A consolidação do turismo no litoral sul pernambucano passa pela conexão entre identidade local e experiência do visitante. Esse é o eixo central da gestão de Porto de Galinhas, segundo Eduardo Tiburtius, presidente da Associação dos Hotéis de Porto de Galinhas (AHPG), em entrevista ao DIÁRIO DO TURISMO.
Por Cecília Fazzini com Edição do DIÁRIO
Com um parque que reúne 16 hotéis e mais de 230 pousadas — somando cerca de 25 mil leitos — o destino se mantém competitivo com investimentos contínuos. A demanda é majoritariamente nacional, com destaque para São Paulo, Minas Gerais e Brasília, além de crescimento do fluxo internacional vindo de Argentina, Uruguai e Paraguai. O perfil predominante é de famílias e casais.
Geração de empregos e promoção do destino
A hotelaria local responde por cerca de 30 mil empregos e atua fortemente na promoção turística. “Promovemos diversas ações durante o ano, entre elas a campanha de vendas ‘Porto de Galinhas Premia’, o ‘Visit Travel Show’, o ‘SOU Porto de Galinhas’, além da presença dos associados em diversas feiras e eventos do calendário nacional e internacional”, afirma Eduardo Tiburtius.

Experiência, cultura e economia criativa
Para o dirigente, a hotelaria é elo entre o visitante e a cultura local. “Integrar a indústria criativa passa por valorizar expressões culturais autênticas, como artesanato, gastronomia regional, música e manifestações artísticas, tudo integrado à jornada do hóspede”.
Na prática, isso se traduz em experiências imersivas, parcerias com artistas e curadoria cultural dentro dos hotéis — estratégia que amplia a competitividade e fortalece a economia local.
Sustentabilidade como diretriz
A AHPG prepara o lançamento de sua política de sustentabilidade alinhada aos ODS 2030. Entre as ações estão redução de resíduos, reaproveitamento de insumos e incentivo ao consumo consciente.
“Se relacione, ainda, o apoio e valorização destinados a projetos com impacto positivo na comunidade e no meio ambiente”, reforça Tiburtius, citando iniciativas como a Biofábrica de Corais e o Ecoassociados. “Mais do que uma diretriz, a sustentabilidade é tratada como compromisso contínuo, conectando desenvolvimento econômico, preservação ambiental e valorização da comunidade local”.

Desafios e oportunidades
Entre os principais desafios estão a qualificação contínua da mão de obra, o crescimento ordenado do destino e o engajamento do trade.
“Hoje, Porto de Galinhas conta com profissionais mais preparados e com maior consciência sobre hospitalidade e experiência do cliente”, destaca. Ainda assim, há entraves como rotatividade e sazonalidade.
Por outro lado, o destino se beneficia de forte reconhecimento de marca, riqueza natural e um trade organizado. “Atuamos apoiados em grandes oportunidades: forte reconhecimento de marca, riqueza natural e cultural, além de um trade turístico organizado”.
Expansão e equilíbrio de mercado
O crescimento da oferta de hospedagem é visto como reflexo da consolidação do destino. “O crescimento da oferta de acomodações é reflexo da consolidação de Porto de Galinhas como um dos principais destinos turísticos do Brasil”.
No entanto, Tiburtius alerta para o avanço de imóveis de aluguel por temporada. Segundo ele, esse modelo muitas vezes “opera fora de uma lógica estruturada de mercado, sem os mesmos padrões de operação, regulação e contribuição para a cadeia turística organizada”.

Integração do trade
A atuação conjunta com o Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau fortalece a cadeia turística. “Contamos com o apoio do Porto de Galinhas Convention & Visitors Bureau, que reúne associados como restaurantes, empresas de receptivo, guias, jangadeiros e prestadores de serviços”.
Segundo o Eduardo Tiburtius, a integração ocorre por meio de ações promocionais, eventos e capacitações, garantindo ao visitante uma experiência completa e alinhada.




