhos, além de projetos emblemáticos como a revitalização da Estrada de Ferro Campos do Jordão, que promete resgatar o charme histórico com um olhar contemporâneo.
Já o Distrito Turístico Águas e Aventuras, que integra Águas de São Pedro, São Pedro e Brotas, aposta em experiências sensoriais e atividades ao ar livre. Em uma área superior a 14 mil hectares, o destino combina o bem-estar das águas termais com a adrenalina dos esportes de aventura, consolidando-se como um dos principais polos de turismo ativo e familiar do país.
Segundo o secretário de Turismo e Viagens do Estado, Roberto de Lucena, os Distritos Turísticos vão além da nomenclatura territorial. “São instrumentos de transformação econômica, com incentivos financeiros, simplificação administrativa e uma governança estruturada que une Estado, municípios e setor privado em torno do desenvolvimento regional”, afirma.
A estratégia paulista já apresenta resultados consistentes. O estado conta atualmente com dois Distritos Turísticos urbanos: o Centro de São Paulo e o de Santos. Na capital, o distrito central, criado em 2024, já impulsionou mais de 215 novos empreendimentos e movimenta investimentos da ordem de R$ 2 bilhões, com projeção de atingir R$ 3,5 bilhões até o fim da década.
No litoral, o distrito santista aposta na requalificação histórica e cultural, com projetos que incluem a revitalização do Valongo, a modernização do Mercado Municipal e a valorização de núcleos estratégicos como Vila Belmiro e a região portuária.
Outros Distritos Turísticos também reforçam a capilaridade da iniciativa. Olímpia consolida-se como um dos maiores parques hoteleiros do Brasil, com mais de 9 mil quartos e investimentos previstos de R$ 2,7 bilhões. Serra Azul, com empreendimentos como Hopi Hari e Wet’n Wild, projeta aportes de R$ 2,8 bilhões e atrai o interesse de operadores internacionais. Já Andradina fortalece o turismo regional com o parque Acqualinda e novos projetos que somam R$ 2,5 bilhões.
No eixo da sustentabilidade, o Distrito Turístico Portal da Mata Atlântica desponta como o primeiro polo ecológico do país. Integrando áreas preservadas do Alto Vale do Ribeira, o destino aposta em hotelaria de natureza de alto padrão, aliando conservação ambiental e experiências exclusivas.
Instituídos pela Lei 17.374/2021, os Distritos Turísticos consolidam São Paulo como referência nacional em planejamento territorial voltado ao turismo. A criação de cada distrito passa por rigorosa análise técnica, incluindo estudos de viabilidade, mapeamento detalhado e estruturação de governança — um processo que garante consistência e visão de longo prazo à iniciativa.
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